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14
Ago17

Capítulo 46

por Pedro Rodrigues

Quase sem darem por isso, Sandra e Maria acabaram por ficar em Válega até ao fim de Agosto. Primeiro seria só uma semana, mas depois, por "culpa" de Luís, acabavam sempre por ficar mais um dia, mais outro, até que se chegou ao fim do mês. É lógico que não paravam em casa! Luís e companhia levou-os a conhecer Aveiro, Ovar, Arouca, Vale de Cambra, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, a Praia da Torreira e, como não podia deixar de ser, o Porto. Sandra e Maria estavam encantadas com tudo o que viam. De todos os locais que visitaram, do que mais gostaram foi da vila de Arouca e da vizinha Serra da Freita.

No último dia de Agosto, Luís e Fernanda foram a Marinhais levar Sandra e Maria, de regresso a casa. Infelizmente, as férias estavam no fim e, consequentemente, mais um ano lectivo se aproximava a passos largos. Para Sandra e Maria seria o primeiro, desde o 7.º ano, que passariam em turmas e escolas diferentes. Durante aqueles últimos cinco anos, tinham-se tornado em duas amigas inseparáveis.

Durante a primeira semana de Setembro, quem quisesse ver Luís e Teresa era a namorar, a passear pelos arredores do lugar de Paço, aos segredinhos pelos cantos... enfim, a recuperar o "tempo perdido". À medida que se aproximava o dia em que Luís teria de regressar a Lisboa, mais era o tempo que ambos passavam juntos. E esse tão temido dia acabou por chegar. Como as aulas começavam a 19 de Setembro, e Luís ainda tinha de comprar os livros, ver os horários, entre outras coisas, decidiu regressar a Lisboa no dia 12, uma segunda-feira. As despedidas foram feitas sem lágrimas, sem dramas, pois um e outro saberiam que, mais tarde ou mais cedo, estariam juntos de novo... até porque Válega não era Paris!

 

Ao iniciar mais um ano lectivo, o terceiro em Lisboa, Luís sentiu alguma tristeza a invadir-lhe a alma. A sala de aula, sem a presença de Maria, parecia-lhe vazia. Ao recordar-se das palavras da amiga no início daquelas férias, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi sentar-se ao lado de Sandra. Segundo Maria, esta era uma das poucas pessoas em quem ele podia confiar. Olhando à sua volta só via "inimigos". É lógico que não iria tratar o Rui, o Carlos, a Inês, a Filipa ou a Carla como tal, mas iria tentar fazer os possíveis para não se aproximar muito deles. No entando, aos poucos, o seu grupo constituído pela Sandra, Célia, Marta, Leandro e, fugindo um pouco aos conselhos de Maria, também pela Filipa e Carla, que se tornaram duas amigas inseparáveis. Luís andava mais feliz do que nunca. Depois de Maria, a Sandra foi-se tornando na sua melhor amiga. Aquela via-a quase todos os dias.

Tirando a nota de Filosofia, o ano estava a correr-lhe às mil maravilhas, até àquele dia 13 de Outubro, uma quinta-feira. Ao chegar a casa, a mãe veio ter com ele. Levou-o até à sala e disse-lhe:

- Senta-te aí que eu tenho uma coisa para te contar...

- Sou todo ouvidos, mãe!

- Filho, vais ter de ser muito forte depois daquilo que tenho para te dizer.

- Vá lá, mãe! Não me ponha mais nervoso do que aquilo que eu já estou!

- Primeiro, bebe um pouco de água...

- Mãe... pela sua atitude já deu para perceber que aconteceu algo de grave...

- Nem sei por onde começar, filho! A surpresa foi tal que...

- Oh mãe, pelo amor de Deus... acabe com esse suspense!

- A Teresa teve um acidente...

- O quê?!

- Ela foi visitar uma amiga que mora em São Martinho da Gândara, conheces?

- Perfeitamente, mas...

- Deixa-me acabar... quando ela vinha a vir para casa, já na freguesia de Válega, vieram contra ela e...

- E o quê, mãe?!

- Foram contra ela e a Teresa e a bicicleta foram projectadas pelo ar alguns metros. Ainda a levaram para o hospital de Ovar, mas já não puderam fazer nada. A Teresa morreu, filho...

- Não, mãe... a Teresa não.. diz-me que isso tudo não passa de uma grande mentira que te contaram...

Luís abraçou-se à mãe a chorar com quantas forças tinha.

- Calma, filho... vais ter de ser muito forte numa hora destas. Ninguém pode mudar o destino das pessoas, filho. Vais ter de te conformar com esta nova realidade.

- Quem foi o culpado, mãe?!

- Pelo que contam, o acidente ocorreu ao princípio da tarde. A Teresa vinha um pouco fora de mão e ninguém pôde evitar a tragédia, pois, segundo dizem, o choque deu-se numa curva perigosa daquela maldita estrada.

- Já sabem quando é o funeral?

- Sábado de manhã...

- Mãe, vou tomar um banho e vou dar uma volta por aí. Com tudo o que acaba de acontecer já perdi a fome toda...

- Mas, filho, não podes deixar de te alimentar...

- Não se preocupe, mãe! Eu sei cuidar de mim.

- Vais ao funeral?

- Lógico que vou!

Depois de um banho retemperador, Luís saiu sem destino. Ao passar pela Estefânia lembrou-se de Maria e decidiu ir a casa dela. Felizmente já tinha chegado das aulas. Ao vê-la abraçou-se à amiga e recomeçou a chorar. Ainda nas escadas, Maria "arrastou-o" para a sua sala, sentando-o no sofá.

- Desculpa se te vim chatear, Maria...

- O que é que te aconteceu para estares assim?

- Quando te contar nem vais acreditar...

- Por favor, Luís... acaba com esse suspense de uma vez por todas!

- Acabo de perder a pessoa que eu mais amava neste mundo!

- De quem é que estás a falar?

- Da Teresa, amiga... morreu esta tarde num estúpido acidente. Numa das muitas curvas perigosas da estrada que passa à nossa porta... alguém veio contra ela e projectou-a a ela e à bicicleta alguns metros pelo ar. Ainda a levaram para o hospital, mas...

- Oh Luís... andavas tão feliz com o vosso reatamento...

- É como tu vês, Maria... a minha sina é, definitivamente, ser infeliz!

- Não digas isso, por favor. Ainda vai ser muito feliz.

- Quando é o funeral?

- Sábado de manhã...

- E tu vais, é claro...

- Óbvio! - disse Luís, recomeçando de novo a chorar.

Maria abraçou-o com quantas forças tinha, tentando consolá-lo.

- Amanhã vais às aulas?

- Não... vou no comboio das nove para Ovar.

- Amigo, aconselho-te a ires para casa jantar, a dormires um pouco para descansares essa cabeça... para amanhã de manhã estares fresquinho...

- Vou andar um pouco por aí e depois é isso mesmo que vou fazer...

- Queres companhia?

- Não amiga, deixa estar. Daqui a nada está aí a tua mãe e vai ficar preocupada se não te ver...

Maria vai até à porta levar Luís, dando-lhe um abraço bem apertado.

- Até domingo, amiga... muito obrigado por tudo!

- Não tens nada que agradecer, Luís. Amizade é mesmo para estas coisas!

Ao chegar a casa, o pai manifestou-lhe o enorme pesar que sentia pela morte de Teresa. Em seguida, Luís tentou comer qualquer coisa. A pouca fome que tinha só deu para uma maçã. De seguida enfiou-se no quarto, vestiu o pijama e tentou dormir.

 

CONTINUA...

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De Bailarina Da Lua a 14.08.2017 às 21:05

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