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17
Ago17

Capítulo 53

por Pedro Rodrigues

No dia seguinte, mais ou menos à hora marcada, Luís bateu à porta da casa de Sandra. Quem veio à porta foi a mãe desta, que o informou que a filha tinha ido a casa de Maria. Surpreendido, Luís regressou à rua e, para não perder mais tempo, apanhou um táxi para a Estefânia. Ao entrar em casa de Maria, esta disse:

- Deixa-me adivinhar... já foste a casa da Sandra!

- Como é que sabes?

- Porque ela está aqui, mas esqueceu-se por completo de te avisar...

- Aconteceu-lhe alguma coisa para uma mudança tão grande de planos?

- Vai ver com os teus próprios olhos...

- Onde é que...

- Na sala...

Ao ver Luís, Sandra disse:

- Mil perdões, Luís... esqueci-me por completo de te avisar que vinha para aqui!

- Não te preocupes...

Ao cumprimentá-la, Luís notou qualquer coisa de estranho na amiga.

- O que é que tens? Estiveste a chorar? O que é que se passou contigo?

- Ontem à noite em Alcântara... apanhei o Raul em flagrante com outra mulher, muito mais velha que eu. Tivemos uma enorme discussão e acabámos tudo um com o outro.

Sandra abraçou-se a Luís a chorar.

- Calma, Sandra... o mundo não acaba por causa disso. Sei que custa muito descobrir por nós próprios que estamos a ser traídos, mas faz-me um grande favor. Não chores!

- Onde foi que eu errei, meu Deus?! Eu sempre fui leal com o Raul! O meu amor por ele...

- Pára, Sandra! Não te martirizes mais, por favor! Tu não tens culpa nenhuma do que aconteceu!

- Tenho sim, Luís, e muita! Eu confio em demasia nas pessoas, e depois é isto que acontece...

- Sandra... se alguém tem culpa do que aconteceu só pode ser esse tal Raul, mais ninguém! O que ele te fez apenas prova que não te merece. Esquece-o, por favor! - disse Luís, pegando nas mãos de Sandra.

Maria, que até ao momento permanecera calada, disse:

- Amigos, vou ali ao supermercado comprar qualquer coisa para o nosso lanche. Fiquem à vontade...

- Queres ajuda? - perguntou Sandra.

- Deixem-se estar... não me demoro nada...

- Já que insistes...

Quando Maria saiu, Sandra e Luís prosseguiram a conversa.

- Sandrinha... perdoa-me a minha insistência...

- Porquê?!

- Passar as férias longe de ti só veio piorar as coisas...

- Não percebo...

- Este tempo todo sem te ver só veio confirmar que o amor que sinto por ti não é uma brincadeira...

- Oh Luís... eu não mereço o teu amor...

- Sandra, se tu não mereces o meu amor, mais ninguém neste mundo o merecerá...

- Nem a Maria?

- Achas que seria justo eu magoar a Maria? Não faz sentido eu pedir namoro a uma rapariga, sabendo que gosto de outra. Apenas te peço uma oportunidade...

- Luís, eu não te quero desiludir... mas é que ainda ontem acabei um namoro, e acho que ainda não estou preparada para começar já com outro. Só preciso que me dês um tempo...

- Todo o que tu quiseres! Se já esperei até aqui, não me custa nada esperar mais um pouco. E... será que posso ter esperanças?

Sandra sorriu e disse:

- Podes...

Luís sorriu, pegou nas mãos de Sandra e beijou-as.

- Não imaginas a alegria que me dás ao dares-me essa resposta.

Naquele momento, Maria entrou na sala. Com um enorme sorriso, disse:

- Vamos lanchar, pombinhos?

- Hã?!... Estavas ai? - perguntou Sandra, dando um salto.

- Sem querer ouvi os últimos instantes da vossa conversa. Vá lá, Sandra! Gostava tanto que vocês se acertassem! Pela tua felicidade e pela do Luís, dá-lhe uma oportunidade...

- Preciso de um tempo...

- Esperar mais para quê?! Vocês já não sofreram o suficiente? Acho que esse tempo que tu pedes só irá contribuir para prolongar, ainda mais, o vosso sofrimento...

- Acho que tens razão, mas...

- Mas o quê?! Do que é que estão à espera para darem o vosso primeiro beijo?!

Luís e Sandra deram as mãos, olharam-se olhos nos olhos e beijaram-se.

 

CONTINUA...

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