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21
Jul17

Capítulo 4

por Pedro Rodrigues

Segunda-feira, 21 de Setembro de 1992.

Como de manhã não havia aulas, Luís ficou mais um pouco na cama. Eram nove e meia quando se levantou. Tomou banho, fez a barba e depois de se vestir e de comer qualquer coisa saiu para a rua com o objectivo de comprar os livros que lhe faltavam. Depois dos livros comprados, ainda teve tempo para ir à Avenida Casal Ribeiro saber os horários dos autocarros para Ovar, pois Luís tinha em mente ir à terra num dos próximos fins-de-semana. Após um breve almoço, em casa, Luís dirigiu-se para a sua nova escola. Ao entrar no enorme edifício do Liceu Camões faltavam cinco minutos para a primeira aula do novo ano: Português.

 

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António Pavão era o professor de Português de Luís. Como lhe fora solicitado pelos restantes professores, por ser ele o primeiro a entrar em contacto com aquela turma, apresentou-o aos restantes colegas, para uma melhor e mais fácil integração de Luís naquele grupo. Mandou alinhar os seus alunos por ordem alfabética e com Luís ao lado, disse:

- Antes de iniciarmos a aula, quero que conheçam este vosso colega, vindo de Ovar e, portanto, novo na escola. Chama-se Luís, tem 17 anos e espero que o recebam bem.

De seguida, apresentou-o aos seus novos colegas: Ana, André, Carla, Carlos, Filipa, Inês, João, Luísa, Manuel, Maria, Mário, Rui, Sandra, Sílvia, Susana e Tânia. Depois das apresentações estarem feitas, António Pavão sentou a turma ordenada alfabeticamente. João seria, nas aulas de português, o companheiro de mesa de Luís. Durante a curta aula de apresentação, este meteu conversa com João ficando, um e outro, a conhecerem-se melhor.

No fim da aula, João veio com Luís para junto do seu grupo de amigos: Rui, Mário, CarlosManuel.

- Apresento-lhes o Luís! Pelo que já vi dele é um tipo porreiro.

- De onde é que tu vieste, pá?! - perguntou Carlos.

- De Ovar.

- Boa terra! - disse Mário.

- Conheces?

- Mais ou menos... quando vou para Espinho com os meus pais passo lá sempre.

- És de Espinho?

- Não! A minha família é que é de lá. Costumo lá ir uns dias nas férias. Gosto muito de lá!

Naquele instante, SílviaCarla aproximaram-se daquele grupinho, "estacionado" a um canto do átrio.

- Querem saber uma coisa? O Diogo não teve História.

- Boa! Começamos bem o ano! Um "furo" de duas horas no primeiro dia é excelente! É verdade! Venham aqui conhecer o Luís! Luís, apresento-te a Sílvia e a Carla.

- Prazer! - disse Luís, cumprimentando-as com um beijo.

- O prazer é todo nosso! Espero que estejas contente com a turma.

- Contente?! Estou felicíssimo! Não esperava ser tão bem recebido!

- Além dos teus pais, não tens mais ninguém cá em Lisboa?

- Tenho os meus avós e uns tios e primas em Carnaxide.

- Carnaxide?! Eu vivo lá perto! Já ouviste falar em Queijas? - perguntou Sílvia.

- Acho que não...

O toque da campainha interrompeu a conversa do grupo, que começou a dirigir-se para a sala onde, em princípio, deveriam ter História. Enquanto esperavam pelos cinco minutos a que eram "obrigados", João apresentou Luís ao resto da turma, que o recebeu de braços abertos, como se já o conhecessem há bastante tempo.

 

CONTINUA...

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