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16
Ago17

Capítulo 51

por Pedro Rodrigues

O tempo foi passando... A alegria e ansiedade de Luís foram-se transformando, aos poucos, em desespero. Ao longo de todo o terceiro período escolar tudo continuou na mesma no que à Sandra dizia respeito. Entretanto chegou o Verão e, consequentemente, as férias grandes. Aquelas seriam as últimas férias grandes de Luís, pois este estava decidido, a partir de Setembro, em arranjar trabalho.

Tal como havia dito a Maria, Luís decidiu ir à terra. À sua chegada, Sofia, Fernanda e Daniel deram-lhe as boas-vindas e fizeram-lhe uma festa, como se já não o vissem há muitos anos. Para surpresa de tudo e de todos, em Julho as suas primas, Maria João e Elizabete, foram passar duas semanas a Válega. É óbvio que foram recebidas como duas "rainhas", pois há cerca de cinco anos que ali não iam. Naturalmente, a estadia de ambas foi sendo esticada. Primeiro mais uma semana, logo a seguir outra, até que em Agosto se juntaram as primas de Luís com Maria. Sandra não põde ir, pois tinha tinha arranjado um emprego temporário para os meses de Agosto e parte de Setembro. A princípio Luís ficou um pouco triste, mas rapidamente esqueceu aquilo, pois as primas e Maria tudo fizeram por isso. Maria esteve apenas em Válega durante a primeira semana de Agosto, pois também ela tinha arranjado trabalho até ao final do mês. Aproveitando a boleia de Maria, as primas de Luís decidiram-se também pelo regresso a Lisboa.

O resto de Agosto passou-se com relativa tranquilidade. Os pais de Luís decidiram ir a Válega passar uns dias, junto com o filho. Durante aquele período, de intenso calor, quase todos os dias iam ao Furadouro. Para além disso, aproveitaram aqueles magníficos dias de sol para piqueniques, quase sempre junto à ria de Aveiro. No entanto, nem todos aqueles passeios faziam Luís esquecer Sandra. Era evidente a sua ansiedade para que Agosto terminasse. Naquele momento, nada o prendia à terra. Nem os amigos Sofia, Fernanda e Daniel, nem mesmo uma tentadora proposta de trabalho numa das maiores empresas de Oliveira de Azeméis resfriaram a vontade de Luís em regressar à capital. Tudo em nome de um amor que ele achava possível.

Finalmente, Setembro chegou. Quando Luís se despediu dos amigos, ficou no ar a promessa de que em breve os visitaria. O dia 1 de Setembro foi a data escolhida para o regresso a Lisboa. Após o almoço Luís foi visitar Maria.

- Posso, amiga?

- Oh Luís, que surpresa boa! Entra!

- Como está a melhor amiga do mundo?

- Óptima, e tu?

- Ansioso para que Agosto terminasse...

- Pois! Já percebi...

- Que tal correu o teu trabalho na tal fábrica?

- Foi fixe! Deu para ganhar algum dinheirinho...

- E a Sandra... como é que ela está?

- Lamento informar-te amigo, mas aquele rumores de que o namoro dela com o Raul não ia lá muito bem, por enquanto, não se confirmaram...

- Então tudo continua na mesma...

- Sim, mas não desanimes... aconselho-te a fazer-lhe uma visita. Compra-lhe umas flores, convida-la para lancharem...

- Ela está em casa?

- Está a trabalhar, mas eu dou-te a morada do emprego... - disse Maria, entregando um pequeno cartão a Luís.

- Rua Nova de São Mamede... já sei onde é!

- Óptimo! Assim que forem umas cinco horas vais ter com ela...

- Ela está numa Junta de Freguesia?

- Está a fazer as férias de uma senhora que está com licença de parto.

- Hmm... muito bem!

- Outra coisa... percebes alguma coisa de computadores?

- Não...

- Nem estás interessado em perceber?

- Talvez... porquê?

- Ao pé de casa da Sandra há uma escola que, até ao fim do mês, tem uma excelente promoção de Verão. Por quinze contos podes começar a tirar, aos poucos, o teu curso...

- Vou pensar nisso, amiga... que horas são?

- Três e meia.

- Vou andando, amiga. Vou-me arranjar, dar uma volta por aí à procura de um presentinho, e depois que seja o que Deus quiser! Tens a certeza que esse tal Raul não tem a mesma ideia que eu de ir ter com a Sandra ao trabalho?

- Não te preocupes! O Raul trabalha num restaurante e só saí à noite...

- Óptimo amiga! Então até logo!

- Boa sorte!

 

Luís foi a casa tomar banho, vestir uma roupa lavada e saiu para a rua. Apanhou o metro para Baixa, onde sabia que encontraria floristas. Na primeira que encontrou, comprou um pequeno ramo de rosas brancas, símbolo da amizade. No Carmo apanhou o eléctrico que o levaria até à Rua da Escola Politécnica, junto à Igreja de São Mamede. Depois de descer do eléctrico, procurou pela sede da Junta de Freguesia. Felizmente não era nada difícil, pois era só atravessar a rua. Subiu umas escadas que davam acesso a um pequeno pátio e dirigiu-se à recepção.

- Boa tarde! Podia-me dizer, por favor, se a Sandra veio trabalhar hoje?

- Veio, sim... quer que o anuncie?

- Se não fosse pedir muito, gostaria de lhe fazer uma surpresa...

- Compreendo... só precisa de ir encostado a esta parede e entrar na segunda porta.

- Sabe se ela está com alguém?

- Não! Aliás, ela está é quase a sair...

- Muitíssimo obrigado, senhor...

- Augusto.

Luís seguiu as instruções que o Sr. Augusto lhe tinha dado. Assim, na segunda porta deu três pancadinhas, fazendo-se anunciar.

- Entre...

- Posso?!

- Oh Luís, que surpresa! Entra! O que é que fazes por aqui?

- Como soube que saías agora às cinco, vim convidar-te para um lanche comigo... mas em primeiro lugar...

- Oh Luís! Muito obrigada, são lindas!

- Então, aceitas o meu convite?

- É só acabar de arrumar isto...

- Escusas de correr, não tenho pressa nenhuma! O que é que fazes aqui?

- Como deves ter reparado, isto é uma sala de convívio para jovens adolescentes. Das nove às sete está aberta para quem quiser vir para aqui jogar computador, cartas, damas, xadrez... temos uma mesa de matraquilhos aí fora, enfim... quem quiser vir para aqui ocupar os seus tempos livres. Quem não quiser jogar, pode ver televisão, ouvir música, ler - temos uma pequena biblioteca ali dentro - ou, simplesmente, conversar.

- Muito bem! E tu estás aqui a tomar conta do pessoal...

- Sim, mas não só! Como vês o espaço não é muito, por isso quem quiser vir para aqui tem de se inscrever de véspera. Consoante o número de inscritos, poderá utilizar o computador durante meia, uma ou duas horas. Com os restantes jogos, as condições de utilização são exactamente as mesmas.

- Estou a gostar! Se isto só fecha às sete, quem é que vem para aqui substituir-te?

- O Vítor, o Pedro ou a Patrícia, consoante os dias...

- Pois... faz de conta que eu conheço essa malta toda!

- Não conheces mas podes vir a conhecer! É malta da mais porreira que pode existir!

- Isto hoje está pouco concorrido...

- Com o calor que está a malta foi toda para a praia, mas se cá vieres mais daqui a nada encontras isto cheio.

Enquanto Sandra arrumava as coisas, chegou Pedro:

- Como vai a minha amiga?

- Tudo numa boa, e contigo?

- Tudo em cima!

- Pedro, apresento-te o meu grande amigo Luís. Luís, este é o Pedro...

Depois das apresentações, Sandra despede-se do colega. Em seguida dirigem-se à recepção, onde aquela se despede do Sr. Augusto.

- Adeus Sr. Augusto, bom fim-de-semana!

- Até segunda, Sandra!

- Obrigado, Sr. Augusto!

- Não precisas de me agradecer, rapaz... divirtam-se!

Ao fundo das escadas que conduziam à rua, Luís perguntou:

- Onde é que queres ir lanchar?

- À Cister... segue-me!

 

CONTINUA...

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