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30
Jul17

Capítulo 27

por Pedro Rodrigues

O tempo foi passando... A cada dia que passava, Sílvia ia ficando mais triste. Aquele era o quarto ano em que estava naquela escola. Durante todo aquele tempo tinha feito dezenas de amizades. Entre todos, o destaque ia inteirinho para a Carla e o Luís. A Carla fazia parte da sua turma desde o 7.º ano. Praticamente, desde o primeiro dia sempre foram grandes amigas. Nos bons e nos maus momentos sempre estivera do seu lado. Nas resoluções mais difíceis que teve de tomar sempre lhe deu os melhores conselhos. Sobre Luís nem é preciso dizer nada. Conheceram-se e logo na semana a seguir começaram a namorar. A amizade que ele lhe dedicou desde os primeiros minutos, a sua maneira de ser e o caracter de Luís fizeram acender o fogo da paixão no coração de Sílvia.

O ano lectivo foi-se aproximando do fim. Apenas André e Mário estavam em risco de reprovação, mas os professores estavam dispostos a dar-lhes um empurrão. Em Português, André já conseguia tirar algumas positivas, fruto do seu trabalho e da ajuda dos colegas.

Com pézinhos de lã, chegou a última semana de aulas. Como era de esperar, a equipa de voleibol liderada por Mário não chegou muito longe no torneio, ficando-se pela primeira fase. Ao invés, a equipa feminina chegou às meias-finais, baqueando apenas frente a uma poderosa turma do 11.º ano, com algumas jogadoras já com os 18 anos feitos.

 

19 de Junho de 1993.

O grande dia da festa de fim de ano chegou, finalmente. Às 20 horas os convidados já se encontravam todos no Salão Paroquial da Igreja do Santo Condestável, em Campo de Ourique. Após o jantar, fornecido por um conhecido restaurante daquele bairro lisboeta, seguiu-se o baile, onde os slow's dos anos 60 e 80 foram protagonistas. Já passava da meia-noite quando Luís e João subiram a um pequeno estrado para fazerem um pequeno discurso de homenagem a Sílvia. Luís foi o primeiro a falar.

- Boa noite a todos! Esta festa-convívio que hoje realizámos teve como principal finalidade prestarmos uma simbólica homenagem a uma pessoa de que todos nós gostamos e que, obviamente, se encontra aqui connosco. Se assim não fosse, não faria sentido estarmos a fazer-lhe esta festa...

- Por motivos alheios à sua vontade - prosseguiu João -, a pessoa de quem nós falamos vai-nos deixar. Por muito que nos custe ter de suportar a tua ausência, aqui te deixamos uma mensagem de incentivo para que não partas com pena de nos deixares. A mensagem, que traduz aquilo que a turma sente neste momento, vai ser lida por uma pessoa que te é muito especial.

- Ela é a pessoa a quem tu deves apelidar de melhor amiga do mundo. A tua grande amiga Carla...

Carla subiu ao palco e, antes de ler a mensagem, disse:

- Sílvia... importas-te de chegares até aqui?

Com lágrimas nos olhos, Sílvia subiu ao estrado e abraçou os seus amigos.

- Vocês não existem! Obrigada por tudo!

Clara abriu o papel e leu a mensagem que a turma dedicava à colega.

- Sílvia... apesar de ir custar a todos nós ver partir uma grande amiga, queremos que nos prometas uma coisa. Não partas com pena de nos deixares, pois temos a certeza de que a tua ida para Paris vai ser benéfica para os teus pais e, obviamente, para ti. E é com esta convicção que te desejamos as maiores felicidades, junto dos teus pais, junto do Luís - apesar da distância física a que vais estar dele -, se possível com muita saúde, sucessos e alegrias. Assinado: os teus amigos e colegas do 10.º 5.ª.

Em seguida, todos os seus colegas, um a um, subiram ao improvisado palco para cumprimentarem, na grande maioria dos casos, uma amiga que jamais esquecerão. Os últimos, como tinha ficado combinado, foram a Carla e o Luís.

- Em nome de todos nós, entrego-te este pequeno presente para que jamais esqueças esta noite. É pouco para aquilo que tu merecias, mas como tu adoras flores...

- Vocês são malucos! Oh Carla, são lindas! Obrigada! Muito obrigada a todos!

A seguir a Carla, foi a vez de Luís. Este aproximou-se de Sílvia e entregou-lhe uma pequena caixa forrada a veludo.

- Ofereço-te esta pequena lembrança como prova do meu amor por ti.

Sílvia abriu a caixinha e deixou escapar um ah! de admiração. À sua frente tinha um lindíssimo anel de ouro.

- Obrigada, Luís! Prometo que o usarei até ao fim dos meus dias...

Luís pegou no anel e enfiou-o no dedo da namorada. Em seguida beijou-a. Instantes depois foi a vez de Sílvia falar à "assistência".

- Em primeiro lugar, queria agradecer a todos pela maravilhosa surpresa que me prepararam para hoje. Este agradecimento não é só alusivo a esta noite, mas a estes quatro anos de convívio e amizade, com um destaque muito especial para a Carla. Antes de terminar, queria-vos pedir um pequeno favor. Como todos sabem, detesto despedidas e, como tal, gostaria que elas ficassem já feitas hoje. Tenho a certeza que seria pior para mim se todos vocês fossem ao aeroporto no dia da minha partida. Espero que  compreendam e que satisfaçam este meu pedido. Mais uma vez, obrigada e até um dia!

Sílvia desceu do "palco", despediu-se de todos pela última vez, com muitos abraços e lágrimas à mistura e, de seguida, saiu para a rua com o Luís e a Carla. Foram levar esta a casa e depois, como estava combinado, foram para casa de Luís onde Sílvia passaria a noite e o domingo.

 

CONTINUA...

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2 comentários

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De carolshine a 31.07.2017 às 00:26

olaaa muito interesantes os teus posts ..
continua assim quem sabe um dia compre um livro teu nas bancas .
tambem tens uma caixinha de musica espetacular .. muito nice mesmo ..
desde ja obrigado por a forca no meu blogue ..
fica bem e uma boa semana para ti xd
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De Pedro Rodrigues a 31.07.2017 às 01:45

Muito obrigado pela simpatia! Continuarei a postar este meu conto até ao final, sim. Beijinho e uma óptima semana para ti! 😊😊

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