Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



12
Ago17

Capítulo 43

por Pedro Rodrigues

Depois de tudo arrumado, o passeio prosseguiu. Chegados a Sintra, a primeira paragem seria no Castelo dos Mouros. Este, rodeado por um extenso e frondoso jardim, situava-se junto ao Palácio e ao Parque da Pena. Àquela hora já não havia vestígios do nevoeiro que estivera de manhã, pelo que se podia ver aquela belíssima paisagem em toda a sua plenitude. Tudo à volta era verde. Sintra, vista dali, parecia uma vila miniatura saída d'As Viagens de Gulliver. O casario espalhava-se pelo sopé da serra.

Depois da visita ao castelo, prosseguiram pela estrada que se dirige ao Convento dos Capuchos e a Colares. O próximo objectivo seria a Peninha. Como Luís conhecia vagamente aquela zona, em virtude de uma visita que ali fizera com a escola de Ovar, não foi muito difícil encontrarem a Peninha. Uma vez ali chegados, estacionaram a carrinha debaixo de uma sombra acolhedora, e iniciaram a íngreme subida até à Peninha. A paisagem que se avista do ponto mais alto daquela elevação é surpreendente. Desde a Praia das Maçãs até ao Cabo Espichel, passando pela Arrábida, estuário do Tejo e Costa do Estoril era, simplesmente, deslumbrante. O azul do céu, o azul do mar e as mil e uma tonalidades do verde da serra proporcionavam momentos inesquecíveis para quem tivesse forças para subir àquele recanto da Serra de Sintra.

Depois da Peninha, iniciaram o regresso ao local onde se encontrava a carrinha de Fernanda. A próxima paragem seria no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa Continental. Daqui até à Malveira da Serra é difícil desviar o olhar da paisagem. A serra, vista dali, era um regalo para a vista, com as suas mil e uma tonalidades de verde. Depois de uma curta paragem no Guincho, a próxima escala seria na Boca do Inferno. Após o lanche e um pequeno passeio até à vila de Cascais, iniciaram o regresso a Lisboa, sempre à beira-mar, ficando no ar a hipótese de mais um passeio no decorrer da semana seguinte.

 

No dia seguinte, um domingo, Luís convidou Teresa para um passeio a dois. A seguir ao almoço foi com a ex-namorada até ao Jardim do Campo Grande. No caminho entre o Saldanha e o jardim, conversaram sobre o que poderiam fazer naquelas férias, na altura em que Maria e Sandra estivessem em Válega. No entanto, ao chegarem ao jardim, Luís mudou o rumo da conversa. Depois de se sentarem junto ao lago, Luís disse:

- Teresa, não te trouxe até aqui só para te falar nas férias. Há dias que ando para te dizer uma coisa... se passar de hoje estou desconfiado que rebento!

- Desembucha, rapaz!

- Nestes últimos dias a Maria fez-me ver uma coisa muito importante, e que eu teimava em esconder de tudo e de todos, até de mim próprio...

- E pode-se saber o que é?

- Depois do que aconteceu no final do último Verão, não sei se ainda mereço o teu amor de volta...

- O quê?!

- É isso mesmo, Teresa. Eu ainda te amo...

- Mas... e a Sílvia?

- Eu amei a Sílvia, talvez ainda a ame... mas não posso negar o que nunca deixei de sentir por ti. Acho que cometi o maior erro da minha vida quando aceitei este namoro à distância...

- Não, Luís. Para mim, o teu maior erro foi teres vindo morar aqui para Lisboa!

- Talvez tenhas razão, mas acho que nunca me arrependerei desse passo. Tenho que confessar que nos últimos dois anos fui muito feliz, conheci muitas pessoas, fiz amigos e amigas espectaculares, mas uma coisa tenho de confessar. Não consegui tirar-te da minha cabeça, mesmo quando estive em Paris, mesmo quando percorri a França de ponta a ponta...

- Ouvir-te dizeres isso faz de mim a pessoa mais feliz do mundo, mas... o que é que pensas fazer em relação à Sílvia?

- Por muito que lhe vá custar, vou acabar com o nosso namoro... de uma vez por todas.

- Tens a certeza que já não gostas dela? Tens a certeza que não vai haver uma recaída?

- Acredito sinceramente que isso não irá acontecer. Desta vez nada interferirá na nossa felicidade. Prometo-te!

- Posso confiar em ti?

- Alguma vez, enquanto namorámos, te dei alguma razão para deixares de confiar em mim?

- Não, mas...

- Por favor, volta para mim...

Quase a chorar, Teresa abraçou-se a Luís e beijou-o.

- Luís, nunca mais me abandones. Nem imaginas o quanto eu sofri neste tempo todo...

Teresa e Luís abraçaram-se e uniram os seus lábios num longo beijo de amor. Ao regressarem a casa, contaram a boa-nova aos amigos e pais de Luís. Todos ficaram surpreendidos mas, ao mesmo tempo, felizes.

 

CONTINUA...

Autoria e outros dados (tags, etc)


7 comentários

Sem imagem de perfil

De Bailarina Da Lua a 13.08.2017 às 11:31

Estou a gostar imenso...
Não sei se a Sílvia vai gostar do que aí vem..

Imagem de perfil

De Pedro Rodrigues a 13.08.2017 às 11:34

Bom dia! Posso dizer que vai aceitar "na descontra" e que o Luís irá pagar, ainda que indirectamente, um preço demasiado alto por tudo isto!
Sem imagem de perfil

De Bailarina Da Lua a 13.08.2017 às 11:35

Quando publicas o próximo? Agora ainda fiquei mais curiosa...
Imagem de perfil

De Pedro Rodrigues a 13.08.2017 às 11:38

Lá mais para a tarde... :)
Sem imagem de perfil

De Bailarina Da Lua a 13.08.2017 às 11:42

Imagem de perfil

De Pedro Rodrigues a 13.08.2017 às 11:45

Beijinho e um bom domingo para ti!
Sem imagem de perfil

De Bailarina Da Lua a 13.08.2017 às 11:46

Igualmente Pedro. Beijinhos

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2017
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ