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18
Ago17

Capítulo 54

por Pedro Rodrigues

Em Lisboa, Luís já se tinha inscrito na Formac. A partir do dia 11 começaria o primeiro módulo do curso de informática, o MS-DOS. Entretanto, enquanto esperava com grande ansiedade pelo dia 13, o seu namoro com Sandra ia de vento em popa. Dia 8, ao fim da tarde, numa altura em que se arranjava para sair com Sandra, que o viria buscar às seis em ponto, Luís recebeu uma visita totalmente inesperada.

- Posso entrar?!

- Sílvia?! O que é que fazes aqui? Entra...

- Podes não acreditar, mas eu e os meus pais estamos de regresso a Portugal.

- Então porquê?! O que é que aconteceu?

- Simples... não lhes renovaram o contrato...

- E agora?

- Regressam à Portugal Telecom...

- E onde é que estão a morar?

- Nas Amoreiras.

- Fixe! E tu, o que é que vais fazer?

- Este ano quero ver se arranjo um trabalho qualquer, mas para o ano vou-me inscrever numa universidade privada.

- Sinceramente não contava com esta surpresa...

- Vais sair?

- Vou...

- Alguma namorada nova?

- É com ela mesmo que vou sair.

- Alguém que eu conheça?

- A Sandra...

- Hmm! É pena! Estava convencida que poderíamos recuperar o nosso namoro... - disse Sílvia aproximando-se de Luís e tentando beijá-lo. A princípio, este conseguiu resistir, afastando-a com um ligeiro empurrão.

- Estás maluca?!

Tentou... porque durante nova "investida" de Sílvia, os dois ex-namorados ficaram presos num beijo bem prolongado. Enquanto isso, Sandra chegou. A mãe de Luís, que não sabia do que se passava na sala, mandou-a entrar. Ao deparar-se com aquela cena...

- Estarei a interromper alguma coisa importante?

- Sandra?!

- Eu não acredito nisto! Luís, como foste capaz de...

- Espera, Sandra! O que viste aqui não passou de um incidente! Juro-te que...

- Pois! Deves ter tropeçado e caído mesmo sobre os lábios dessa p...! Escusas de te desculpares! Ofereço-te a Sílvia de presente!

- Espera, Sandra... não digas isso! Sandra!

Sandra abandonou a casa de Luís, fechando a porta com grande estrondo. Quando este regressou à sala-de-estar, encontrou Sílvia à gargalhada.

- Parabéns, Sílvia! Conseguiste o que querias, não foi?! Confessa que vieste até aqui só para me estragar a vida!

- Não digas disparates, Luís! Que culpa tenho eu se...

- Sílvia, por favor, desaparece da minha vida! Tu não entendeste ainda?! Está tudo acabado entre nós! Perdoa-me, mas já nem a tua amizade eu quero de volta!

- Tens a certeza disso? Depois de tudo o que aconteceu entre nós?

- Tenho, Sílvia... perdoa-me, mas é a minha última palavra!

Sílvia não quis ouvir mais nada. Virou as costas a Luís e foi-se embora. Depois de acabar de se arranjar, Luís foi a casa de Maria, pois tinha a certeza que Sandra tinha ido para lá.

 

Naquele momento, em casa de Maria, Sandra estava inconsolável.

- Sandra, eu tenho a certeza que tudo isso não passa de um mal entendido. Já pensaste que pode ter sido armação da Sílvia para vos separar?

- Não me cheira... a Silvia nem sabia que eu e o Luís éramos namorados!

- O Luís pode ter-lhe contado...

- Havias de ver como é que eles estavam agarradinhos... tal como dois namorados! Não, Maria... para mim está tudo acabado!

Naquele momento tocaram à campaínha. Maria foi abrir e, como esperava, era Luís.

- Entra...

- A Sandra está?

- Está, mas não sei se ela te quer ver. Sinceramente, estou muito desiludida contigo!

- Maria, por favor, acredita em mim...

- Luís, é à Sandra que tens de te justificar... conversem à vontade que eu vou à rua...

Quando Luís entrou na sala de Maria, Sandra disse:

- Escusas de te justificar, Luís. Está tudo terminado entre nós!

- Não digas isso, Sandra! Estás a ser injusta comigo...

- Injusta?! Apanho-te aos beijos à outra e ainda estou a ser injusta?! Tem dó, Luís...

- Sandra, não sei o que se passou comigo. Eu juro que tentei resistir, mas não consegui. Perdoa-me, Sandra...

- Não posso, Luís! Eu dei-te uma oportunidade para sermos felizes e tu desperdiçaste-a!

- Eu amo-te...

- Se me amasses de verdade não tinhas feito isto. Posso continuar a ser tua amiga, mas namorada nunca mais...

- Por favor, Sandra...

Sandra não lhe deu ouvidos e foi-se embora. Depois daquela ter saído, Luís deitou-se no sofá de Maria a chorar. Em menos de nada acabara de perder a amizade e o amor de duas das pessoas que ele mais gostava. Sem se dar conta, Maria tinha regressado e aproximou-se, sorrateiramente, do amigo.

- A Sandra?

- Foi-se embora...

- Oh Luís, eu avisei-te! Porque é que foste fazer uma burrada destas?

- Sou um idiota, Maria! Tive a felicidade nas mãos e deixei-a escapar... a Sandra não merecia o que lhe fiz...

- O que é que se passou afinal de contas?

- Nem eu sei... foi tudo tão rápido! Estava a arranjar-me para sair com a Sandra quando, sem esperar, chegou a Sílvia. Começámos a conversar, e quando dei por mim já ela me estava a beijar. Ainda tentei resistir, mas ela foi mais forte do que eu... O que me aconselhas, amiga? Achas que devo ir falar com a Sandra hoje?

- Hoje talvez não, mas amanhã acho que devias lá ir.

- Eu não mereço que ela me perdoe...

- Está calado! É claro que ela te vai perdoar... ela ainda gosta muito de ti!

- Vou para casa descansar e pensar no que lhe vou dizer amanhã...

- Fazes bem, Luís... ficarei aqui a torcer por vocês!

- Obrigado por tudo, amiga! Até amanhã!

 

CONTINUA...

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