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13
Ago17

Capítulo 44

por Pedro Rodrigues

No dia seguinte, Luís, Teresa e restantes amigos encontraram-se com a Sandra e a Maria à porta do Liceu Camões, com a finalidade de darem mais um passeio pela cidade. Apanharam um autocarro que os conduziu até ao Jardim da Estrela sendo que, a partir daqui, seria sempre a palmilhar as colinas de Lisboa. Não foi preciso muito tempo para que Sandra e Maria se apercebessem que Luís e Teresa tinham voltado a namorar. Sandra e, em especial, Maria ficaram felizes com a novidade, pois nenhuma delas gostavam de Teresa. Luís compreendia perfeitamente as amigas, mas as fortes probabilidades que tinha de perder a amizade daquela punham-no deveras apreensivo. Depois de tudo o que ele e Sílvia tinham vivido, os remorsos e o receio que sentia começavam a minar-lhe a alma... mas ele também sabia que o seu namoro com Teresa estava, agora, em primeiro lugar. Ao vê-lo triste, Sandra foi ter com ele:

- Oh amigo, esquece a Sílvia! Se ela não te perdoar, garanto-te que não vais perder grande coisa...

- Por favor, vamos mudar de assunto... querem vir visitar a Basílica da Estrela?

Aproveitando a excelente ideia de Luís, atravessam a Praça da Estrela e entraram na imponente basílica que dava o nome ao bairro envolvente. A partir daqui desceram a Calçada da Estrela até São Bento, subiram as Escadinhas da Arrochela, passando à porta da futura escola de Maria, treparam a Calçada do Combro, visitando o Miradouro de Santa Catarina, onde descansaram um pouco para, de seguida, atravessarem o Bairro Alto até ao Príncipe Real e Largo do Rato. No Rato despediram-se da Sandra e Luís, na companhia de Daniel, Sofia e restantes amigas apanharam o autocarro até à zona da Estefânia.

À medida que Julho se ia aproximando do fim, Luís ia ficando cada vez mais apreensivo. A razão de tudo isto era a reacção de Sílvia quando soubesse da intenção de Luís terminar aquele namoro e, acima disso tudo, quando ela soubesse que ele e Teresa estavam juntos de novo. O pior é que, nos telefonemas que ele e Sílvia faziam regularmente, ele não deixava transparecer nada sobre o que realmente se estava a passar. Entretanto, a 16 de Julho, Pedro Abrunhosa e os Bandemónio deram um concerto no Pavilhão da União Desportiva Oliveirense, em Oliveira de Azeméis e, como não podia deixar de ser, Luís e Teresa não puderam faltar àquele inesquecível evento.

 

Finalmente, Agosto chegou. Logo no dia 1, como haviam combinado, Sílvia e os pais foram para a Madeira, onde passaram uma fantástica semana. Para além do Funchal, visitaram a Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Ponta do Sol, Calheta, o Jardim do Mar e, já na costa norte da ilha, Porto Moniz, São Vicente, Santana, o Machico e Santa Cruz. No interior da ilha estiveram em Santo António da Serra, Camacha, no Curral das Freiras, no Paul da Serra e no Pico Ruivo. Uma semana inesquecível, passada numa das mais belas ilhas do mundo. «É nestas alturas que nos orgulhamos de sermos portugueses», disse Catarina na última noite passada no arquipélago. O regresso ao continente ocorreu na manhã de domingo, 7 de Agosto.

Após uma noite num hotel lisboeta foram até Esposende, onde passaram o resto das férias. Como Álvaro prometera à filha, ainda houve tempo para irem a Ovar. Na véspera, à noite, Sílvia telefonou a Luís, avisando-o que deveriam chegar depois do almoço. Escusado será dizer que aquele telefonema foi mais que suficiente para Luís não pregar olho durante grande parte daquela noite, pensando numa solução para aquele problema tão bicudo.

 

Sábado, 13 de Agosto de 1994.

Já passavam das duas horas da tarde quando Sílvia e os pais chegaram a casa de Luís. Enquanto Álvaro estacionava o carro, Sílvia e a mãe batiam à porta daquele.

- Ora então muito boas tardes! Entrem! Sejam bem-vindas a Válega e à minha casa. O senhor Álvaro?

- Foi arrumar o carro, vem já...

Quando Álvaro chegou junto deles, Luís conduziu-os ao interior da casa, onde se encontravam os avós deste. Depois das apresentações feitas, Luís perguntou:

- Vêm por quantos dias?

- Temos de regressar na segunda-feira...

- Venham cá acima para lhes mostrar os vossos quartos e para se porem à vontade.

Depois de tudo arrumado, Álvaro e Catarina sentaram-se a descansar à sombra do quintal de Luís, enquanto conversavam com os avós daquele. Luís e Sílvia, no primeiro andar, conversavam. Esta já havia notado que o namorado não estava bem.

- O que é que tens, Luís? Estás doente?

- Não...

- Vejo-te tão triste, tão murcho... aconteceu alguma coisa?

- Tens a certeza de que não me andas a esconder nada?

- Não te estou a perceber! O que é que eu te poderia andar a esconder?

- Qualquer coisa que, no passado, se tenha passado entre ti e a Maria.

- Não sei o que possa ter sido! Sempre me dei bem com ela, tu mesmo pudeste testemunhar isso no ano em que estivemos na mesma turma...

- Eu não me estou a referir ao 10.º ano, mas sim ao 9.º... ou seja, o último ano em que aqui morei.

- Sinceramente não me recordo de nada que possa ter feito à Maria!

- Sílvia, se quiseres eu avivo-te a memória. Alguém me contou que tu e a Carla tentaram "virar" a vossa turma toda contra a Maria... e outra coisa, lembras-te da tentativa de "encherem" a Maria com ovos podres no Carnaval desse mesmo ano?

- Quem é que te andou a fazer queixinhas?! Foi a Maria?! Foi a Sandra?! Ou terá sido antes a sonsa da Inês?!

- Isso agora não importa, Sílvia! Quando me contaram isso não quis acreditar, mas agora vejo que é verdade, e confesso que fiquei surpreendido e, ao mesmo tempo, desiludido com essa tua acção...

- O que é que te deu para vires para aqui agora defender a Maria?! Será que enlouqueceste?!

- Por uma simples razão... porque ela, ao longo deste ano, foi-se tornando aos poucos na minha melhor amiga.

- Esquece isso agora, Luís! Por favor! Cheguei aqui tão contente! Não estragues a minha felicidade, por favor!

Quando Sílvia ia beijar Luís, este impediu-a com um pequeno empurrão.

- Sinto muito Sílvia, mas o nosso namoro terminou...

- Só podes estar a brincar!

- Sílvia, vou ser muito sincero contigo...

- Luís, Luís...

- Ouve o que tenho para te dizer até ao fim, por favor...

- Desembucha!

- Eu amei-te muito, Sílvia... mas, inexplicavelmente, e contra a minha própria vontade, esse amor foi-se extinguindo. O meu maior erro foi ter aceite este namoro à distância.

- Não digas isso, por favor, eu amo-te! Nestes meses todos nunca deixei de te amar! Não imaginas como foi difícil estar este tempo todo longe de ti...

- E achas que para mim foi fácil? Semana a semana, não via a hora de poder falar contigo ao telefone! Se pudesse não largava o telefone...

- Mas afinal de contas, o que é que aconteceu?

- Tu até sabes a resposta, Sílvia...

- A Teresa...

- Perdoa-me as minhas fraquezas, Sílvia. Eu juro-te que fiz de tudo para esquecê-la, mas não consegui... neste tempo todo eu nunca deixei de a amar.

- Então quer dizer que tudo isto foi em vão... tu já não me amas...

- Sinto muito, mas é a mais pura verdade.

Ao ouvir aquilo, Sílvia sentou-se no sofá a chorar com quantas forças tinha. Luís abraçou-se a ela, tentando consolá-la.

- Perdoa-me, mas não consegui evitar que isto tudo acontecesse. Mas, apesar de tudo, quero que saibas que podes contar para sempre com a minha amizade.

Ao ouvir aquilo, Sílvia abraçou-se a Luís com quantas forças tinha. Acabava de perder o namorado, mas de maneira nenhuma queria perder o amigo.

- Amigos como dantes?

- Oh amigo... nem podia ser de outra maneira! A tua amizade é o bem mais precioso que eu tenho neste mundo...

- Por favor, limpa essas lágrimas e vamos lá para baixo para junto dos teus pais. Não quero que eles percebam que estiveste a chorar...

 

Ao jantar, o tema da conversa foi o itinerário para o há muito prometido passeio pelo distrito de Aveiro, que Álvaro tinha marcado para o dia seguinte.

- Luís, já fizeste o itinerário para o nosso passeio de amanhã?

- Não, mas já o tenho mais ou menos planeado. Como, infelizmente, só teremos um dia disponível, vou levar-vos a percorrer um dos mais belos itinerários do distrito de Aveiro.

- E para onde é que vamos?

- Amanhã saberemos!

 

CONTINUA...

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