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26
Jul17

Capítulo 21

por Pedro Rodrigues

O tempo vai passando... Luís e Sílvia continuavam apaixonadíssimos um pelo outro. Numa belíssima segunda-feira, em meados de Fevereiro, decidiram faltar à última aula para namorarem um pouco, longe do barulho da escola. Num recanto do Parque Eduardo VII, escondidos de tudo e de todos, beijaram-se apaixonadamente. Ao final da tarde foram lanchar à esplanada do Parque.

- Por mais que eu tivesse amado a Teresa, acho que nunca fui tão feliz como sou agora...

- Oh, Luís! Nem sabes como me sinto feliz ao ouvir essas palavras!

- Eu amo-te, Sílvia... nunca me abandones!

- Não digas isso, tonto! Eu nunca te abandonarei! - disse Sílvia, pegando na mão esquerda de Luís.

- Sílvia, por ti ia ao fim do mundo...

- Luís... - disse Sílvia, pousando o seu dedo indicador nos lábios de Luís. - Não digas coisas que não podes cumprir. Apenas não quero que tu me enganes. Para mim, a mentira é um dos piores defeitos do ser humano.

Sílvia olhou para o relógio, e disse:

- Tenho imensa pena, mas tenho de me ir embora...

- Já?!

- Pois é, Luís... são quase seis e meia!

- Fica mais um bocadinho!

- Não posso... os meus pais depois começam logo a ficar preocupados... vens levar-me ao autocarro?

- Claro!

Luís pegou na mão da namorada e seguiram até ao outro lado do parque, onde Sílvia apanhou o autocarro para casa.

- Até amanhã, Luís! Obrigada por tudo!

- Adeus!

O autocarro arrancou e Sílvia, com um enorme sorriso, acenou um último adeus a Luís.

 

Ao chegar a casa, Sílvia tinha uma notícia que, em outras circunstâncias, seria uma excelente novidade. Assim que a sentiu em casa, a mãe foi ter com ela.

- Boa noite, filha! Eu e o teu pai temos uma excelente novidade a dar-te.

- Que novidade?!

- Lembras-te da proposta que o teu tio de Paris fez ao teu pai?

Naquele instante, o sorriso desapareceu do rosto de Sílvia.

- Sim... arranjava uma vaga para o meu pai na France Telecom, em Paris.

- Isso mesmo! E fez melhor do que isso! Arranjou uma vaga para o teu pai e outra para mim! Não é excelente, filha? Viver em Paris...

- A mãe não se esqueceu de nada? - disse Sílvia, quase a chorar.

- O que é que se passa contigo, filha?! Tu, desde o primeiro minuto, foste a pessoa que mais exteriorizou o seu contentamento ao saberes desta possibilidade...

- A mãe tem a memória muito curta! A mãe já se esqueceu do Luís? Com que cara é que eu lhe vou dizer que, a partir de não sei quando, vou viver para França?

- Oh, filha! Não será a nossa ida para França mais importante que um namorico?

- Namorico, mãe?! A minha relação com o Luís é muito mais séria do que a mãe possa imaginar. Hoje, antes de vir para casa, disse-me que, por muito que tivesse amado a Teresa, nunca foi tão feliz como agora...

- Isso é treta, Sílvia! Todos os rapazes dizem isso!

- Mãe, o Luís foi sincero... a mãe devia de o ter visto a pedir-me para que nunca o abandonasse. Eu amo o Luís do fundo do meu coração e por nada deste mundo o vou deixar. Nem para ir morar em Paris...

- Pensa o bocadinho filha... é o nosso futuro que está em jogo! E depois, com o dinheiro que vamos ganhar, não terás dificuldades em arranjar outro rapaz...

- A mãe assim ofende-me! O dinheiro não pode comprar tudo! Como hei-de ser feliz longe da pessoa que amo?

- Não sei, Sílvia. Sobre isso é melhor conversares com o teu pai... E depois, ainda tens muito tempo à tua frente. Só em Julho é que nós iremos, e até lá podes mudar de ideias.

Naquele preciso momento, o pai de Sílvia chega a casa.

- Boa noite! - Após cumprimentar a esposa e a filha, aquela diz-lhe:

- Álvaro, a Sílvia não quer ir para Paris.

- O quê?! Mas tu estavas tão contente com essa ideia!

- Isso era o ano passado, pai, quando não tinha nada que me prendesse aqui a Lisboa...

- E o que é que te prende agora a Lisboa? - pergunta Álvaro, franzindo o sobrolho.

- Os pais andam muito distraídos! Já se esqueceram daquele rapaz que jantou cá em casa, com quem eu fui passar o Ano Novo a Ovar...

- Pois... o Lúis! Com este entusiasmo todo, tinha-me esquecido completamente dele...

- Pai!... Por mim, pelo Luís e pela nossa felicidade, abre mão da proposta que te fizeram!

- Não posso, Sílvia... Acabei de assinar um contrato-promessa com a France Telecom por dois anos.

A chorar, Sílvia deixa-se cair na alcatifa da sala de estar.

- Filha!... O que é que te deu?! Nunca te vi assim!

- Pai, por nada deste mundo quero perder o amor do Luís!

- Não é a tua ida para França que vai acabar com o vosso namoro...

Sílvia riu-se com sarcasmo.

- O pai fala como se Paris fosse já ali ao virar da esquina! Tem algum sentido continuar um namoro a não sei quantos mil e tal quilómetros de distância?

- Faz como entenderes, filha! Eu não posso voltar atrás com a minha palavra, nem quero deixar-te aqui sozinha.

- Mas, pai, eu amo o Luís...

- Paciência, filha! Não posso deitar fora uma oportunidade destas só por causa de um namorico entre adolescentes. E além disso, tu só tens 15 anos! O vosso namoro não pode ser assim tão sério...

- Engana-se, ele é muito mais sério do que aquilo que o pai possa imaginar!

- Não posso fazer nada, filha. Ou continuam o vosso namoro à distância, ou vais ter que o esquecer nestes pouco mais de quatro meses que faltam para a nossa viagem...

E dito isto, Álvaro virou as costas à filha. Sílvia sentou-se no sofá com a cara mais triste deste mundo. Tinha a certeza que o pai jamais voltaria atrás com a palavra, pois quando Álvaro tomava uma decisão só um terramoto o faria mudar de ideias. Quase a chorar enfiou-se no quarto, onde exteriorizou toda a raiva que sentia. Fatigada por tanto chorar, acabou por adormecer. Quando os pais a chamaram para jantar disse-lhes que não tinha fome. Nem os insistentes pedidos da mãe a fizeram demover. No entanto, pouco antes da meia-noite, quando os pais já dormiam, Sílvia veio à cozinha comer uma peça de fruta. De seguida voltou a fechar-se no quarto.

 

CONTINUA...

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