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11
Ago17

Capítulo 42

por Pedro Rodrigues

Até às matrículas Luís não foi à terra. Ao invés, foi a terra que veio até ele. Sem que Luís pudesse imaginar, no dia 30 de Junho, a Sofia, a Teresa, o Daniel e a Fernanda chegaram a Lisboa na carrinha desta última. Como os avós de Luís estavam para o Norte, não foi difícil instalar toda aquela gente em sua casa. Teresa e Fernanda dormiam na cama dos avós. Sofia e Daniel, como eram mais "rodas baixas", dormiam, respectivamente, num divan instalado no quarto de Teresa e no sofá da sala de estar. Como estavam todos cansados da viagem, naquela 5.ª feira à noite não saíram de casa.

No dia seguinte Luís levou os amigos a passear por toda o centro histórico lisboeta, visitando a Graça, Alfama, o Castelo de São Jorge, a Sé, a Igreja de Santo António, a Rua Augusta, a Praça do Comércio, a Praça da Figueira e o Rossio. Depois de tão estafante passeio, sempre a pé, descansaram um pouco nos bancos da Avenida da Liberdade, antes de regressarem a casa. Enquanto isso, combinaram como seria o dia de sábado. À noite, em casa, Luís telefonou para as amigas Maria e Sandra, convidando-as para um passeio surpresa que, com toda a certeza, iriam gostar. Luís só lhes disse para levarem fato-de-banho ou bikini, como desejassem, porque do resto - farnel - tratavam eles. Com Maria marcou às 8 da manhã, com Sandra um quarto de hora mais tarde.

 

Sábado, 2 de Julho de 1994.

Eram oito horas em ponto quando a carrinha de Fernanda parou à porta de Maria, na Rua Pascoal de Melo. Maria já estava pronta. Para além do bikini, levava ainda umas sandes para o almoço. Ficou surpreendida quando viu Luís rodeado por Teresa, e por mais três pessoas que não conhecia de lado nenhum. Feitas as apresentações, a viagem prosseguiu até Campo de Ourique. Guiada por Luís, Fernanda seguiu até à Rua Almeida e Sousa, onde morava Sandra. Tal como Maria, levava um bikini, umas sandes e água. Depois de ter sido apresentada aos amigos de Luís, a viagem prosseguiu. Sandra foi a primeira a falar.

- Ora muito bem! Por esta é que eu não contava! Para onde é que vamos?

- Passear por aí... para começar, vamos até uma praia que, por via da regra, é bastante sossegada. Passamos lá a manhã, almoçamos e, de tarde, logo se vê para onde iremos...

- E qual é a praia?

- O Magoito...

- Hmmm... fixe! - disse Maria.

Durante a viagem, Sandra e Maria ficaram a conhecer um pouco melhor os amigos de Luís. À chegada à praia, o sol e o calor que estava em Lisboa tinham sido substituídos por um nevoeiro fresquinho, mas à medida que a manhã avançava aquele ia desaparecendo, dando lugar a um autêntico dia de Verão. Como já traziam o bikini vestido de casa, foi só despir a pouca roupa que traziam, descer a imensa escadaria até ao areal e darem um mergulho. A princípio, a temperatura da água era desencorajante, mas aos poucos iam-se habituando. O difícil, depois, foi saírem da água. A custo lá saíram. Limparam-se, tiraram os bikinis e vestiram-se. Durante o almoço, à base de sandes e sumos, as férias que agora começavam foram o principal tema da conversa. Sofia deu o mote...

- Era tão bom que vocês as duas pudessem ir a Válega...

- Não vai dar, Sofia! Este mês, depois das matrículas, vou com a Sandra para a Madeira. Em Agosto, vou passar umas semanas a Marinhais, a casa da Sandra. E, para além disso, vai lá estar a Sílvia e eu, sinceramente, não gosto dela.

- Porquê?!

- Logo à noite pergunta aqui ao Luís que ele conta-te tudo...

- Maria... a Sílvia não vai ser problema. Se ela estiver lá uma semana, já vai ser muito tempo.

- Dizes isso com tanta certeza...

- Lembras-te da nossa conversa de domingo à tarde?

- Perfeitamente, mas...

- Confia em mim, Maria! Pensei em tudo o que me disseste, pesei os prós e os contras e vou lutar por aquilo que o meu coração sente. Mas, por agora, nada mais direi...

- Sandra, é só dizeres-me onde fica Marinhais, dás-me a tua morada, que eu e o Luís vamos lá buscar-vos...

- Não vale a pena, Fernanda...

- Fazemos questão que vocês conheçam a nossa terra...

- Bem, já que insistem...

Sandra escreveu a sua morada e o telefone de Marinhais numa folha e entregou-a a Fernanda. Esta fez o mesmo, dando a sua morada e telefone a Sandra e a Maria.

- Depois temos de combinar isto bem, ok?

- Não te preocupes, Sandra! Assim que a Sílvia se for embora combinamos tudo.

- Óptimo! - disse Luís radiante.

- Agora só falta uma coisa! Sabermos onde fica Marinhais!

- Nada mais fácil! - Sandra pegou numa caneta e, ao mesmo tempo que escrevia, disse: - Primeira etapa: auto-estrada até Santarém. Chegados a Santarém, atravessam o Tejo para Almeirim; a partir daqui, tomam a direcção de Salvaterra de Magos. Depois de passarem uma povoação chamada Muge, há uma estrada à esquerda que vai dar ao centro de Marinhais. Chegados aqui, perguntam pela Sandra Moura... e não se preocupem que lá em Marinhais não há ninguém que não conheça a minha família...

- Que tal arrumarmos isto tudo e continuarmos com o nosso passeio?

- Para onde é que estão a pensar ir agora?

- Sintra e Cascais.

- Fixe!

 

CONTINUA...

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