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06
Ago17

Capítulo 36

por Pedro Rodrigues

6.ª Feira, 31 de Dezembro de 1993.

Já passava das 22 horas quando começaram a chegar os convidados do Reveillon 93/94 do 11.º 5.ª, a realizar no Salão Paroquial do Santo Condestável, em Campo de Ourique. Entre eles, os "ausentes" João, André e Sílvia e, uma novidade, todos os seus professores. Música variada, comida e bebida com fartura e muita animação eram os condimentos necessários para que este evento tivesse sucesso. Quem também não tinham sido convidadas, eram as desavenças entre Maria e Inês. Pelo menos naquela noite, tudo o que as separou ao longo dos últimos meses de 1993 ficou lá fora. Até Filipe, o ex-namorado de Maria, não tinha sido convidado. Rui preparou uma mistela que se tornou numa verdadeira "atracção": o ponche. Uma bebida que resulta da mistura de rum ou de outro licor espirituoso com água, limão e açúcar. O sucesso era tanto que, antes da meia-noite, já Mário e Carlos estavam meio alegres. À meia-noite abriu-se o espumante, fazendo-se votos de que 1994 fosse um ano bom para todos. 

Como responsáveis pelo salão, tinham que o deixar tal como o encontraram. Assim, para não terem muito que limpar, nem uma migalha deixaram por comer. Quanto às bebidas que sobraram, entre sumos, cervejas e espumante, foram divididas entre todos. Antes de se irem embora, às seis e tal da manhã, foi só limparem o lixo feito entre todos, para deixarem o salão num brinquinho. Como Sílvia desejava, as despedidas foram feitas já ali, para ninguém ter de ir ao aeroporto.

Assim, no dia 2 de Janeiro, logo de manhã, Sílvia rumou a Paris. Entre abraços e beijos despediu-se de Luís. Antes de lhe virar as costas, este deixou no ar a hipótese de uma ida a Paris nas férias da Páscoa.

 

3.ª Feira, 25 de Janeiro de 1994.

E o tempo vai passando... Aproveitando um dia sem aulas devido a uma greve de professores, Luís, Rui, Maria e Ana decidiram passar aquela terça-feira longe do ambiente escolar. Logo de manhã, foram até à Baixa. Atravessaram todo aquele bairro lisboeta até à Praça do Comércio, onde descansaram um pouco à beira-rio. A seguir ao almoço, num bar do Chiado, decidiram apanhar o comboio até Cascais. Apesar do frio que esteve de manhã, aquela tarde estava bem agradável, pelo menos ali na Costa do Sol. Numa esplanada junto à baía que ostenta o nome da vila, os quatro amigos conversavam.

- Maria... eu não me queria intrometer na tua vida, mas... porque é que tu não perdoas a Inês? Ela anda tão triste e, além disso, vocês sempre foram tão amigas...

- Não digas isso, Luís... tu não a conheces! Ela sempre me enganou! Desde o primeiro minuto que eu namorei com o Filipe que ela não nos deixava em paz. Ela sempre teve inveja de mim...

- Mas vocês sempre foram tão amigas... - insiste Rui.

- Tens toda a razão, Rui. Fomos! Até ao final do último Verão fomos, realmente, duas grandes amigas. Para mim a Inês era como uma irmã! Mas desde meados do 10.º ano, até àquele dia em que a apanhei "com a boca na botija", que a vejo com outros olhos. Só não sei como pude ser tão cega! Ela sempre tentou imitar tudo o que eu fazia, mas a partir de uma certa altura comecei a ficar farta. Com todos os namorados que tive, ela arranjava sempre maneira de lhes chamar a atenção. Seja lá de que maneira fosse, arranjava sempre um jeito de ficar amiguinha deles. Até que, no último mês de Agosto, descobri-lhe a careca. Há muito que eu andava desconfiada... mas ao ver confirmados os meus receios só me apeteceu chorar, fugir daqui para fora, sei lá eu mais o quê...

Ao ver que Maria estava quase a chorar, Luís disse:

- Calma amiga, nós estamos aqui para te ajudar a superar tudo o que passaste. Não permitiremos, de maneira nenhuma, que mais alguém, seja quem for, te faça sofrer assim...

- Muito obrigada por poder contar com vocês! - disse Maria abraçando-se aos três amigos.

Após o lanche regressaram a Lisboa, onde deram mais uma volta pela Baixa Pombalina.

 

Na 6.ª Feira seguinte foram ao teatro. Quem tomou a iniciativa foi a professora de Inglês, que os levou ao Teatro Nacional D. Maria II ver "Macbeth" de Shakespeare.

O ponto de encontro foi a Praça José Fontana, em frente ao Liceu Camões, pois a grande maioria dos alunos do 11.º 5.ª morava por ali. Apanharam o Metro até ao Rossio, onde petiscaram qualquer coisa antes de começar o teatro. Da peça, levada à cena pela companhia do Teatro Nacional, a grande maioria gostou. Como "prenda" ficou no ar uma promessa de nova ida ao teatro, lá mais para o terceiro período. Depois de "Macbeth", o resto da noite foi passada no Bairro Alto, entre o Rookie, o La Folie e o Tacão.

 

CONTINUA...

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