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19
Ago17

Capítulo 56

por Pedro Rodrigues

Os dias vão passando. A passos largos mais um Natal se aproximava e, consequentemente, mais um ano estava no fim. Naquele sábado, 9 de Dezembro de 1995, um dia bastante frio, Sílvia e Carla conversavam em casa daquela.

- Tenho de arranjar uma maneira de acabar, de uma vez por todas, com o namoro do Luís e da Sandra.

- Porquê, Sílvia?! Vocês já nem se amam...

- Não é por uma questão de amor, Carla. É por uma questão de honra, de orgulho e vingança.

- E o que é que estás a pensar fazer?

- Ainda não sei bem, mas uma coisa te garanto! Se o Luís não me quer mais, também não o hei-de perder para a porca da Sandra!

- Esquece isso, amiga... uma vingança só virá complicar as coisas para ti... quem te avisa teu amigo é!

- Enganas-te! E eu já se o que vou fazer! - disse Sílvia correndo para o telefone. - Não te assustes, Carlinha. O que aqui se vai passar amanhã será o acontecimento do ano de Amoreiras City e arredores!

 

No dia seguinte de manhã, Sílvia convidou Sandra para visitar a sua nova casa, afirmando-lhe querer pôr uma pedra nas desavenças do passado. Para a cativar, disse-lhe que uma enorme surpresa estaria à sua espera, para um lanche a três ou, quem sabe, a dois. Com Sandra, Sílvia marcou às três, pedindo por tudo para que não trouxesse Luís. Entretanto pelas 14 horas, como haviam combinado, chegou Mário. Assim que o viu abraçou-se a ele, pois já não se viam desde a passagem de ano 1993/94. Contudo, naquele momento não havia lugar a sentimentalismos. Sem mais rodeios, Sílvia disse:

- Ainda te lembras da primeira paixão da tua vida?

- Claro que me lembro!

- Tu gostavas muito dela, não gostavas?

- Isso é coisa que se pergunte?! Eu amava a Sandra! Depois, inexplicavelmente, deixámos que tudo acabasse...

- Tens a visto?

- Apesar de sermos quase vizinhos, muito raramente a vejo... mas não me chamaste até aqui para falar sobre a Sandra, pois não?

- E porque não?! E se eu te dissesse que ela vem cá esta tarde? Já te estás a rir e tudo... ainda gostas dela, não gostas?

- Quem sabe...

- Então, do que é que estás à espera para lhe pedires uma nova oportunidade?

- Estás doida... o nosso tempo já passou há muito!

- Se estou doida não sei... o que eu sei é que gosto muito de vocês e queria vê-los felizes! Tu não sabes, mas ela e o Luís andam de namorico, e eu queria que me ajudasses a separá-los...

- Para quê?!

- Porque ainda gosto dele! E além do mais, tu também gostas dela... Que me dizes a este plano?

- Aceito!

- Óptimo! Vou à rua buscar qualquer coisa para o nosso lanche e, entretanto, tu abres a porta à Sandra!

 

Durante a ausência de Sílvia, que fora à rua telefonar para Luís, convidando-o para o lanche, chegou Sandra. Esta, ao ver Mário, não pôde esconder a alegria de rever o amigo. Depois de se terem cumprimentado, Mário levou-a até à sala.

- Bem bonita a casa da Sílvia...

- Mesmo...

- Por falar nela, onde é que ela anda? E o que fazes tu por aqui?!

- Esquece a Sílvia... agora só quero reviver o nosso antigo namoro - disse Mário beijando Sandra. Para sua surpresa, Sandra correspondeu àquele beijo. Mas, breves segundos depois...

- Como foi possível...

Mário não a deixou continuar e voltou a beijá-la... até serem surpreendidos pela chegada de Sílvia e Luís.

- O que é que se está a passar aqui?! Sandra... o que é que isto significa?

- Eu posso explicar...

- Esquece, Sandra! Não quero ouvir mais nada... para mim acabou!

- Luís, espera... eu amo-te!

- Como é que é?! Amas-me e apanho-te aos beijos com o primeiro gajo que aparece à tua frente?! P**** para mim não, Sandra!

- Espera aí! Não tens o direito de ofenderes assim a Sandra...

- E tu está calado! Sempre pensei que fosses meu amigo, mas afinal não passas de um traidor, sem vergonha...

- Acalma-te, Luís... - disse Sílvia abraçando-o, tentando confortá-lo.

- Espera... eu já vi tudo! Tudo isto foi combinado para os pombinhos ficarem juntos!

- Não digas asneiras, Sandra... não tenho culpa da vossa recaída!

Sandra pegou em Mário pela mão e saiu para a rua.

- Façam muito bom proveito! Anda daí, Mário... vamos recuperar o tempo perdido!

Quando Sandra e Mário saíram, Sílvia beijou Luís. Este, a princípio, correspondeu, mas depois...

- Responde-me só a uma coisa, Sílvia... ou é impressão minha ou tudo isto não passou de uma simples jogada para me separares da Sandra...

- Claro que sim... foi a única maneira de te pedir perdão, de te pedir que voltes para mim.

- Meu Deus... como eu fui burro e inj...

- Abre os olhos, Luís! Achas que foste injusto com a Sandra depois de tudo o que se passou aqui?

- Não precisas de me refrescar a memória, Sílvia! Sei bem que a Sandra me traiu, mas nada do que tu fizeste tinha razão de ser! Nada! Eu e a Sandra éramos felizes, e tu não tinhas o direito de destruir uma relação tão bonita como a nossa!

- Perdoa-me, por favor...

- Nunca mais te quero ver, Sílvia... tu não mereces o meu amor!

E dizendo isto, Luís virou as costas a Sílvia, que ficou inconsolável.

 

Mais triste do que nunca, Luís foi até casa de Maria. Ao vê-lo, esta pergunta-lhe:

- O que é que fizeste à Sandra, afinal de contas?

- Eu, nada! Se quiseres saber alguma coisa fala com a Sílvia...

- Ela chegou aqui tão abalada, a dizer que nunca mais te queria ver e, pior do que isso, que jamais te perdoará...

- É justo que ela me castigue assim... chamei-lhe dos piores nomes que se podem chamar a uma mulher...

- Porquê, Luís?!

- Encontrei-a aos beijos com o Mário...

- Eu sei disso, mas...

- A Sílvia e o Mário montaram a armadilha perfeita para nos separar. O que é estranho foi tê-los encontrado naquela pouca vergonha...

- Tu não sabes, mas antes de vires para cá eles foram namorados...

- Isso não explica tudo, Maria! Isso quer dizer que a Sandra não me ama de verdade...

- Não digas isso!

- Digo, Maria, digo... talvez ainda volte a ser amigo da Sandra, mas namorado...

- Se eu fosse a ti não tinha grandes esperanças em reaver a amizade dela...

- O que é que eu fiz para merecer isto?!

- Luís, o teu único erro foi teres ofendido a Sandra daquela maneira. Agora a Sílvia é que merecia ser castigada...

- Quanto a isso não tenho a menor dúvida... vou castigá-la com todo o meu desprezo! Agora só estou preocupado com  uma coisa... como é que a Sandra me vai receber a partir de amanhã...

 

CONTINUA...

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2 comentários

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De maria sou a 22.08.2017 às 13:05

Muitos pormenores sobre como participar no jogo, mas nenhum sobre no que consiste. Os diálogos parecem querer chegar a alguém em particular e não tanto ao publico em geral.
Um enredo, que se calhar vivido com menor intensidade, é comum a todas as pessoas. As pessoas gostam de se rever nos enredos e nos românticos ainda mais.
Mais momentos bonitos, românticos, quebrados pela presença viperina da Sílvia.
Um romance é sempre bem vindo, mas transporte-nos para o imaginário com as palavras. Mesmo o preto e branco, têm rivalidades contidas, forças opostas, afinidades escondidas, que queremos desmascarar e descobrir.
Força e muito sucesso.

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De Pedro Rodrigues a 22.08.2017 às 13:51

É um romance meio tosco, e por esse motivo nunca o quis publicar. Baseado em algumas vivências do passado e em outras que são pura ficção...

Quanto ao jogo, bem sei que exagero em tanto pormenor. Na época, quando escrevi esta parte do conto, tinha-o vivido há bem pouco tempo. É, portanto, um dos factos reais da narrativa. E consiste tão simplesmente nisto: formar uma equipa com dois grupos de pessoas que não se conheciam de lado nenhum, fomentando o espírito de equipa através do qual viriam a nascer várias amizades. O jogo foi feito num âmbito mais alargado de um projecto de prevenção primária à toxicodependência. E daí o nome de Castelos de Risco.

Espero que se divirta ao lê-lo! E muito obrigado pelas palavras! :)

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