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10
Ago17

Capítulo 41

por Pedro Rodrigues

Numa tarde de domingo daquele quente final de Junho, Luís e Maria conversavam numa esplanada, a uma acolhedora sombrinha junto à Estefânia.

- Tenho tanta pena de não continuares no Camões...

- Luís, vou ser muito sincera contigo. Só tenho pena de deixar o Camões por saber que vou perder dois grandes amigos: tu e a Sandra.

- Não digas isso, Maria! Mudar de escola não significa, obrigatoriamente, mudar de amigos! Afinal de contas, moramos tão perto um do outro...

Maria sorriu e disse:

- Podemos manter a nossa amizade, mas vai habituando-te ao facto de irmos reduzir os nossos contactos para menos de um terço...

- Se depender de mim, eu, tu e a Sandra continuaremos a ser grandes amigos...

- És o máximo, Luís! Adoro-te tanto!

- E a Ana?

- Vai comigo para o Passos...

- E o resto do pessoal que se vai embora?

- O Mário deve ir trabalhar, a Luísa vai para a Católica, o Manuel, como sabes, chumbou e a Susana vai trabalhar...

- Que pena... éramos uma turma tão unida! Quer dizer... pelo menos à primeira vista!

- As aparências iludem, Luís... tu não vês a Carla?! Parece uma santinha, uma sonsa, mas aquela cabecinha estava sempre a planear pôr a turma toda contra mim. E o Mário? Outro que tal! Não viste na noite do baile?! Se não fosses tu, já ninguém se lembrava que eu tinha feito anos...

- Oh, isso não passou de um...

- Achas que foi um simples esquecimento? Não sejas ingénuo, Luís... e toma cuidado com o teu amigo Rui! Não acredites em nada do que ele, a partir de agora, te contar acerca de mim...

- Já reparei que ele e a Inês, nos últimos dias, andavam muito juntinhos, sempre a segredar "coisas" um ao outro...

- É por essas e por outras que vou mudar de escola! Se quiseres um conselho de amiga, vai por mim... as únicas pessoas em quem podes confiar na tua futura turma são na Sandra, na Célia e no Leandro... em mais ninguém!

- Nem no Carlos?!

- Esse nem é carne nem é peixe, apesar de nos últimos tempos ter notado um certo afastamento dele em relação à Inês...

- Maria, no meio disto tudo, há uma coisa que eu nunca cheguei a perceber. Tu, uma rapariga maravilhosa, que se dá bem com toda a gente, como é que consegue ter tantas pessoas dispostas a tudo para te prejudicar?

- Não te sei explicar, Luís... talvez inveja por me dar bem com tanta gente!

- Vamos mas é mudar de assunto, que isto de falar do passado não dá de comer a ninguém. Só aos advogados e aos juízes, mas como nós não somos nem uma coisa nem outra, vai dar tudo ao mesmo... Como é que vão ser as tuas férias?

- Em Julho vou para a Madeira. Em Agosto, vou com a Sandra até Marinhais...

- É pena! Estava a pensar convidar-te para uma semana ou duas em Ovar...

- Obrigada na mesma amigo, mas este ano já tenho as férias preenchidas. Se me tivesses dito isso há duas semanas atrás, talvez lá pudesse ir. Assim, é completamente impossível

- Paciência...

- E a Sílvia, vem cá este ano?

- Em Agosto... uma semana na Madeira e o resto do mês em Esposende, com uns dias pelo meio na minha casa de Ovar. Seria excelente se tu e ela se pudessem juntar uns dias...

- Nem penses nisso, Luís! Eu e a Sílvia... juntas?!

- Vocês sempre se deram tão bem...

- Deves estar a falar em relação ao ano passado... a Sílvia nunca te contou nada acerca de mim?

- Nada o quê?!

- Eu não devia te dizer isto, mas já que a conversa tocou ao de leve neste assunto...

- Não tenhas receio de me contar...

- Tu não sabes, mas eu, a Ana e a Sandra entrámos para a nossa ex-turma um ano antes de ti. Quando ali chegámos, a Sílvia e a Carla eram, se assim se pode chamar, as "rainhas da turma". As meninas bonitas! Ora, quando nós entrámos fizemos logo inúmeras amizades. A Inês tornou-se, quase desde o primeiro minuto, na minha melhor amiga. Mas, para além da Inês, cativámos a amizade da Tânia, da Susana, do João e do Mário... só para falar nas pessoas mais populares da nossa turma e escola. Nós, como caloiras dentro da turma, estávamos a invadir o "território" pertencente à Carla e, em especial, à Sílvia. Desde o primeiro minuto que ambas tentaram virar a turma contra mim que, segundo a Sílvia, era o principal alvo a "abater". No Carnaval, instigando a maioria dos seus amiguinhos, conseguiu organizar um grupo para me fazer uma espera à porta da escola, com a finalidade de me atirarem com uns quantos ovos podres.

- E conseguiram?

- Não... felizmente, a Inês telefonou-me na véspera do último dia antes das mini-férias do Carnaval a avisar-me das intenções de Sílvia e da maioria da turma. À pala disso não saí de casa durante aquelas férias. Nem imaginas o quanto sofri nesses dias, Luís. Quem me quisesse ver era a chorar pelos cantos. Como dizem os brasileiros, sentia-me um lixo. Felizmente não estava só naquela turma... tinha a Ana, a Sandra, que sempre me apoiaram imenso, e a Inês, que na altura era a minha melhor amiga. Apesar de tudo, hoje tenho de reconhecer isso... se não fossem a Sandra, a Ana e a Inês... foram elas que me ajudaram, aos poucos, a tornar-me popular dentro daquela turma. Sem contar com a Célia e com o Leandro do 11.º 6.ª, que também foram excepcionais...

- Sinceramente, nunca pensei que a Sílvia fosse capaz de fazer isso tudo... estou chocado!

- Só te peço uma coisa, amigo... esquece isto tudo, não se zanguem por causa de uma coisa que aconteceu no passado...

- Podes estar descansada, Maria...

- Sem querer interferir no teu futuro, amigo... e falando ainda da Sílvia, posso dar-te uma opinião muito pessoal?

- Claro!

- Pelo muito que conheço da Sílvia, e pelo muito pouco que conheço da Teresa, ficaria muitíssimo mais feliz se tu e a Teresa se acertassem de uma vez por todas. Tu não sabes, mas eu e ela conversámos bastante durante o baile de finalistas... especialmente durante aquele jogo miserável... e se ela não mentiu, e eu tenho a certeza que não, ela ainda gosta muito de ti.

- E tu julgas que eu não sei disso? Nos últimos dias das férias grandes do ano passado quase que tinha uma recaída...

- Isso quer dizer que ainda gostas dela...

Perante o silêncio do amigo, Maria prosseguiu:

- Para quê andares a enganar-te?

- Eu adoro a Sílvia... nunca terei coragem para a decepcionar...

- A diferença está aí, Luís... tu adoras a Sílvia, mas amas a Teresa. Estou enganada?

- Não... - disse Luís engolindo em seco.

- Então, meu amigo, não te iludas! Esquece a Sílvia e tenta reconquistar a Teresa. Essa sim, merece o teu amor.

- E a Sílvia, não merece?

- Luís, a Sílvia pode gostar muito de ti, mas a distância, mais dia, menos dia, vai acabar por pôr uma pedra e acabar com tudo. É preferível teres uma namorada a menos de 300 quilómetros de casa que, na pior das hipóteses, apenas poderás ver uma vez por mês ou, por outro lado, teres uma namorada a quase dois mil quilómetros, em Paris, que na melhor das hipóteses só poderás ver uma semana por trimestre? Qual destes namoros terá mais hipóteses de vingar? Luís... se quiseres ser feliz com a pessoa que realmente te ama, e que já te deu provas disso, pensa bem nisto tudo que acabo de te dizer...

Luís olhou para o relógio e chamou o empregado do café.

- Vou para casa pensar nisso tudo que acabas de me dizer, prometo!

- Meu Deus, como o tempo passa depressa! Já são horas de ir fazendo o jantar.

Depois de pagar a despesa, Luís foi com Maria até à porta de casa desta. Depois das despedidas vai para casa e fecha-se no quarto, com tudo o que Maria lhe disse naquela tarde a martelar-lhe na cabeça.

 

CONTINUA...

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1 comentário

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De Anónimo a 10.08.2017 às 22:45

Tem aragem, parece-me fresco.
Pensar em publicar... não faria mal.

L.L.

(não sou do sapo)

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