Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



24
Jul17

Capítulo 14

por Pedro Rodrigues

Em sua casa, Luís não conseguia dormir. Se era verdade que ainda gostava de Teresa, estava a tornar-se cada vez mais evidente a sua paixão por Sílvia. Na sua cabeça pairava uma grande dúvida. Se Teresa ainda o amava, como a carta de Fernanda fazia transparecer, valeria a pena continuar o namoro interrompido? Ou, por outro lado, não seria melhor para ele começar uma relação a sério com Sílvia? Pesando todos os prós e contras, Luís tinha mais hipóteses em acabar com Teresa, pois agora, com a vinda dele para Lisboa estariam a uma grande distância um do outro, e um namoro assim nunca daria certo. E foi com este pensamento que Luís adormeceu.

 

Sábado, 26 de Setembro de 1992.

Eram quase 13 horas quando Luís e Sílvia chegaram a Ovar. O local de paragem do autocarro estava situado bem no centro desta acolhedora cidade da Beira Litoral. Junto aos Paços do Concelho apanharam um táxi que os levou até Válega e, a partir daqui, até ao lugar de Paço. Sílvia ia calada. Pensava em Luís e naquele fim-de-semana, em que a sua felicidade poderia estar em jogo. Uma felicidade que estava dependente de Teresa, a quem Luís tanto amava.

- Que carinha é essa, amiga? Não estás a gostar?

- Estou, mas... à medida que nos aproximamos dela...

- Por favor, Sílvia, esquece a Teresa. Para ela, o que hoje é verdade amanhã pode já ser mentira!

- O que é que queres dizer isso?

- Eu tenho a certeza que a Teresa já mudou de disco. Logo chego ao pé dela e vou levar uma nega daquelas, como da última vez.

- E se não for assim?

- Não sei... sinto-me entre a espada e a parede.

Aquela resposta fez Sílvia sorrir. Afinal de contas, Luís ainda estava indeciso, o que poderia significar que ele gostava mesmo dela.

- Pode parar aqui ao fundo desta descida, por favor - disse Luís, ao ver o táxi aproximar-se de sua casa.

Depois de pagar a viagem, Luís abriu a porta e, com a ajuda de Sílvia, tirou as mochilas do porta-bagagens. Atravessaram a estrada e bateram à porta.

- A esta hora os meus avós já devem ter chegado do mercado...

Quem lhes veio abrir a porta foi a avó de Luís.

- Podemos, avó?

- Luís?! Que fazes tu por aqui? Entrem!

Depois de cumprimentar a avó, Luís apresentou-lhe Silvia.

- Apresento-lhe a minha amiga Sílvia...

- Prazer! Tens uma amiga muito bonita.

- Obrigada, dona... dona...

- Amélia.

- Dona Amélia...

- Mas, afinal de contas, o que é que vocês fazem por aqui?

- Vim resolver, de uma vez por todas, a minha situação com a Teresa.

- Ah!... Ela ontem esteve aqui a conversar comigo e até chorou. Ela está arrependidíssima por te ter deixado. O que é que pensas fazer, filho?

- Não sei, avó... eu gosto, e muito, da Teresa... mas não se esqueça que quem vai ao mar pode perder o lugar.

- Então quer dizer que...

- Isso mesmo! Estou apaixonado por outra rapariga, mas continuo a amar a Teresa. Sinceramente, ainda não sei o que fazer. Estou entre a espada e a parede.

- E quem é essa outra rapariga?

- Ela está à sua frente, avó. A Sílvia. Se estivesse no meu lugar, o que é que a avó fazia?

- Seguir o coração usando a cabecinha... e quando é que vais falar com ela?

- Logo. Agora vamos comer qualquer coisa, e depois vou a casa da Sofia.

- Desculpem a minha distracção! Vocês devem vir esfomeados! Venham aqui comer alguma coisa...

- O que é que a avó tem para aí?

- Olhem, é à vossa escolha! Rojões ou pastéis de bacalhau...

- Eu prefiro pastéis, avó!

- Eu também, Dona Amélia!

 

A seguir ao almoço, Luís e Sílvia foram até casa de Sofia. Quem lhes veio abrir a porta foi a própria.

- Luís?! Que surpresa! Entra!

Depois de se cumprimentarem, Luís perguntou:

- A Teresa não está por aí, pois não?

- Não, mas...

- Para ti escuso de mentir, Sofia... esta é a minha nova amiga Sílvia.

- Prazer! O Luís já me tinha falado de ti, e por sinal muito bem!

- Quando?!

- Segunda-feira ao telefone. Falou-me tão bem de ti que eu até pensei que ele já tivesse esquecido a minha prima.

- Vim cá hoje a Válega precisamente para falar com ela! Sabes se ela está em casa?

- Acho que sim, mas... o que é que lhes vais dizer?!

- Até à noite hei-de pensar numa solução para este caso. De hoje não passa!

- Caso?! Que caso?!

- Estou metido numa grande embrulhada, Sofia! Fiquei contentíssimo por a Teresa querer voltar para mim, mas ao mesmo tempo...

- Desembucha, homem! Ao mesmo tempo o quê?!

- Apaixonei-me pela Sílvia... o que me aconselhas a fazer?

- Tu és doido! Então trazes a possível futura namorada para resolveres uma questão destas com uma ex?

- Pois...

- Acho que vieste cedo demais resolver este assunto. Uma decisão tão difícil e complicada como esta, não deveria ser resolvida assim, de um momento para o outro. Mas já que o teu erro é irremediável, acho que deves guiar-te pelo teu coração, mas usando a cabecinha.

- Exactamente as mesmas palavras da minha avó!

- Não seria melhor ficares sozinho umas horas para reflectires bem? Não quero influenciar em nada a tua decisão.

- A Sílvia tem razão, Luís...

- É isso mesmo que vou fazer! Vou dar uma volta por esses pinhais, sozinho, e logo irei falar com a Teresa... Antes que me esqueça! Se por acaso a Teresa, a Fernanda ou o Daniel aparecer por aqui, até à nossa conversa de logo a Sílvia é uma prima minha, ok? Uma prima que vocês não conhecem, da parte do meu pai...

- Podes ir descansado, amigo! - disse Sofia sorrindo.

 

CONTINUA...

Autoria e outros dados (tags, etc)


2 comentários

Imagem de perfil

De omeumaiorsonho a 24.07.2017 às 15:01

Huummm vou seguir ;)
Imagem de perfil

De Pedro Rodrigues a 24.07.2017 às 15:05

Seja bem-vinda! E boa leitura

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2017
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ