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03
Ago17

Capítulo 33

por Pedro Rodrigues

Naquela noite, Luís não conseguiu pregar olho. Àquela hora, ele próprio ainda não acreditava no que se havia passado na noite anterior. O reencontro com Teresa fez com que o amor entre ambos se reacendesse de novo. O simples beijo foi o suficiente para, num espaço de segundos, recomeçarem um namoro interrompido há mais de um ano. Mas... pára tudo! No que é que ele estava para ali a pensar?! Recomeçar o namoro?! Não, aquilo não podia ser verdade! Por mais voltas que Luís desse na cama, não encontrava motivos para o que se havia passado naquela noite. Claro, uma hipotética recaída! Mas como foi possível ele ter deixado aquilo acontecer? Não!... Luís estava decidido a pôr uma pedra sobre o assunto. Apesar de ainda sentir um fraquinho por Teresa, o seu namoro com Sílvia estava em primeiro lugar. Com esta certeza em mente, deu meia-volta e tentou dormir.

 

Na manhã seguinte, Luís levantou-se perto das dez. Ao contrário dos outros dias, naquela manhã não saiu de casa. Para os avós não desconfiarem de nada, disse-lhes que estava a descansar depois de umas esgotantes férias. Assim, até ao almoço, pôs-se a ouvir música e a jogar à bisca dos nove com o avô. De tarde, inventou uma dor de cabeça como pretexto para ficar em casa. Sofia, que conhecia Luís como ninguém, estranhou de não o ter visto durante todo o dia. Assim, a seguir ao jantar fez-lhe uma visita. Quem lhe veio abrir a porta foi a avó do amigo.

- Boa noite, Dona Amélia! Posso?

- Olá Sofia! Podes, entra...

- O Luís está?

- Ele hoje até nem saiu de casa! De manhã disse que estava um bocado cansado, e a seguir ao almoço começou a queixar-se com dores de cabeça.

- Muito estranho! O Luís nunca ligava a essa coisas... aqui há coisa! Posso ir falar com ele?

- Claro, filha... o Luís está lá em cima no quarto dele a ouvir música.

Sofia subiu ao primeiro andar e, ao chegar junto do quarto do amigo, bateu à porta...

- Entre!

Sofia abriu a porta e encontrou Luís de pé, encostado à janela a observar a rua. Este virou-se e, um pouco surpreso, disse:

- Olá Sofia! Estava mesmo a pensar ir a tua casa...

- A sério?!

- Preciso muito de falar contigo...

- Força! Queres conversar aqui ou lá fora no quintal?

- Aqui estamos mais à vontade... senta-te aí.

- Passa-se alguma coisa? Ou é impressão minha, ou ontem via-te mais contente?

- Não, não é impressão tua...

- O que é que se passa, afinal?! Não me vais dizer que é por causa da Sílvia! Tens de te habituar ao facto...

- Não é nada disso, Sofia. Também tem a ver com a Sílvia, mas é por causa de outra coisa...

- Não percebo...

- Sofia... eu amo a Sílvia, se calhar como nunca amei ninguém até hoje...

- Também não é difícil! Antes dela só vias a minha prima à tua frente!

- É justamente aí que eu quero chegar...

- Ai! Não me estás a querer dizer que ainda gostas dela, pois não?!

Perante o silêncio do amigo, Sofia disse:

- Eu não acredito! Tu não tens emenda!

- Por mais que eu tente negar, o nosso reencontro de ontem fez-me mal...

- Luís... lembras-te daquele dia em que cá vieste de propósito para acabares de vez com a Teresa? Lembras-te do que disseste a mim e à Sílvia?

- Como se fosse hoje... ao escolher uma estaria a perder irremediavelmente a outra.

- Exactamente!

- Mas que culpa tenho eu se ainda gosto da tua prima?

- Não devemos começar por aí, Luís... não me quero meter na tua vida, mas acho que o maior erro que tu cometeste foi teres ido morar para Lisboa. É óbvio que isso agora não interessa... o que importa agora é saber de qual das duas é que mais gostas...

- Da Sílvia...

- Tens a certeza disso?

- Absoluta!

- Luís... como tua amiga vou dar-te um conselho. Amanhã, vais falar com a Teresa, dizes-lhe o que sentes pela Sílvia e que está tudo, mesmo tudo, acabado entre vocês os dois. Depois, para não te arrependeres, aconselho-te a ires para Lisboa.

- Isso só vai piorar as coisas, Sofia...

- Garanto-te que não, amigo! Ficares aqui nesta pasmaceira só vai complicar as coisas. Agora em Lisboa, já é diferente.

- Talvez tenhas razão...

A conversa entre os dois foi interrompida por alguém a bater à porta.

- Entre...

Surpresos, viram Teresa abrir a porta e entrar.

- Boa noite! Venho interromper alguma coisa de importante?

- Ainda bem que vieste, prima! O Luís precisa falar contigo, em particular... - disse Sofia levantando-se. - Fiquem à vontade... até amanhã!

Quando Sofia saiu, Teresa disse:

- A tua avó disse-me que estavas adoentado...

- Que exagero! Apenas me doía um pouco a cabeça...

- E foi por isso que não saíste hoje de casa?!

- É claro que não...

- Então, por que motivo...

- Teresa... tenho a cabeça cheia de dúvidas depois daquilo de ontem à noite...

- Isso é a coisa mais natural deste mundo, Luís!

- Para ti até pode ser, mas para mim não... já te disse isto uma vez, mas não me importo de repetir. O que eu ainda sinto por ti não pode ser mais forte que o meu amor pela Sílvia.

- Que disparate é esse que estás para aí a dizer?!

- Não é nenhum disparate, Teresa! Perdoa-me, mas eu já não te amo.

- Só podes estar no gozo! Então e aquilo ontem, o que foi?

- Uma loucura sem fim, Teresa... saudades, atracção física, tudo menos amor...

Teresa interrompeu Luís com uma estalada. De seguida começou a chorar.

- É justo que me faças isto. Eu sei que a verdade dói, mas eu não te quero mentir, Teresa. Estou a ser absolutamente sincero contigo...

- Tens a certeza que essa é a tua última palavra? Já não me amas?

- Certeza absoluta!

Teresa limpou as lágrimas, levantou-se e, antes de sair, disse:

- Obrigada pelo convite, mas já não estou interessada em ir contigo para Paris!

De seguida saiu, batendo a porta com estrondo.

 

CONTINUA...

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3 comentários

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De Sofia a 04.08.2017 às 15:01

Parece interessante, esta história, mas tenho que começar no início, para perceber o enredo!
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De Pedro Rodrigues a 04.08.2017 às 18:10

Boa leitura amiga Sofia! Um beijinho! 😊
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De Sofia a 04.08.2017 às 18:24

Tenho, que acabr primeiro o da Hipster! :)

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