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28
Jul17

Capítulo 24

por Pedro Rodrigues

O tempo foi passando... O que restava de Fevereiro e todo o mês de Março estava já para trás. Entretanto, Luís tinha ido à inspecção militar, juntamente com  João, e ambos tinham ficado aptos, tendo embora passado à reserva. Naquela 5.ª Feira, 1 de Abril de 1993, as duas turmas do 10.º ano, área de humanísticas, iam numa visita de estudo até Conímbriga, Tomar e Santarém. A partida foi dada cerca das 8 horas da Praça José Fontana. Naquele momento, as duas turmas tomavam o pequeno-almoço na área de serviço das Aveiras de Cima. Após esta curta paragem, a viagem prosseguiu até Conímbriga. A animação dentro dos dois autocarros era mais que muita. António Pavão, o organizador da viagem, levou a sua viola e, como ele tanto gostava, tocou durante quase toda a primeira parte da viagem. Só quando saíram da auto-estrada, em Condeixa-a-Nova, é que os belos acordes da viola deixaram de se ouvir. Pavão dirigiu-se ao motorista para lhe indicar o caminho até às ruínas. À chegada constataram que não eram os únicos visitantes daquela manhã, pois cerca de uma dezena de autocarros de vários pontos do país se encontravam já estacionados no parque à entrada do recinto das ruínas.

O professor de História, que também integrava o grupo, dividiu as duas turmas em quatro grupos, pois a entrada no museu apenas era permitida a grupos que não excedessem as quinze pessoas. Além dos professores Pavão e Santana, iam ainda as professoras de Inglês e Jornalismo, respectivamente Isabel Antunes e Cristina Faria. Cada professor ficou com o seu grupo. Como não podia deixar de ser, Luís e Sílvia iam no mesmo grupo. Isabel Antunes era a líder. Em primeiro lugar, visitaram o Museu Monográfico, onde está exposto todo o tipo de objectos encontrados em escavações, testemunhos da civilização romana. Seguiram-se as ruínas propriamente ditas. As escavações deste legado romano iniciaram-se em 1929, pondo a descoberto casas de um proprietário e duas termas; posteriormente, foram surgindo a Casa dos Repuxos, com o seu jardim central e belíssimos mosaicos representando cenas mitológicas, mais termas, tanques de serviço de casas, um balneário privado, entre outras coisas. Em 1964 teve início o segundo período de escavações, após vinte anos de interrupção, e descobriram-se o fórum flaviano, sobreposto ao do imperador Augusto, tal como as termas deste último, sobrepostas pelas de Trajano, lojas de comércio e edifícios de habitação.

Acabada a visita a Conímbriga, a viagem prosseguiu até Tomar, terra-natal de António Pavão. À chegada àquela cidade, as duas turmas espalharam-se pelo acolhedor parque da cidade, atravessado a meio pelo rio Nabão, onde almoçaram. O grupinho de Luís e Sílvia almoçou junto ao estádio da União Desportiva de Tomar. Terminada a refeição, Luís e Sílvia afastaram-se do grupo e, de mãos dadas, dirigiram-se até um pequeno açude situado bem no centro daquele belíssimo parque, o coração da cidade de Tomar.

- Quem me dera que este momento não acabasse nunca, Luís. O tempo está a passar tão depressa! Não quero nem pensar que o dia em que teremos de nos separar está a aproximar-se a passos de gigante.

- Não penses nisso agora... Pensa antes que ainda vais ter um terceiro período grande e chato como o caraças! As férias da Páscoa que começam já amanhã e que vão ser super animadas... e o melhor de tudo, os dois meses de férias que vamos passar em Paris... juntinhos!

- O pior é o que vem a seguir...

- Pensamento positivo, Sílvia! Tens de meter nessa cabecinha que ainda falta uma eternidade para que esse dia chegue. Pensa no presente e esquece, por agora, o futuro. Olha, vamos imaginar como serão as nossas férias da Páscoa em Válega...

- Tens toda a razão do mundo, mas agora esquece o que iremos fazer na Páscoa... pensa no presente! - disse Sílvia beijando Luís.

- Eu amo-te, sua tonta! Tontinha linda!

Após quase uma hora de namoro, Luís e Sílvia foram "apanhados" por Mário e Carla, que os procuravam por todo o parque.

- Com que então nesta "marmelada"! - disse Carla, na brincadeira.

- Não querem vir ao Convento de Cristo? - perguntou Mário.

- Já está na hora?! Vamos!

- Então despachem-se, estamos à vossa espera ali ao pé do quiosque...

- Esperem por nós! - disse Luís levantando-se e dando a mão a Sílvia para fazer o mesmo.

- Que cavalheiro! - disse Carla na brincadeira.

Chegados junto dos restantes colegas, Carla disse:

- Stôr, podemos continuar!

- Óptimo! Estão dispostos a caminhar? Ou melhor... a trepar?

- Porquê?!

- Visto que os motoristas dos autocarros ainda não vieram do almoço, e para não atrasar ainda mais a viagem, vamos indo a pé. Não se preocupem que eles apanham-nos pelo caminho...

Não havendo outra alternativa, começaram a subir a íngreme estrada que os conduzia, primeiro à Igreja de Nossa Senhora da Conceição e, depois, ao belíssimo Convento de Cristo. No amplo adro da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, contemplaram um extenso e maravilhoso panorama, com a cidade de Tomar a seus pés. Após um curto descanso, o retomar da cansativa subida até ao Convento de Cristo. Depois da visita a este monumento Património da Humanidade da UNESCO, a viagem prosseguiu até ao centro de Tomar, onde apanharam a estrada para o Entroncamento. Nesta fizeram dois desvios, primeiro para verem de perto o belíssimo Aqueduto dos Pegões e, em seguida, para uma paragem na Barragem do Castelo do Bode. Para acabar o dia, nada melhor que uma visita ao centro histórico de Santarém, com natural destaque para a Igreja da Graça e para as Portas do Sol, um lindíssimo miradouro sobre a lezíria ribatejana.

 

CONTINUA...

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