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23
Jul17

Capítulo 13

por Pedro Rodrigues

Enquanto Álvaro foi tomar banho, Luís ajudou Sílvia a pôr a mesa, enquanto a mãe desta acabava de fazer o jantar. Em seguida sentaram-se no sofá, enquanto esperavam pela comida.

- Então... estás a gostar?

- Até agora não tenho razão de queixa! Do teu pai ainda pouco ou nada conheço, mas da tua mãe tive uma excelente impressão.

- Óptimo!

Catarina entrou na sala, seguida de Álvaro.

- O jantar está pronto! Para a mesa meninos!

- Tu ficas aqui Luís... - disse Sílvia, puxando a cadeira onde Luís se iria sentar.

- Obrigado!

- Vocês já se conhecem há muito tempo?

- Não, pai! Só nos conhecemos há três dias... desde segunda-feira. O Luís é novo no Liceu Camões.

- De que escola vieste?

- Da Escola Secundária de Ovar. Cheguei à uma semana do Norte...

- E que tal a integração no Camões e, sobretudo, na nova turma?

- Bem... como escola gostava mais da de Ovar onde, verdade seja dita, tinha lá muitos amigos e, também, por esta escola ter mais e melhores condições que o Camões. Quanto à turma, não tenho nada de negativo a apontar a ninguém. Fui muito bem recebido e arranjei facilmente novos amigos.

- Entre os quais a minha filha...

- Exacto! Arranjei aqui uma grande amiga. Quando aqui cheguei disse-o à sua esposa, e agora digo-lhe a si, com toda a sinceridade. Tenho de lhe dar os parabéns pela excelente e encantadora filha que têm.

- Obrigado, é muito reconfortante ouvirmos essas palavras vindas de alguém que apenas conhece a Sílvia há três dias. Mas, mudando de assunto... o que é que te fez mudares-te de Ovar para Lisboa?

- Por dois motivos! Aqui em Lisboa estou mais perto da escola. De minha casa, no Saldanha, até ao Camões é um instante, enquanto que lá no Norte, da minha casa, no extremo leste da freguesia de Válega, até à cidade de Ovar, eram cerca de dez quilómetros. Em segundo lugar, devido a um namoro falhado... mas sobre isso não quero falar.

- Compreendo! Adiante... disseram-me que tinhas um convite a fazer à minha filha...

- Sim, claro... este fim-de-semana vou até à minha terra, e gostaria que a Sílvia viesse comigo.

- Posso, pai?

- Como é que se chama a sua terra?

- Válega. É uma das maiores freguesias do concelho de Ovar. Vivo no lugar de Paço, na fronteira com o concelho de Oliveira de Azeméis.

- Aí para esses lados conheço muito pouco. Do distrito de Aveiro só conheço o que vejo na auto-estrada, quando vou para o Norte.

- Essa auto-estrada passa a menos de 200 metros de minha casa... mas isso é muito pouco, senhor Álvaro!

- Eu sei disso, mas as minhas férias são quase sempre entre o Algarve e Esposende. No caso de umas férias passadas no teu distrito, o que é que me aconselhas? Por exemplo,  em termos de praias?

- As praias do Norte são, quase sempre, muito ventosas e com muita ondulação mas, mesmo assim, falando das que conheço, as melhores são as do Furadouro, Torreira e Costa Nova.

- E quanto a hotéis?

- Nesse aspecto estou pouco à vontade para falar, pois conheço poucos... mas os melhores, segundo dizem, ficam em Espinho e Aveiro.

- E quanto a locais de lazer e/ou diversão? E as paisagens?

- Lá isso, no que à diversão diz respeito, o que não falta para lá são boas discotecas e bares. E depois, no Verão, há mil e uma romarias. Quanto ao lazer, vou-lhe aconselhar dois locais: o Parque de La Salette, em Oliveira de Azeméis, e a Senhora da Saúde da Serra, perto de Vale de Cambra. Quanto às paisagens, há muito por onde escolher e bem variadas. Se gosta de serra, o melhor é a região de Arouca e Vale de Cambra e, mais para sul, o Buçaco, o Luso e o Caramulo. Mas tem a Pateira de Fermentelos, a ria de Aveiro, o vale do Vouga...

- Estou a gostar! Você quase que me convenceu a trocar o Algarve pelo distrito de Aveiro nas próximas férias...

- Se o fizer, tenho a certeza de que não se arrependerá.

- Estou a gostar muito da vossa conversa, mas ainda não ouvi a resposta do pai ao convite do Luís!

- Bem... desde que não haja nenhum inconveniente para o Luís, tens a minha autorização.

- Claro que não, senhor Álvaro! Então você acha que se houvesse algum problema eu a teria convidado?!

- Pois... claro que não! E quando é a partida?

- Sábado de manhã. O autocarro para o Porto sai da Avenida Casal Ribeiro às oito.

- Então, sendo assim, às sete e meia estarei lá com a minha filha.

- Não vejo a hora da partida! - disse Sílvia, radiante.

- Você deve gostar muito da sua terra...

- Adoro, senhor Álvaro! Eu sou apaixonado por Ovar. A começar pela Ovarense e a acabar na minha vila de Válega, tudo lá me fascina. Para mim, em Portugal, não há muitas cidades tão ou mais bonitas do que Ovar. É uma pequena maravilha! A começar na azulejaria - Ovar é uma das catedrais do azulejo em Portugal! - e a terminar naquele tão delicioso pão-de-ló...

 

Até ao fim do jantar, a conversa prosseguiu bastante animada. Luís estava mais feliz do que nunca por ter sido bem recebido pelos pais de Sílvia. Quando Luís se preparava já para se ir embora, Álvaro chamou-o à parte, e disse-lhe:

- Luís, depois desta tão agradável noite, vejo que és um excelente rapaz em quem posso confiar... mas também reparei noutra coisa! A Sílvia gosta de ti muito mais do que a um simples amigo. Perante isto, tens toda a minha permissão para namorá-la.

- A Sílvia estará em boas mãos, garanto-lhe! Espero nunca vir a desiludi-lo.

- Acredito, sinceramente, que isso não acontecerá - disse Álvaro, estendendo a mão a Luís, que a apertou com um sorriso e uma enorme alegria interior. - Volta sempre que quiseres.

- Tenho de me ir embora porque amanhã temos aulas logo às oito horas...

- Filho, acompanhas o Luís à paragem?

- Claro, pai!

Depois de se despedir de Catarina, Luís saiu para a rua com Sílvia atrás. Já na rua, perguntou-lhe:

- A que horas sai o próximo autocarro?

- Daqui a dez minutos - disse Sílvia olhando para o relógio, que marcava 22h30. - Gostaste?

- Adorei! Os teus pais foram maravilhosos!

- Estou felicíssima! Acho que, em toda a minha vida, nunca me tinha sentido assim. Graças a ti! - disse Sílvia abraçando Luís e beijando-o.

- Por favor, Sílvia, não te iludas... não faço uma pequena ideia do que se vai passar lá no Norte, neste fim-de-semana. Não te quero desiludir. Tudo o que eu mais quero nesta vida é ver-te feliz. Não imaginas como é lindo esse sorriso...

- Luís, independentemente de tudo o que se passar no sábado em Ovar continuarei a ter-te como um amigo maravilhoso. Disso tenho eu a certeza... primo!

Naquele preciso momento chegou o autocarro, e Luís despediu-se de Sílvia com um abraço e um beijo na testa.

- Até amanhã... priminha!

- Adeus!

O autocarro arrancou e Sílvia retirou-se para casa. Ao entrar no quarto deitou-se em cima da cama, onde uma enorme vontade de chorar se apoderou dela. Sílvia chorava por um amor impossível, pois Luís ainda gostava, e muito, de Teresa.

 

CONTINUA...

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2 comentários

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De asal a 23.07.2017 às 23:19

Gostei do que li. Força...
Mas cautela com os erros: em «é muito reconfortante ouvir-mos essas palavras» temos uma simples forma verbal e não uma forma pronominal. O correcto é "ouvirmos".
De erro em erro até à perfeição.
Ant. Henriques
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De Pedro Rodrigues a 23.07.2017 às 23:28

Muito obrigado! Está corrigido o erro! 😊

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