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19
Ago17

Capítulo 55

por Pedro Rodrigues

Sábado, 9 de Setembro de 1995.

A seguir ao almoço, Luís foi a casa de Sandra com um único objectivo em mente.

- O que é que queres de mim? Já não te disse que estava tudo acabado entre nós?

- Sandra, o que tu viste ontem não corresponde minimamente à realidade...

- És muito engraçado! Queres que eu me convença que aquilo era teatro... ou que foi um simples delírio meu!

- Deixa-me explicar-te...

- Para quê se eu vi tudo?!

- Não, não viste tudo! Eu juro que tentei impedir tudo o que aconteceu, mas na segunda "investida" dela... confesso que não consegui resistir àquele beijo... afinal de contas, um beijo de alguém que eu já amei bastante...

- Essa tem muita graça...

... e eu também não sou de ferro, porra! Volta para mim, por favor!

- Não, Luís... não quero mais ser enganada...

- Mas eu não estou a enganar-te, Sandra! Tudo o que te disse é a mais pura verdade! Que mais queres que eu faça para provar o meu amor por ti?!

A resistência de Sandra estava a desabar. Fechou os olhos, respirou fundo e disse:

- Que me abraces e beijes...

- Oh Sandra, eu amo-te tanto!

Sandra e Luís abraçaram-se e beijaram-se como se não houvesse amanhã, tentando recuperar o tempo perdido.

 

O tempo foi passando. Na segunda-feira seguinte, Luís e Maria, que entretanto também se tinha inscrito, começaram o primeiro módulo do curso de informática. Um módulo de vinte horas, para outros tantos dias, três vezes por semana. No tão esperado dia 13, durante a reunião do executivo da Junta de Freguesia de São Mamede, foi aprovada a proposta de emprego de Luís. Ficou combinado que este começaria a trabalhar no dia 1 de Outubro, assinando nesse dia um contrato por seis meses. Com a tão esperada reconciliação com Sandra, tinham voltado os seus dias felizes.

A 1 de Outubro, Luís iniciou a sua nova vida como recepcista da Junta de Freguesia de São Mamede. A par da vida profissional, Luís prosseguiu com o seu curso de Informática. O primeiro módulo só terminou a 25 de Outubro, enquanto o segundo - Windows - começaria a 3 de Novembro, uma sexta-feira. Entretanto, a 16 de Outubro, Sandra fez anos e, como não podia deixar de ser, Luís e Maria fizeram uma festa em honra da amiga.

Outubro e Novembro passaram num abrir e fechar de olhos. Durante aquele tempo todo, Luís fez inúmeras amizades. Sandra foi convidada para continuar a trabalhar na Junta de Freguesia, pois a antiga funcionária tinha tido proposta de emprego verdadeiramente tentadora e, consequentemente, pedira a demissão.

No primeiro fim-de-semana de Dezembro, que incluía o feriado da Restauração da Independência, Sandra e Luís foram até à Serra da Estrela, numa excursão organizada pelo São Mamede Jovem. Assim, no dia 30 de Novembro à noite, eles, o Pedro, o Víctor, a Patrícia, o Ricardo, o Fernando, a Rute, o Rúben, o Nuno e a Diana iniciaram aquela viagem. Dentro do autocarro alugado para o efeito, a alegria era mais do que muita. Ao som de muita música lá fizeram a primeira etapa daquele fim-de-semana. A primeira noite foi passada na Pousada da Juventude de Coimbra.

No dia seguinte prosseguiram a viagem, rumo ao principal destino daquele fim-de-semana. Seia foi a porta de entrada escolhida para iniciarem a subida à serra. O frio era muito e não foi de estranhar que após a Lagoa Comprida tivessem encontrado neve, muita neve. Junto à Torre a paisagem era deslumbrante. A parte mais elevada da serra estava totalmente coberta por um espesso manto branco.

Após o almoço, na Pousada da Juventude das Penhas da Saúde, iniciaram o primeiro circuito turístico planeado para aquele fim-de-semana. Desceram à Covilhã, onde apanharam a estrada para a Guarda. Depois de uma subida ao castelo de Belmonte, a próxima paragem seria na Guarda. A imponente Sé Catedral e o centro histórico da cidade foram os locais escolhidos para uma pequena visita. Seguiu-se paragens em Celorico da Beira - uma das capitais do Queijo da Serra -, Gouveia e Manteigas.

O resto do tempo foi passado no meio da neve, em brincadeiras sem fim. O regresso a Lisboa foi feito domingo à tarde. Naturalmente, todos estavam cheios de pena por terem de voltar a casa. Este fim-de-semana serviu, acima de tudo, para a consolidação definitiva do namoro de Sandra e Luís. Todas as dúvidas foram desfeitas, todos os receios infundados desapareceram. Naquele domingo, na paragem que fizeram para o lanche em Coimbra, Luís tinha uma surpresa guardada para Sandra. Num acolhedor jardim junto ao Mondego e à Ponte de Santa Clara, retirou uma pequena caixa forrada a veludo do bolso, presenteando-a com um anel. Os olhos de Sandra brilharam intensamente. Depois de Luís lhe colocar o anel no dedo, os dois beijaram-se prolongadamente.

 

CONTINUA...

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