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15
Ago17

Capítulo 49

por Pedro Rodrigues

Durante os meses de Janeiro e Fevereiro tudo correu dentro da normalidade. Em Março realizaram-se as eleições para a Associação de Estudantes. Uma lista constituída por alunos do 12.º ano foi a vencedora, com mais de cem votos de avanço. À frente da mesma estava o Leandro, coadjuvado pela Sandra, Inês, Rui, Carlos, Filipa, Luís, Bernardo, Cabral e Carla, só para falar dos que pertenciam ao 12.º 3.ª.

Na última semana de aulas do segundo período, a Associação de Estudantes organizou uma visita de estudo aberta a todos os alunos da escola. Assim, a 6 de Abril de 1995, uma quinta-feira, cerca de uma centena de alunos, divididos por dois autocarros, partiram à descoberta da belíssima região do Oeste. Alcobaça, Óbidos, Peniche e a Ericeira seriam os principais destinos a visitar.

A partida foi dada pouco depois das oito da manhã da Praça José Fontana. O primeiro destino seria Alcobaça, onde chegaram por volta das dez horas, depois de uma curta paragem na área de serviço de Aveiras de Cima. Após um pequeno passeio pela recente cidade, seguiu-se a visita obrigatória ao seu sumptuoso mosteiro. Para além da igreja, onde se encontram os imponentes túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, passearam pelo claustro e visitaram a cozinha, com a sua imponente chaminé. Para quem ali ia pela primeira vez, a surpresa foi total ao ver que no interior daquela cozinha passava um rio. Após a visita ao mosteiro seguiram-se uns minutos de espera, aguardando a partida para o próximo destino: Óbidos.

Em Óbidos, onde chegaram já passava do meio-dia, debaixo de um sol quente de mais para a época, a primeira coisa a fazer foi procurar uma sombrinha para o almoço. Luís, naturalmente, juntou-se ao seu grupo. A Sandra, o Leandro, o Carlos, a Célia e a Marta. Há muito que tinha deixado as companhias da Inês, do Rui e da Carla. Tal como ele, Carlos ignorava por completo a ex-amiga Inês. Após o almoço, seguiu-se um mini peddy-papper, que se disputaria no interior das muralhas de Óbidos. Luís escolheu, para formar equipa consigo, a Sandra, a Marta e o Leandro. Por sua vez, o Carlos ficaria com o Rui, Cabral e "Skip". Após mais de uma hora de correrias pela vila de Óbidos, contabilizaram-se os pontos e chegou-se à conclusão que a vitória seria absolutamente feminina. A equipa da Inês, Carla, Tânia e Filipa foi a grande vencedora, com um escasso ponto de avanço para uma equipa de alunos do 7.º ano. As equipas de Carlos e Luís foram desclassificadas por excederem o tempo previsto. Depois de tão cansativa prova, o descanso no ponto mais alto das muralhas do velho castelo, observando uma bonita paisagem.

Depois de Óbidos a viagem prosseguiu, ao som de muita música. De manhã, o recente Super Mix 9 alternou com o Unplugged dos Nirvana. Agora, a caminho do Baleal, Sandra impôs-se, querendo ouvir Madredeus. E assim, a magnífica voz de Teresa Salgueiro fez-se ouvir, alto e bom som, pelo autocarro onde aquela seguia.

Não havia dúvida nenhuma que os alunos do Liceu Camões foram bafejados pela sorte. Na primeira semana de Abril, um autêntico dia de Verão é obra! A temperatura rondava os 30ºC. Ainda por cima, numa região onde é raríssimo, mesmo em pleno Verão, haver um dia como aquele, onde não corria ponta de vento, apesar de estar uma pontinha de neblina. É óbvio que a paragem no Baleal foi aproveitada para darem um mergulho. Ninguém, obviamente, faltou à chamada. Após o primeiro mergulho do ano, seguiu-se o lanche numa acolhedora esplanada com vista para a praia. Já passava das cinco horas quando se fizeram à estrada. Sem paragem, atravessaram a cidade de Peniche em direcção ao Cabo Carvoeiro, numa magnífica estrada à beira-mar. A pouca neblina que estava não deixou ver as Berlengas, o que causou enorme decepção a quem esperava avistar os ilhéus. Depois de nova travessia de Peniche, seguiram viagem pela Lourinhã e Torres Vedras. Devido à hora tardia, a professora Cristina Faria já não queria ir à Ericeira, o que originou um pequeno conflito. Sandra, com ajuda de Carlos, Luís, "Skip" e Leandro decidiu parar o autocarro à entrada de Torres, e só arrancaram quando Cristina Faria se decidiu, finalmente, ir à Ericeira. Contudo, a paragem na Ericeira não durou mais do que meia-hora.

Na última etapa da viagem, a caminho de Lisboa, passaram por Mafra, Malveira e Loures, ao som de "Cross Road/The Best of Bon Jovi". Durante esta fase da viagem, Luís sentou-se ao lado de Sandra.

- Posso ser teu "vizinho" até Lisboa?

- Claro, Luís... a tua companhia é sempre agradável!

- E então, gostaste do passeio?

- Adorei! Então daquele mergulho no Baleal... cinco estrelas!

- Só é pena a Maria não ter vindo...

- Coitada, ela queria tanto vir connosco... mesmo assim, ainda nos divertimos imenso.

- Já conheces a Maria há quanto tempo?

- Desde o 7.º ano...

- No Camões?

- Sempre no Camões...

- E neste tempo todo, sempre foram grandes amigas?

- Sempre não, pois quando iniciámos o 7.º ano não nos conhecíamos de lado nenhum. Mas com o tempo fomos ganhando a confiança uma da outra, até que nos tornámos em grandes amigas... isto ainda no 7.º ano.

- Quando entrei para o Camões, a pessoa que me chamou mais a atenção foi, como sabes, a Sílvia. Ao princípio não simpatizava muito com ela, mas com o passar do tempo tudo mudou.

- Tu também gostas muito da Maria, não gostas?

- Considero-a a melhor amiga do mundo! Mas também não me posso esquecer de tudo o que fizeste por mim quando a Teresa morreu. Seria injusto não te dizer isto, mas se pudesse colocar a amizade dela e a tua nos dois pratos de uma balança, penso que pesariam a mesma coisa.

- Oh Luís, não exageres! Ao pé da Maria, a minha amizade não vale nada.

Luís pôs o braço nos ombros de Sandra, e disse:

- Estás a ser injusta contigo própria... o que acabaste de dizer é o maior disparate que já ouvi hoje! Tu és das poucas pessoas em quem eu posso confiar na nossa turma, Sandra... e além disso, todo o apoio que me deste quando a Teresa morreu só vem provar que tudo o que eu disse é a mais pura verdade!

- Mudando de assunto... acho que está mais do que na hora de arranjares uma namorada...

- Não digas isso... prometi a mim mesmo que não o faria até ao fim do ano lectivo. A Teresa morreu há tão pouco tempo...

- Acho muito louvável essa atitude vinda de ti, mas quando acabarem as aulas penso que deverias começar a pensar nisso. Tens alguém debaixo de olho?

- Não...

- Para te ajudar, vou dizer-te o nome de uma pessoa que, com toda a certeza, não te dava com os pés!

- Quem?!

- A Maria...

- És doida! Nunca senti nada mais do que amizade pela Maria...

- Diz-me, olhos nos olhos, que se a Maria te desse uma oportunidade não ias logo a correr para os braços dela?

- Já alguém te disse que tens uns olhos lindos?

- Vá lá, não mudes de conversa seu brincalhão!

- A sério! Tens uns olhos de deixar qualquer um apaixonado por ti...

- Muito obrigada pelo elogio, mas ainda não respondeste à pergunta que te fiz. Aceitavas ou não se a Maria te pedisse em namoro?

- Por dois motivos, não!...

- E quais são esses motivos?

- Em primeiro lugar, porque pela Maria não sinto nada mais que não seja uma grande amizade.

- E...

- Em segundo lugar, porque sinto uma enorme atracção por outra pessoa - disse Luís, pegando na mão de Sandra.

- E pode-se saber quem é essa pessoa? - perguntou Sandra fazendo-se de desentendida, pois quando Luís lhe pegou na mão, automaticamente soube logo a resposta.

Luís engoliu em seco, e disse:

- Faz tempo que te quero dizer isto, Sandrinha... estou completamente apaixonado por ti...

- Luís, posso dar-te um conselho?

- Sou todo ouvidos...

- Amigo... por mais que eu me sinta lisonjeada, não posso aceitar, de maneira nenhuma, essa tua paixão. Como tu sabes, já tenho namorado, e por nada deste mundo o quero perder. Não fiques triste, pois eu tenho a certeza que muito em breve encontrarás alguém que te mereça mais do que eu...

Até Lisboa, Luís e Sandra continuaram a conversa, num tom alegre e divertido. Luís, apesar de não demonstrar, ia um pouco triste, pois há alguns meses que vinha sentindo uma ligeira atracção por Sandra. Embora já esperasse aquela resposta, sempre manteve uma secreta esperança num hipotético namoro com Sandra. Nos últimos minutos, Luís permaneceu calado. Encostou a sua cabeça ao ombro da amiga e adormeceu.

Já em Lisboa, na Praça José Fontana, despediram-se até ao início do 3.º período, pois as férias da Páscoa começariam a partir daquele momento.

 

CONTINUA...

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