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02
Ago17

Capítulo 32

por Pedro Rodrigues

Com o mês de Agosto a acabar, chegaram ao fim as férias grandes. Em França, as aulas começaram logo no primeiro dia de Setembro e, como tal, Sílvia dirigiu-se para a sua nova escola, a pouco mais de meio quilómetro de casa. Ao invés da sua antiga escola, aquela era constituída por modernos e espaçosos blocos de aulas e um enorme pátio exterior. O interior possuía tudo o que uma escola costuma ou deveria ter. Várias salas de informática, audiovisuais, biblioteca, espaços de convívio, entre outras coisas. E o ginásio? Um sonho! Com tudo o que um verdadeiro ginásio deveria ter. Amplo, espaçoso e funcional. Por tudo o que viu no primeiro dia de aulas, Sílvia tinha boas razões para estar contente.

Enquanto em França Sílvia já começaram com as aulas, em Portugal Luís ainda teria quase três semanas de férias. Em consequência disso, aproveitou o pouco que ainda tinha para descansar para ir até Válega visitar os amigos. É claro que foi muitíssimo bem recebido, como se já não o vissem à anos. Em casa de Sofia o motivo da conversa era os quase dois meses que Luís passara em França. Para além de Sofia, também lá estavam a Fernanda, o Daniel e a Teresa.

- Quem me dera ter um terço da tua sorte... dois meses em França, sem pagar um tostão...

- Não era bem assim, Teresa! Quando eu e a Sílvia saíamos sozinhos, era sempre eu que pagava a despesa.

- O verdadeiro cavalheiro é assim mesmo! Mas, mudando o rumo à conversa... o que é que fizeram por lá neste tempo todo? - perguntou Sofia.

- Os primeiros dias foram aproveitados para conhecer melhor Paris. Depois, como os pais da Sílvia só começaram a trabalhar no dia 1, aproveitámos e percorremos, de automóvel, a França de lés a lés.

- E gostaram?

- Adorámos! A França é um país maravilhoso! Muito verde... o pai da Sílvia até disse uma vez que era uma espécie de Minho em ponto grande! Todas as regiões são belíssimas, mas há duas que destaco: a Bretanha e o Loire.

- E Paris? - perguntou Teresa.

- Não há palavras para descrever Paris. É uma cidade onde dá gosto viver. Para lá de todas as maravilhas que conhecemos através de postais, revistas, da televisão, não vês as pessoas a cuspirem para o chão e, além disso, não vês um único papel fora do sítio...

- Quem me dera conhecer Paris.

- Quem sabe, Teresa, se um dia destes não te leve lá...

- Falas como se ainda fôssemos namorados!

- O facto de sermos apenas amigos não nos impede de irmos até Paris sozinhos!

- Estás a falar a sério?!

- Claro, Teresa! Achas que te diria isto só para te criar falsas expectativas?

A conversa prosseguiu bastante animada durante mais uma hora e tal, até que Luís se levantou e se despediu:

- Vocês são boas pessoas, mas estou a cair de sono. Até amanhã! - disse Luís, levantando-se e despedindo-se de todos.

- Eu também vou!

Teresa seguiu-lhe o exemplo e também saiu para a rua. Antes de ir para casa, e já fora da vista dos amigos, disse:

- Muito bem, senhor Luís! Para quem não queria ter uma namorada a quase 300 quilómetros de distância, agora ter uma a quase dois mil... não está nada mau!

Luís sorriu e disse:

- É justo atirares-me com isso agora à cara...

- Luís... tu amas a Sílvia de verdade?

- Para quê essa pergunta agora?!

- Amas ou não amas? - disse Teresa, olhando Luís bem nos olhos.

- Por muito que me custe dizer-te isto, eu amo a Sílvia como nunca amei ninguém neste mundo...

- O teu amor por ela é maior do que aquele que sentiste por mim?

- É... - disse Luís baixando a cabeça.

- Então, porque me convidaste para irmos a Paris?!

- Ora, porque... porque...

Ao ver a atrapalhação de Luís, Teresa beijou-o repentinamente. Este, a princípio, correspondeu ao beijo da ex-namorada, mas depois encheu-se de escrúpulos e afastou-a.

- Pára, Teresa... isto não pode estar a acontecer! O meu amor pela Sílvia não me permite traí-la...

- A Sílvia não precisa saber disto! Quem é que lhe vai contar uma coisa que se está a passar a quase...

- Mesmo assim, Teresa... não sejas tonta!

- Quem te garante que ela, estando tanto tempo sem te ver, não arranja por lá um namorado?

- Teresa, eu tenho absoluta confiança na Sílvia, e sei que isso não irá acontecer...

- E ela, sabendo da minha existência, confia em ti? Ou melhor... em nós?

- Assim como eu confio nela, ela também confia em mim. Não quero, de maneira nenhuma, perder a confiança da Sílvia!

- Luís... ao menos um beijo para recordarmos os velhos tempos...

Luís ia virar as costas a Teresa, mas esta agarrou-o. Os ex-namorados ficaram imóveis durante alguns segundos, olhando-se olhos nos olhos. Luís respirou fundo, pegou na mão de Teresa e conduziu-a a um pequeno bosque sobranceiro à estrada. Encostou Teresa a uma árvore e beijou-a como se não houvesse amanhã.

 

CONTINUA...

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