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20
Ago17

Capítulo 57

por Pedro Rodrigues

Os receios de Luís confirmaram-se. A partir daquela data, a única coisa que recebeu de Sandra foi desprezo. Durante uma semana nem uma palavra lhe dirigiu. Na 6.ª Feira, 15 de Dezembro, ao fim do dia, Luís encheu-se de coragem e foi ter com ela.

- Posso entrar?

- Sim...

- Sandra, preciso falar contigo...

- É algum assunto relacionado com o nosso trabalho?

- Não...

- Então faz-me o favor de sair! Não temos mais nada a dizer um ao outro!

- Tens todo o direito de não quereres mais a minha amizade, mas primeiro vais ter que ouvir o que tenho para te dizer...

- Despacha-te porque o Mário está à minha espera...

- O que aconteceu no domingo não passou de um grande mal entendido...

- Essa teve muita graça! Tu e a Sílvia montam uma armadilha para mim e para o Mário e ainda dizes que não passou de um mal entendido?!

- Caíste que nem um patinho, Sandra! Percebeste tudo ao contrário!

- Como assim?!

- O Mário e a Sílvia uniram-se para nos separar. Será que ainda não percebeste isso?!

- E que benefícios o Mário poderia usufruir ao fazer isso?

- Sandra, sinceramente pensava que fosses mais esperta! Não penses que foi para que tu voltasses para ele... foi, única e exclusivamente, para nos separar, para que a Sílvia ficasse com o caminho livre.

- Nunca pensei que fosses assim... a pôr o rabinho de fora e a culpar um inocente!

- Inocente?! O Mário só fez isso para te usar, para ir para a cama contigo...

Sandra interrompeu Luís com uma estalada.

- Chega, Luís! Não quero ouvir mais nada! Fazes-me o favor de me deixar em paz?!

- Vais aprender à tua custa, Sandra! Tentei avisar-te, mas tu não me queres dar ouvidos...

Magoado com Sandra, Luís virou-lhe as costas e saiu para a rua.

 

Com o passar do tempo, Sandra pôde confirmar que tudo o que Luís lhe dissera poderia ser verdade. Ela tinha a certeza que Mário andava a evitá-la, pois há vários dias que não o conseguia contactar. Nas vésperas do Natal, Sandra esperou por Luís à saída do emprego.

- Luís, posso falar contigo em particular?

- Vamos ali para a Cister...

- Não é preciso! Só queria pedir-te desculpa por não ter confiado em ti...

- Sandra, se há alguém aqui que tem de te pedir perdão, esse alguém sou eu...

- Não confundas as coisas, Luís. Só estou a dar o braço a torcer porque sei que fui injusta contigo, ao não confiar em ti. Agora, se pensas que te vou perdoar as ofensas, tira daí o sentido...

- Isso quer dizer que não posso ter esperanças numa futura reconciliação?

- Não... esquece-me!

- É definitivo?

- Podes ter a certeza que sim... desculpa, mas estou com pressa. Feliz Natal para ti!

- Feliz Natal para ti também!

 

Passadas as festas do Natal e Ano Novo, Sandra descobriu que Mário andava a traí-la, encontrando-o em pleno Centro Comercial das Amoreiras aos beijos com Sílvia, e deixando-o quase sem reacção.

- Sim senhora! Então é por causa dessa aí que tu não atendes os meus telefonemas... que nem te dignaste a desejar-me as Boas Festas! Metes-me nojo seu filho da mãe cobarde! E tu, Sílvia, não passas de uma reles cabra! - disse Sandra agredindo-a com um potente murro.

Sílvia respondeu à agressão tentando puxar os cabelos de Sandra, mas Mário agarrou-a.

- Tem calma, Sílvia! Não desças ao nível rasteiro da Sandra...

- Nível rasteiro?! É preciso não ter vergonha nenhuma na cara... Estou tão arrependida por ter acreditado que ainda me amavas! Só espero que faças bem pior a essa... a essa vagabunda! Muito bom proveito!

Sandra virou-lhes as costas e, já na rua, chorou com quantas forças tinha.

 

No dia seguinte, de volta ao trabalho, Luís foi ao gabinete de Sandra.

- Sandra, está aqui uma carta da ARISCO a convidar a nossa freguesia a participar numa iniciativa deles.

- Põe aí em cima da mesa... depois de almoço vejo.

- O que é que tens? Estiveste a chorar?!

- É impressão tua...

- Não é nada impressão minha... estás-me a esconder alguma coisa?

- Ao almoço conto-te...

- Posso entender isso como um convite para almoçarmos juntos?

- Ao meio-dia vou ter contigo à recepção...

Mais animado, Luís voltou para o seu posto. À hora marcada, Sandra foi ter com ele.

- Vamos?! - perguntou Sandra, dando a mão a Luís.

Sandra e Luís desceram as escadas até à rua e dirigiram-se à Cister. Durante o almoço, Luís perguntou:

- Afinal de contas, o que é que aconteceu?

- Nem vais acreditar quando te disser... ontem, nas Amoreiras, em pleno centro comercial, encontrei-os aos beijiinhos...

- Encontraste-os?! Quem?

- O Mário e a Sílvia...

- A sério?!

- Nem imaginas, parti a loiça toda! Fiz o maior pé de vento! Explodi literalmente!

- A Maria já me tinha avisado para ter cuidado com o Mário, mas nunca pensei que ele fosse tão longe... e quanto à Sílvia, é uma desilusão tremenda para mim... ela veio tão mudada de França!

- Amigo... para mim não é desilusão nenhuma! Surpresa estava eu perante o comportamento dela durante o último ano em que ela passou no Camões. Esta é a velha Sílvia que eu e a Maria conhecemos...

- E tu... ainda estás magoada comigo? - perguntou Luís pegando na mão esquerda de Sandra.

- Apesar de tudo, decidi passar uma esponja sobre tudo, por três simples razões! Em primeiro lugar, porque nós éramos namorados e eu não tinha o direito de te trair daquela maneira... depois, compreendo perfeitamente a tua reacção! Se estivesse no teu lugar teria reagido exactamente da mesma maneira! E em terceiro lugar porque... amigos como tu, sinceramente, há muito poucos!

- Será que me aceitas de volta? Podemos voltar a ser namorados?

- Não sei, Luís... tenho a cabeça cheia de dúvidas...

- Será que já não me amas? Sandra... eu estou a propor-te uma vida em comum!

- Estás a falar a sério?

- Nunca falei tão sério em toda a minha vida...

- Preciso de um tempo, Luís...

- Todo o que quiseres!

 

A seguir ao almoço, Sandra leu a carta da ARISCO que tinha chegado no final da manhã, e que já tinha sido aberta pela presidente, D.ª Júlia. A ARISCO convidava três jovens ligados à Junta de Freguesia a participar numa acção de formação a realizar no primeiro fim-de-semana de Março na praia da Areia Branca. Aquela acção tinha como objectivo a formação de jovens para que estes organizassem uma equipa de 14 elementos para participar nos "Castelos de Risco 1996". Para lá de organizarem a equipa, teriam que a preparar física e psicologicamente para aquele evento, pois os "Castelos de Risco" possuíam um conjunto de jogos onde a agilidade, destreza física e capacidade de raciocínio teriam de estar sempre presentes. Depois de ler a carta foi ao gabinete da presidente.

- D.ª Júlia, venho-lhe falar sobre a carta da ARISCO...

- O que é que achas? A mim parece-me uma actividade interessante. Os participantes, para lá de terem de puxar pelo físico têm de puxar também pela cabeça. Queres alinhar?

- No primeiro fim-de-semana de Março não vou poder, mas já pensei em três pessoas que, com toda a certeza, não se vão recusar a ir...

- E em quem é que estás a pensar?

- No Víctor, na Patrícia e na Diana...

- Boa!

- Vou já falar com eles... Outra coisa, D.ª Júlia, precisava sair aí uma hora mais cedo. Posso?

- Claro que sim!

- Então até já, e obrigada!

No seu gabinete, Sandra ligou para Víctor, Patrícia e Diana, convocando-os para uma pequena reunião. Não foi preciso esperar meia-hora para os três estarem na sala de convívio da Junta de Freguesia.

 

CONTINUA...

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