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04
Ago17

Capítulo 34

por Pedro Rodrigues

Apesar do que acabara de acontecer, Luís não estava triste. Era evidente que ainda gostava de Teresa, mas Sílvia estava em primeiro lugar. Luís não queria, de maneira nenhuma, enganá-la. Largos minutos após a saída de Teresa, Sofia chamou-o. Luís foi até à janela e, com alguma surpresa, viu a amiga na rua.

- Queres entrar?

- Deixa estar... a minha prima ainda está aí?

- Só um minuto, Sofia...

Luís desceu as escadas a correu e foi abrir a porta à amiga.

- Entra...

- Obrigada! Pelo que vejo, a minha prima já se foi embora...

- Creio que agora é definitivo. Está tudo acabado entre nós...

- A sério?

- De uma vez por todas!

- Ainda não estás muito seguro disso...

- Com o tempo tudo se vai resolver!

- E amanhã, sempre vais para Lisboa?

- Acho que é melhor. Vai-me custar um pouco estar perto da Teresa e não poder falar com ela. Tu não sabes, mas ela saíu daqui zangada comigo.

- Não te preocupes com isso! Ela nunca deixará de ser tua amiga. Vai fazer-lhe bem estar uns tempinhos longe de ti.

- Deus te ouça...

- A que horas vais amanhã?

- Se puder, no comboio das nove. Se não, vou só à tarde, o que é o mais certo, pois os meus avós ainda não sabem de nada.

- Bom, está na minha hora... amanhã tenho de estar em Ovar às oito, e já é quase meia-noite.

- Assim que chegar telefono-te...

- Faz boa viagem e, já sabes... põe o teu coração na linha...

- Vou fazer por isso.

- Quando é que nos vemos agora?

- O mais breve possível, espero! E tu, quando é que vais a Lisboa?

- Com toda a certeza, até ao fim do ano.

- Qual? Ano lectivo ou 1993?

- 1993... bem, agora é que é mesmo! Cumprimentos aos teus pais...

- Até à volta!

 

Na manhã seguinte, enquanto tomava o pequeno-almoço, Luís informou os avós da decisão que tomara na última noite.

- Avô... vocês precisam de mim aqui na terra?

- Só se for para ajudar nas vindimas, porquê?

- Precisava de ir já hoje para Lisboa...

- É assim tão urgente?

- Não, mas...

- Será por causa da Teresa?

- Como é que a avó sabe?!

- Da maneira como ela saiu daqui ontem...

- A Teresa anda a tentar-me, avó... não posso negar o que ainda sinto por ela, mas a Sílvia está em primeiro lugar.

- Compreendo-te, neto... Se é esse o teu desejo, não te posso impedir de o realizares.

- A que horas queres ir?

- O avô não se importava de me ir levar a Aveiro para apanhar o Alfa das 14h17?

- É claro que não...

- Muito obrigado, avô! Vou ligar para a CP para reservar o meu bilhete, arrumar o meu quarto e fazer a mala...

 

Enquanto isso, em França, Sílvia estava feliz da vida. A integração na sua nova turma foi excelente. A sua simpatia e o facto de falar e compreender muitíssimo bem o francês, fizeram com que arranjasse, de imediato, bastantes amigos. A escola, uma das mais modernas de toda a França, tinha excelentes condições, os professores não podiam ser melhores e o ambiente era simplesmente fantástico. Para além de tudo isto, todas as semanas falava com Luís ao telefone.

 

CONTINUA...

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