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14
Ago17

Capítulo 47

por Pedro Rodrigues

À chegada ao seu lugar de Paço, a consternação entre os habitantes era geral. Os pais e avós de Teresa, bem como Sofia, Fernanda e Daniel, estavam inconsoláveis. Ninguém conseguia explicar a tragédia que, de um momento para o outro, se abatera sobre o povoado. Como todas as pessoas do lugar, também os avós de Luís estavam chocados com o sucedido. Ninguém conseguia meter na cabeça que uma pessoa tão jovem como Teresa, com um futuro risonho pela frente, numa das alturas mais felizes da sua vida, tenha encontrado a morte, de uma maneira tão estúpida, numa curva perigosa daquela maldita estrada.

Ao ver Luís, Sofia correu para os braços da amiga.

- Os meus sentimentos, Sofia. Não imaginas como tem sido difícil para mim aceitar esta nova realidade...

- Ainda hoje não acredito no que aconteceu! Foi tudo tão rápido! Ela foi a casa da Ana, que mora ali em São Martinho, e no regresso...

- Não é justo... não é justo...

Luís não conseguiu acabar o seu raciocínio, pois uma enorme vontade de chorar se apoderara novamente dele.

 

Ao funeral, como não podia deixar de ser, foi o lugar de Paço em peso. A Igreja Matriz de Válega estava repleta, pois Teresa possuía inumeras amizades na cidade de Ovar, no Furadouro, por toda a freguesia de Válega e em São Martinho da Gândara.

A seguir ao funeral, Luís regressou de imediato a Lisboa. Não havia recanto naquela terra que não lhe fizesse lembrar Teresa, por isso mesmo, para atenuar o seu sofrimento, decidiu que era melhor voltar para casa. Se dependesse de si, iria estar uns meses sem ir à terra.

 

No primeiro de de aulas a seguir à morte de Teresa, Luís andou cabisbaixo, longe de tudo e de todos, sem qualquer vontade de ir às aulas. De manhã, durante o intervalo grande, Sandra procurou-o por todo o lado. Como não o viu em lado nenhum, saiu para a rua e, como já esperava, encontrou-o num banco da Praça José Fontana. Atravessou a rua e foi ter com ele, sentando-se ao lado dele.

- Luís... os meus sentimentos pela perda da Teresa...

- Obrigado, Sandra. Como é que soubeste?

- A Maria contou-me tudo... - pegando-lhe na mão, perguntou-lhe: - Olha lá, que história é essa de te baldares à primeira aula?!

- Estou sem cabeça para aturar os professores...

- Luís, eu sei que gostavas muito da Teresa. Também sei o quanto custa a perda de uma pessoa de quem se gosta muito... eu própria já passei por isso! Mas também sei que a nossa vida tem de continuar. Não podemos deixar que a morte de alguém, seja quem for, nos transforme num lixo. Temos de reagir, dar a volta por cima.

Luís abraçou-se a Sandra e chorou que nem um bebé. Esta, tentando consolá-lo, começou a fazer-lhe festas na cabeça. Quando o amigo parou de chorar, Sandra ajoelhou-se à frente dele.

- Vamos, Luís... já tocou. Vamos chegar atrasados à aula...

- Não me apetece...

- Coragem, homem! A Teresa morreu mas o mundo não acabou! Parece cruel isto que acabei de dizer, mas tem mesmo de ser assim! Limpa essas lágrimas e vamos para a aula... tu até gostas muito de Geografia... e depois, pensa numa coisa. Achas que a Teresa ia gostar de te ver assim?!

Luís olhou para Sandra e deu um ténue sorriso.

- É claro que não...

Limpou as lágrimas e o nariz, levantou-se e deu a mão à amiga.

 

O forte abalo emocional que afectou Luís estava a afectar o comportamento escolar daquele. As notas tinham descido a pique, embora não chegassem à negativa... com excepção de Filosofia,  onde Luís tinha uns fracos 7 valores. No entanto, no fim do primeiro período já Luís tinha subido a História e a Geografia. Só a maldita Filosofia se mantinha, sem remédio, negativa. Por detrás desta recuperação estava Sandra, que não se cansava de incentivar o amigo para o estudo.

Nas férias do Natal, Luís limitou-se a enviar uns postais de Boas Festas a Sofia, Daniel e Fernanda e, na noite de 24 de Dezembro, a telefonar-lhes. Luís também não se esqueceu de Sílvia, a quem telefonou no dia 25. Quando lhe contou da morte de Teresa, Sílvia não queria acreditar. Deu-lhe os sentimentos e, em seguida, para minorar o sofrimento do amigo, convidou-o a passar o Ano Novo em Paris. Luís não olhou para trás. Na manhã do dia 26 foi ao aeroporto e comprou uma passagem de ida e volta para Paris. À noite, ligou para a amiga, informando-a que conseguiu uma viagem para o dia seguinte.

 

CONTINUA...

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