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13
Ago17

Capítulo 45

por Pedro Rodrigues

No dia seguinte, às oito horas, já Álvaro, Catarina, Sílvia, Luís e os avós se tinham feito à estrada. Como não cabiam todos no carro de Álvaro, o avô de Luís levou a carrinha dele. Durante todo o percurso, Luís foi o "cicerone". A primeira paragem foi no Parque de La-Salette, em Oliveira de Azeméis, seguiu-se uma visita ao alto de Nossa Senhora da Saúde da Serra, onde passearam pelo verdejante e acolhedor parque, local de uma das mais concorridas romarias de toda a Beira Litoral. Daqui a viagem prosseguiu até à Serra da Freita, visitando a Frecha da Mizarela, a aldeia da Castanheira e as pedras parideiras, e a Senhora da Lage. Desceram até Arouca, onde pararam para almoçar. Como não podia deixar de ser, a vitela assada, especialidade daquelas paragens, fez parte da ementa daquele dia. Para sobremesa, algumas das especialidades da doçaria conventual da vila. A seguir ao almoço subiram ao Monte de Nossa Senhora da Mó, de onde avistaram uma panorâmica deslumbrante. Depois de Arouca, iniciaram o caminho de regresso, visitando Santa Maria da Feira e Ovar. Depois de um curto passeio pedestre pela encantadora cidade vareira, o próximo destino seria a Ria de Aveiro, com a Torreira como principal local de paragem. Depois de tão farto almoço ainda ninguém tinha fome, pelo que se limitaram a um passeio junto à praia. De regresso a casa, passaram pelas vilas de Pardilhó, Avanca e Válega.

Apesar de cansados, Álvaro e Catarina não podiam estar mais contentes com o passeio que acabavam de dar. Os dois não podiam gabar mais a escolha deste itinerário. Antes de se deitar, Catarina foi ao quarto de Sílvia. Durante o passeio notara que Luís e a filha não tinham tido, durante um único segundo, a atitude normalíssima que dois namorados costumam ter. Não se beijaram, não andaram de mãos dadas, enfim... pura e simplesmente não se namoraram. Perante estas desconfianças da mãe, Sílvia disse:

- Já não somos namorados, mãe. O Luís não conseguiu esquecer a Teresa... e esta distância toda entre nós acabou por fazer o resto. Sinceramente, acho que não fazia mais sentido continuar com este namoro. Continuamos amigos, mas quanto a namoro estamos livres para gostarmos de quem quisermos. O que é que a mãe diz de tudo isto?

- Por um lado sinto-me triste, pois achava o Luís um excelente rapaz... mas por outro, sinto-me feliz por terem acabado tudo a bem, sem ser preciso andares aí a chorar pelos cantos... e afinal de contas, perdeste um namorado mas ganhaste um bom amigo.

- É isso mesmo, mãe... agora se não se importa, vou dormir.

- Até amanhã, filha... dorme bem!

- Até amanhã, mãe!

Catarina regressou ao quarto e contou a Álvaro a conversa que acabara de ter com a filha.

- Acho que foi a decisão mais correcta que tomaram. Concordo que é um bocado chato, mas o que eles agora fizeram vai evitar a que, no futuro, se perca uma amizade tãoo bonita como a deles.

No dia seguinte, Álvaro, Catarina e a filha regressaram a Esposende. No ar ficou a ténue possibilidade de Luís ir a Paris por alturas do Ano Novo e, se isso acontecesse, de levar Teresa consigo. Nessa tarde, Luís telefonou a Sandra para marcarem o dia em que ele e Fernanda poderiam ir a Marinhais. Como Sandra se mostrou disponível, Luís combinou que estariam em casa dela no dia seguinte, a seguir ao almoço.

 

3.ª Feira, 16 de Agosto de 1994.

Mais ou menos à hora combinada, Fernanda e Luís chegaram a Marinhais. Se não foi difícil chegarem a esta simpática localidade ribatejana, mais fácil foi encontrarem a casa de Sandra. À chegada foram extraordinariamente bem recebidos pela dona da casa e por Maria. Aquela fez questão de apresentar Luís e Fernanda aos pais.

- Vocês devem vir cansados! Já almoçaram?

- Comemos um bitoque em Santarém...

- E só trouxeram isto?

- Claro! Estamos a pensar em ir já hoje para cima...

- Mas é que nem pensem nisso! Com este calor?! Dormem cá esta noite e amanhã, fresquinhos, vamos todos para cima! O que acham?

- A dona de casa é que manda...

- Venham comigo ver os vossos quartos. Aproveitam e dormem um pouco!

- Não é que não me apetecesse... - disse Fernanda.

- Então do que é que estamos à espera?! - Descansam um bocado, depois tomam um banho e à noite, depois do jantar, damos aí uma volta para vos mostrar a vila.

Sandra conduziu-os ao primeiro andar, distribuindo Luís e Fernanda pelos dois quartos de uso restrito a visitas.

- Agora já sabem... enquanto cá estiverem pensem que estão em vossa casa. Quando quiserem tomar banho escusam de avisar, pois os vossos quartos têm casa de banho privativa.

- Óptimo Sandra, muito obrigada!

- Não tens que me agradecer, Nanda. Bom descanso!

- Até já!

 

Enquanto Fernanda e Luís dormiam a sesta, Sandra e Maria arrumaram as suas mochilas com tudo aquilo que achavam mais indispensável para uns dias no Norte, sem esquecerem uma roupa mais quentinha para usarem à noite. Às cinco horas já Fernanda e Luís tinham tomado banho. Depois do lanche, Sandra e Maria decidem dar um passeio pelo terreno daquela. Mais de metade daquela quinta estava ocupada por vinha. Segundo Sandra, o seu avô produzia um dos melhores vinhos de Marinhais. A outra metade possuía de tudo um pouco. Desde árvores de fruto a hortaliça, batata, tomate, entre outros produtos hortícolas.

- Está-se tão bem aqui! - disse Maria.

- Tens uma casa maravilhosa, Sandra! Se eu tivesse uma casa destas, acho que vinha para aqui morar de vez.

- Nem penses! Por mais que eu goste aqui de Marinhais, não trocava Lisboa por nada deste mundo...

- É verdade! A Sílvia já lá foi à terra? - perguntou Maria.

- Esteve lá este fim-de-semana...

- E como é que ficaram as coisas?

- Sinceramente, não esperava que ficassem tão bem. A Sílvia aceitou a minha decisão na desportiva! Perdeu-me como namorado, mas ganhou-me como amigo.

- Então, tudo está bem quando termina em bem...

- Isso mesmo, Sandra! Acho que não fazia sentido continuar com este namoro a uma distância tão grande... e ela compreendeu isso.

- Mas... ainda te vejo meio triste!

- É impressão tua, Maria! Como posso estar triste se estou com a pessoa que sempre amei?

- E quando assim é, acho que nos podemos considerar as pessoas mais felizes do mundo.

- É mesmo, Nanda!

- Não me parece que vamos ficar aqui a tarde toda, pois não? Não querem dar um passeio por aí? - perguntou Sandra.

- Para onde?! Estamos tão bem aqui à sombrinha!

- Então venham até lá dentro, pois sempre está mais fresco que aqui.

Sandra levou-os até à sala-de-estar, onde deu a escolher aos amigos verem um filme, ouvirem música ou, simplesmente, conversar.

- Prefiro ouvir música e conversar... - disse Maria.

Até ao jantar conversaram, ouviram música, jogaram às cartas... enfim, ocuparam aquele tempo livre da maneira que mais lhes agradava, descontraídamente, sem preocupações. A seguir ao jantar, partiram à descoberta da vila de Marinhais.

 

CONTINUA...

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3 comentários

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De Bailarina Da Lua a 14.08.2017 às 13:15

Olá!

Hummm, aceitou bem de mais....
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De Pedro Rodrigues a 14.08.2017 às 14:01

Pois, é verdade. Foi tudo muito pacifico! Mas no próximo capítulo a vida do Luís vai levar uma volta de 180 graus xD À hora do jantar saberás porquê! Não restará pedra sobre pedra!
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De Pedro Rodrigues a 14.08.2017 às 14:03

O conto está mais ou menos a meio, muita coisa vai mudar até lá.

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