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21
Jul17

Capítulo 2

por Pedro Rodrigues

Já passava das dez quando Luís recebeu a visita, totalmente inesperada, de Teresa. Luís abriu-lhe a porta, e...

- Posso?

- Claro, Teresa! Entra...

- Soube que ias amanhã para Lisboa, e...

- Vieste despedir-te de mim...

- E não só...

- Desembucha, rapariga! Estás a deixar-me impaciente!

- Eu sei que te vais embora por minha causa, mas por favor Luís... não quero que guardes rancor de mim...

- Oh Teresa, podes estar descansada! Por momentos pensei que... pensei que irias voltar com a palavra atrás...

- Por favor, Luís, não te iludas!

Este, não dando ouvidos a Teresa, aproximou-se dela, pegou-lhe nas mãos e disse-lhe:

- Teresa, eu amo-te... se quiseres ainda estou a tempo de...

- Não... desculpa-me, mas é melhor assim. Para os dois!

- Ao menos, um beijo de despedida... - pediu Luís, numa última tentativa.

Teresa virou as costas a Luís, não lhe satisfazendo o desejo. Sozinho, Luís subiu para o quarto e mergulhou na cama com uma tristeza infinita. Lá bem no fundo, ele sabia que acabara de perder Teresa, para sempre.

 

No dia seguinte, 17 de Setembro de 1992, Luís e os avós abandonaram o lugar de Paço às seis horas da manhã. No banco de trás da Ford Transit, Luís seguia viagem com uma enorme vontade de chorar. As imagens dos seus amigos vinham-lhe à memória. Pela primeira vez em dezassete anos, Luís deixava-os por tempo indeterminado. Custava-lhe tanto fazê-lo como abandonar Teresa. Esta ocupava um lugar à parte, especial, no seu coração. Embora sabendo que, muito dificilmente, a voltaria a ter como namorada, o seu coração ainda batia por ela. Luís era assim. Só desistia de uma coisa quando já nada havia a fazer. Neste caso particular, não acreditava que Teresa nunca o tivesse amado. Como seria isso possível se ela própria demonstrou precisamente o contrário nos dois primeiros anos daquele namoro? Não! Luís não se convencia disso e estava arrependido de ter tomado aquela decisão. Ir morar para Lisboa só ajudaria à separação definitiva dos dois. Porém, agora já era tarde demais. Os pais já o haviam matriculado no Liceu Camões e as aulas começariam daí a quatro dias.

 

CONTINUA...

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