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15
Ago17

Capítulo 48

por Pedro Rodrigues

À chegada a Orly, Luís presenteou Sílvia com um lindo ramo de flores, que tinha comprado ainda em Lisboa. Depois de cumprimentar Álvaro, que lhe deu, de imediato, os sentimentos, seguiram para Boulogne-Billancourt, bairro onde residiam. À chegada a casa, Catarina cumprimentou Luís, dando-lhe os sentimentos pela ainda recente morte de Teresa. A seguir ao almoço, ele e Sílvia foram até junto ao Parque dos Príncipes. No pequeno jardim aí situado sentaram-se a conversar:

- Sabes que ainda hoje não acredito no que aconteceu à Teresa?

- Se para ti é difícil, imagina para mim...

- Quis tanto que vocês fossem felizes...

- Acho que a minha sina é precisamente o contrário. Ser infeliz...

- Oh Luís, não digas isso! Tenho a certeza absoluta de que vais encontrar alguém que te faça esquecer a Teresa...

- E tu? Como tens passado por aqui?

- Muitíssimo bem, tanto na escola, como na minha vida afectiva...

- Isso quer dizer que...

- Já... se é isso que queres saber, já tenho namorado.

- E como está a correr?

- Muito bem! Acho que nunca fui tão feliz como agora...

Ao ouvir aquilo, Luís levantou-se.

- É melhor mudarmos de assunto...

- Desculpa se te magoei... acho que não devia ter dito isto...

- Vamos para casa?

- Espera! Como é que vão as coisas lá por Lisboa? Há quase um ano que nada sei da Carla... não sei porquê, mas ela deixou de me escrever.

- A Carla está óptima! Cada vez mais bonita...

- Fico muito contente por saber disso... porque é que não lhe pedes em namoro? Ela é um óptimo partido para ti!

- Não digas tolices!

- Porquê?! Ela tem algum namorado?

- Não, mas tão depressa não estou interessado em namorar...

- Tretas! Confessa lá que se eu estivesse livre...

- Estás enganada! Só voltaria a namorar contigo se voltasses para Lisboa...

- Se isso é verdade, diz-me isso olhando para mim! Olhos nos olhos!

Perante a recusa de Luís, Sílvia disse:

- Vês? Estás a mentir!

- Vamos mas é parar com a brincadeira, que já está a cheirar mal...

- Tens razão... vamos para casa!

 

Durante aquelas curtas férias, Sílvia e Luís pouco saíram de casa. O tempo esteve chuvoso e frio durante toda a última semana do ano. Durante aqueles dias, Sílvia apresentou o seu novo namorado a Luís. Pierre tinha 19 anos, era um pouco mais alto que Luís, magro, de cabelo loiro e simpático. Luís, tentando fazer-se de simpático, desejou as maiores felicidades aos namorados. Mas por mais que tentasse disfarçar, era mais que evidentes os ciúmes que ele tinha de Pierre. Para além dos ciúmes que sentia, Luís não conseguia disfarçar a profunda tristeza que sentia por Sílvia já não o amar. Com tudo isto, a enorme alegria que Luís sentiu quando o convidaram a passar o Ano Novo em Paris já fazia parte do passado. Para ajudar à festa, a chuva, a neve e o frio impediram que Luís, Sílvia e os pais desta entrassem no novo ano na rua. A 2 de Janeiro regressou a Lisboa com a certeza de que não guardaria grandes recordações daqueles dias. Nesse dia à noite fez uma visita a Maria.

- Então amigo, que tal as férias em Paris? - perguntou Maria, depois de cumprimentar Luís.

- Foram horríveis... mais valia a pena não ter ido...

- Então quer dizer que as esperanças que mantinhas de uma reconciliação...

- Foram completamente por água abaixo... tu bem me avisaste, mas eu, uma vez mais, não te quis dar ouvidos.

- Esquece-a... é melhor para ti!

- Nunca esperei que ela me humilhasse tanto! Teve a coragem de me dizer na cara que nunca foi tão feliz como agora...

- Isso só prova o carácter dessa mulher...

- E ainda não sabes da melhor! Ela perguntou-me pela Carla, e eu disse-lhe a verdade... que estava cada vez mais bonita! Assim que eu lhe disse isto, perguntou-me porque é que eu não a pedia em namoro!

- Essa é boa! A Sílvia dava uma óptima actriz de comédia...

- Pelo menos até ao fim do ano lectivo, prometo que não me vou envolver com ninguém!

- Posso dar-te um conselho?

- Força, amiga...

- Apoio totalmente essa tua decisão, Luís... mas abre bem os olhos, pois à tua volta existe alguém que poderá muito bem vir a ser a tua futura namorada.

- Quem?! Agora fiquei curioso!

- Isso é uma coisa que terás de descobrir sozinho.

- Alguém que nós conhecemos?

- Talvez...

- Tanto mistério!

- Só te digo mais uma coisa! Não vai ser difícil, até ao fim do ano lectivo, descobrires quem é essa pessoa. E a partir daqui não te posso dizer mais nada...

- Amiga, gostei muito deste bocadinho, mas agora vou para casa dormir, pois amanhã já tenho aulas. Apareces lá na escola amanhã?

- Se puder vou!

- Então, até amanhã!

- E por favor, põe-me essa cabecinha e o teu coração na ordem...

- Vou fazer os possíveis por isso. Adeus!

 

CONTINUA...

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