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24
Jul17

Capítulo 15

por Pedro Rodrigues

Enquanto Sílvia e Sofia ficaram a conversar em casa desta, Luís saiu para a rua e deu uma corrida estrada acima, só parando junto de uma oficina, e virando à esquerda por um caminho que o levava a um pinhal. Ali chegado abrandou a marcha e, uns metros à frente, sentou-se num velho tronco de pinho, que deveria estar ali à pouco tempo.

Quantas recordações tinha Luís daquele pequeno pinhal! Foram muitas horas que, até há bem pouco tempo, ali passara com os seus amigos. Fora ali, igualmente, que ele e Teresa começaram a namorar. No princípio tudo foi um mar de rosas, mas à medida que os dias, as semanas, os meses e os anos iam passando, aquela relação foi-se deteriorando até àquele fatídico dia nas festas de Santa Marinha, em Avanca. Ao longo daqueles três anos, Luís nunca deixou de amar Teresa, embora desconfiasse das intenções dela em acabar com aquele namoro. Mesmo assim, a decisão tomada por esta não deixou de o magoar, ao ponto de lhe virar as costas, e de ter estado quase dois meses sem a ver. Ainda assim, quando Teresa se foi despedir dele, há pouco mais de uma semana, as esperanças de Luís não o abandonaram. Mas Teresa voltou a decepcioná-lo. Não, aquela não era a Teresa que ele sempre conhecera! Não podia ser a mesma pessoa!

Com o recomeço das aulas e, sobretudo, com os novos amigos que fez logo nos primeiros dias, Luís estava, aos poucos, a conseguir os seus intentos. A carta de Fernanda e, sobretudo, as recentes palavras da avó, vieram pôr tudo na mesma... ou pior! Luís tinha a certeza de duas coisas. Não queria decepcionar Sílvia e estava mesmo apaixonado por ela, embora ainda gostasse de Teresa. Na cabeça de Luís só havia uma razão para aceitá-la de volta. O facto de jamais ir esquecer aqueles últimos três anos. Porém, naquele momento, era por Sílvia que o seu coração batia mais depressa. Mais a mais, estava a morar em Lisboa e não fazia sentido recomeçar um namoro com uma rapariga a quase 300 quilómetros de distância. Por mais que lhe fosse custar, Teresa iria forçosamente ser rejeitada. Em nome de um novo amor. Em nome de uma pessoa que tudo fez para ele esquecer Teresa.

Quando Luís regressou a casa de Sofia, encontrou-a ainda a conversar com Sílvia. Um pouco mais sorridente, disse:

- Estou pronto para me encontrar com a Teresa.

- E então? Qual é a tua decisão?

- Mais logo saberão!

- Ai que chato! Para quê tanto mistério?!

- E que tal um lanche em minha casa? - perguntou Luís, tentando mudar o rumo à conversa.

- Acho boa ideia! Mas... para quê tanto mistério?!

- Sei lá... talvez para não me arrepender!

- Coisas do Luís! - disse Sofia, encolhendo os ombros.

- Querem vir lanchar ou não?

- Vamos!

 

À noite, Luís foi visitar Teresa. Quem lhe abriu a porta foi o pai desta.

- Boa noite, senhor Alberto! A Teresa está?

- Está, sim... se quiseres vai ter com ela ao quarto. Também lá está a Fernanda.

- Muito obrigado! - disse Luís, entrando e subindo ao primeiro andar da casa. Bateu à porta do quarto de Teresa, mas quem a veio abrir foi Fernanda.

- Luís?! Que surpresa! Nunca pensei que fosses tão rápido... entra!

- Olá Fernanda! Como vão as coisas contigo?

- Comigo vão bem! Agora, com a Teresa...

- Deixas-me sozinha com o Luís, Nanda?

- Claro, Teresa! Até amanhã!

- Adeus...

Depois da amiga ter saído, Teresa correu para Luís.

- Estou tão contente por teres vindo!

- Achas mesmo que ia perder uma...

Antes que Luís terminasse a frase, Teresa beijou-o.

- Este é o beijo que te neguei na véspera da tua partida para Lisboa - e voltou a beijar Luís.

Este, a princípio, não resistiu à tentação de voltar a beijar Teresa, mas uns largos segundos depois separou-se da ex-namorada com um pequeno empurrão.

- Pára, Teresa! O nosso namoro acabou naquela noite em Avanca.

- Luís, esquece essa noite! O que conta agora é o presente! Eu... eu arrependi-me mil vezes do que te disse nessa noite. Só quero que me perdoes e me aceites de volta.

- Não posso, Teresa...

- Como assim?! Eu ainda te amo!

- Teresa, tu não contaste que eu, em apenas uma semana, me apaixonasse a valer por outra pessoa!

- Não te estou a reconhecer, Luís! O que é que vale mais? O nosso amor ou uma paixão sem importância?

- Estás enganada, Teresa... não se trata de uma paixão qualquer. Eu amo a Sílvia, entendes?

- Não pode ser, Luís! Eu amo-te e nada, nem ninguém, poderá alterar este meu sentimento por ti.

- Que posso eu fazer, meu Deus?! Tu és a única pessoa culpada nesta história toda!

- É justo dizeres-me isso agora... desta vez tenho de dar o braço a torcer. Tens a certeza que essa é a tua última palavra?

- Por mais que me custe, Teresa...

Teresa, mais triste do que nunca, deitou-se em cima da cama. Luís ajoelhou-se à frente dela e perguntou-lhe:

- Amigos como dantes?

Ao ouvir aquilo, Teresa sorriu e acenou com a cabeça.

- Tenho a certeza de que vais encontrar alguém que te mereça mais do que eu.

- Como, se eu ainda te amo?! - perguntou Teresa, começando a chorar.

- Por favor, pára com isso... tu sabes que detesto ver-te chorar. Parte-me o coração! É melhor para nós que tudo continue como está.

- Só se for para ti...

- É melhor para os dois, acredita!

- Só espero que sejas feliz com essa tal Sílvia...

- Quando é que nos vemos agora?

- Amanhã, espero!

- Sim, claro... mas, e depois?

- Sei lá, um dia destes!

- Tenho de me ir embora, Teresa. Estou a cair de sono...

- Até amanhã... e pensa bem na decisão que tomaste...

- Lamento, mas a minha decisão está tomada e é definitiva.

Luís e Teresa despediram-se com um abraço e um beijo, como se ainda fossem namorados. De seguida, aquele foi até casa, onde Sílvia o esperava, completamente ansiosa por uma resposta. O beijo que Luís lhe deu substituiu as palavras. A partir daquele momento, com Teresa fora do "baralho", o namoro dos dois começava oficialmente.

 

CONTINUA...

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