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22
Jul17

Capítulo 11

por Pedro Rodrigues

Luís e Sílvia saíram para a rua e dirigiram-se ao Saldanha, onde apanharam o Metro até ao Marquês de Pombal. Daqui subiram o Parque Eduardo VII, onde se sentaram a conversar, num pequeno muro no topo deste belíssimo espaço verde da capital. Dali avistava-se um dos mais bonitos panoramas da cidade de Lisboa. Em primeiro lugar, toda a extensão da parte central do parque, com os seus belos canteiros em zigue-zague. No meio daquele quadro a imponente estátua de Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal. Depois, em terceiro plano, o verdejante vale da Avenida da Liberdade, artéria que se prolonga até à Baixa Pombalina, o coração da cidade. De ambos os lados, as várias colinas de Lisboa. À esquerda, no ponto mais elevado daquele quadro urbano, lá está, imponente, o Castelo de São Jorge. Ao fundo, o Tejo corre sereno e tranquilo entre Lisboa e os outeiros da Outra Banda.

- Para mim, este é um dos locais mais bonitos de Lisboa. Não me canso de vir para aqui. Venho estudar imensas vezes para este parque.

- É a primeira vez que cá venho acima, mas tens toda a razão. Bonito e sossegado! No entanto, esta paisagem peca por defeito em relação a uma coisa. Ou melhor.. conheço alguém que tem a grande virtude de ser mais bonita que isto tudo que está à nossa frente.

Naquele momento, Sílvia entristeceu-se.

- Pois... a Teresa...

- Nada disso! Essa pessoa está bem mais perto de mim do que tu possas imaginar. E é bem mais bonita do que ela.

- Então, se não é a Teresa, quem mais poderá ser?!

- Adivinha lá! Neste preciso momento estou a olhar para ela...

- Pára com isso! - disse Sílvia com um enorme sorriso. - Eu, mais bonita do que a Teresa?!

- Para quê tanto espanto?! Tu nem sequer a conheces! Qualquer um diria o mesmo!

- Oh... só podes estar a gozar comigo!

Luís virou-se para Sílvia e pegou-lhe nas mãos.

- Não estou nada a gozar contigo! Olha para mim... tu és muito mais bonita que a Teresa. Se não fosse ela... se eu não gostasse tanto dela...

Luís afagou, carinhosamente, os loiros cabelos da amiga. Para Sílvia, tudo aquilo só poderia ter um significado. Luís gostava dela. Sílvia chegou-se mais perto dele e tentou beijá-lo.

- Não, Sílvia...

- Por favor, Luís... esquece a Teresa!

- Não posso, Sílvia. Desculpa-me, mas é melhor que tudo fique como está. Não te quero enganar. Não posso namorar contigo sabendo que gosto de outra.

- Tu não existes, Luís! Quantos e quantos, numa situação idêntica, não teriam enganado a ingénua namorada com uma amante?

- Não falemos mais disso! Queres vir passear um pouco pelo parque? Anda daí - disse Luís estendendo a mão a Sílvia, ajudando-a a levantar-se. - A que horas vais?

- Depois de lancharmos. Que horas são?

- Três e meia.

- Ainda é cedo! Vamos ali para aquele lado, que sempre estamos mais à sombra...

Sílvia transportou Luís para uma zona mais sossegada do parque, um pouco abaixo do Pavilhão dos Desportos.

- Aqui está-se bem melhor! - disse Luís deitando-se sobre a relva e espreguiçando-se.

Sílvia deitou-se ao seu lado, de mão dada com Luís. Este virou-se para Sílvia, olhando-a bem de frente, e disse-lhe:

- Tens uns olhos lindos. Adoro os teus olhos!

Luís levou o seu dedo indicador aos lábios da amiga. De seguida, não resistindo mais à vontade que tinha de a beijar, encostou os seus lábios aos de Sílvia, que lhe corresponderam. Mas, num impulso repentino, Luís parou aquele beijo.

- Desculpa, Sílvia, eu não devia... eu não podia deixar que isto acontecesse.

- Não digas isso, Luís! Porque é que não assumes aquilo que sentes por mim?

- Não te posso magoar, Sílvia... tu não mereces...

Sílvia não deixou Luís acabar e beijou-o. Desta vez, Luís entregou-se totalmente a ela, num doce e prolongado beijo. Quando se libertaram daquele momento mágico, Sílvia olhou para o relógio, e disse:

- Está na hora de irmos lanchar... vamos?

Sílvia pôs a mochila às costas e deu a mão a Luís, que ostentava um enorme sorriso.

- Depois de tudo o que aqui se passou, preciso pensar muito bem se ainda valerá a pena ir à terra.

- Não senhora! Se ainda gostas da Teresa tens de lutar pelo amor dela. Esquece o que se passou aqui...

- Estás bem?! Tens a certeza no que estás a dizer?

- Eu só fiz isto porque te amo Luís, mas não posso deixar que tu e a Teresa acabem por minha causa. Eu gosto muito de ti, mas o teu amor pela Teresa está em primeiro lugar. Luta por ele, meu amigo.

Luís estava estupefacto com aquela atitude de Sílvia.

- Eu... eu nem sei o que dizer... se é isso que desejas...

 

CONTINUA...

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