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21
Ago17

Capítulo 60

por Pedro Rodrigues

6.ª Feira, 5 de Abril de 1996.

Às oito da manhã já Luís, Sandra, Víctor, Diana, Patrícia e restante comitiva se encontravam em Santa Apolónia. O comboio para Ovar saía às nove, mas devido ao fim-de-semana prolongado se quisessem arranjar lugar teriam de chegar bem cedo à estação. Como se previa, o comboio já saíu de Lisboa com pouquíssimos lugares vagos.

À chegada a Ovar, Luís tomou o comando das operações, pois mais ninguém conhecia aquela região como ele. Apanharam um autocarro para a praia do Furadouro, que os deixou a cerca de 500 metros da pousada. Quando ali chegaram há muito que a hora do almoço tinha passado. Depois de distribuídos pelos respectivos quartos, tomaram banho e, com alguma fome, decidiram ir almoçar à praia. Antes de saírem foram informados que o jantar era servido a partir das 19h30 e, se desejassem uma saída à noite não teriam de se preocupar pois tinham uma pessoa à porta durante toda a noite.

No entanto, exaustos como estavam, logo a seguir ao almoço recolheram à pousada, onde dormiram uma boa sesta. Depois do jantar, e como o tempo estava chuvoso, decidiram reunir a equipa. Víctor era o porta-voz.

- Como o tempo não ajuda, acho melhor dar uma revisão ao regulamento dos "Castelos de Risco" para, de seguida, fazermos uns joguinhos. Que me dizem disto?

Perante a concordância de todos os elementos da equipa, Víctor prosseguiu.

- Óptimo! Acerca da data e local em que a prova se irá realizar, penso que não há duvidas: 25 de Maio, no Castelo de São Jorge. Há algum ponto do regulamento de que queiras esclarecer alguma coisa?

Como ninguém se "acusou", Víctor prosseguiu:

- Mesmo sem terem dúvidas, vou dar uma vista de olhos ao regulamento. A actividade inicia-se às 9 horas com a acreditação das equipas junto ao secretariado da prova, feita pelo respectivo chefe. Para que a acreditação seja efectiva deverá ser entregue o dossier da equipa incluindo o nome, número do B.I. e telefone de cada participante, termo de responsabilidade para os menores de idade, o nome da equipa e identificação do seu chefe. Do mesmo modo, a claque deverá proceder à sua acreditação sendo fornecido ao chefe de claque um regulamento onde serão indicadas as zonas de acesso livre. Alguma dúvida até aqui?

- Não, chefe! - disse Rúben na brincadeira.

- Óptimo! O horário da prova desenrolar-se-á do seguinte modo. A acreditação da equipa será feita a partir das 8h30 e terminará às 9h20. As equipas que não se apresentarem na acreditação até ao limite da hora estipulada, sem qualquer tipo de tolerância, serão eliminadas. Portanto, convém levantar cedo para não haver problemas. Os elementos da equipa não poderão carregar sacos ou mochilas durante a prova. Transportarão, apenas, o material que lhes for entregue no momento da acreditação. O resto ficará entregue aos membros da claque. Das nove e meia até muito perto das dez será o desfile. Às dez em ponto terá início a primeira etapa, ou estação, como preferirem. Cada estação, com excepção da quarta, terá a duração de 45 minutos. A primeira começa às 10h00 e termina às 10h45; a segunda vai das 10h45 às 11h30; a terceira das 11h30 às 12h15; a quarta das 13 às 14h30; a quinta das 14h30 às 15h15 e a última das 15h15 às 16. O almoço, como já se devem ter apercebido, será entre a terceira e a quarta etapas, das 12h15 às 13h00. O jogo final decorre a partir das 16h15 até às 17h00, mais coisa, menos coisa.

Como as dúvidas continuavam sem existir, Víctor prosseguiu:

- No momento da acreditação será entregue ao chefe de equipa as camisolas de identificação que deverão, obrigatoriamente, ser usadas no decurso da prova. O almoço processar-se-á num local assinalado na carta de prova, para o qual cada equipa se deverá dirigir a fim de neutralizar à hora exacta. A actividade será orientada por um Director de Prova, que poderá interromper a mesma sempre que considere necessário a manutenção da ordem e da segurança. Passaremos agora aos jogos propriamente ditos. A actividade está organizada num sistema de rotação em seis estações ou etapas, acrescidas de uma prova final. Esta será jogada por todas as equipas em simultâneo, no mesmo local. Em todas as estações haverá uma participação conjunta de duas equipas. Todas as equipas iniciam a prova ao mesmo tempo e executarão as mesmas tarefas segundo uma ordem de rotação diferente, de acordo com o estabelecido na carta de prova a ser entregue ao chefe de equipa. Em cada estação estará sempre um ou mais elementos da ARISCO, responsáveis pela apresentação, segurança e pontuação da tarefa proposta. Cada equipa dispõe cerca de 30 minutos para se deslocar de uma estação a outra, tomar conhecimento da tarefa, planear a sua resolução e executá-la. Na prova final toda a equipa participa ao mesmo tempo no jogo. Em todas as provas apenas poderão participar dez elementos, mas atenção porque cada jogador terá de participar, no mínimo, em três etapas. E eu digo atenção porque este é um factor que poderá contribuir para a perca desnecessária de pontos. Atingido o tempo limite - os 30 minutos - a execução da tarefa é interrompida, contando para a pontuação o número de elementos que nesse momento já tiverem concluído a sua prova. No final de cada estação, completando os 45 minutos da mesma, segue-se um período de reflexão sobre a vivência do jogo e temas que lhe estejam associados. Após cada período de tempo soará um sinal sonoro que marcará a mudança de fase, quer seja para a reflexão, quer seja para a rotação. Nenhum membro da equipa poderá abandonar a área da estação sem o consentimento dos responsáveis da tarefa. Alguma dúvida?

- Esses quinze minutos de reflexão contam para a classificação final?

- Excelente pergunta, Vera! Conta pouco, mas conta, senão não fazia sentido que ela fosse feita em conjunto, pelas duas equipas que se encontrarem nessa estação. Esta pequena pausa será, como já disse, para reflectirem sobre a vivência do jogo mas, mais importante do que isso, será falarem sobre temas que lhes estejam associados. Mais alguma pergunta?

Perante o silêncio de todos, Víctor prosseguiu:

- Como sabem, as equipas participantes serão pontuadas ao longo das seis etapas, segundo diferentes critérios. Pode parecer-vos estranho, mas a eficácia na execução das tarefas será o menos importante para o júri. O júri atribuirá um máximo de 100 pontos ao vosso desempenho. O que realmente interessa para ele é o funcionamento do grupo como um todo, atribuindo em cada etapa um máximo de 140 pontos, mais um bónus de 35 pontos que serão distribuídos consoante vários factores. Os pontos são atribuídos pelos membros da organização, não sendo passíveis de protesto ou contestação. Como é óbvio, a vitória será atribuída à equipa que obtiver o maior número de pontos. Agora prestem muita atenção numa coisa que eu referi à pouco. Mesmo que o vosso desempenho físico seja relegado para segundo plano, é lógico que não poderão ir para o Castelo de São Jorge com caras de carneiro mal morto! Tentem dar o vosso melhor para, no final, se classificarem num lugar que honre a nossa freguesia. Uma coisa vos peço, ou melhor, duas numa! No dia da prova não convém mesmo nada ir para o Castelo com cara de derrotados, mas também não vão para lá convencidos de que a vitória esta no papo. Para mim, esse é o pior adversário de uma equipa que pretende ter sucesso. Fiz-me entender?

- Claro que sim, mestre! - disse Maria, na brincadeira.

- Víctor, para além de não podermos chegar atrasados à acreditação, existem outros factores que poderão ditar a nossa eliminação ou penalização?

- Boa pergunta, Célia! Realmente esse risco existe, no caso do não cumprimento das normas de segurança definidas pelos responsáveis de cada estação ou, mais grave ainda, por perturbação do desempenho da outra equipa nossa adversária. Estas palavras servirão, também, para a claque de apoio, podendo a sua instabilidade ou desobediência serem responsáveis pela desclassificação da equipa que os represente.

- Que história é essa de claque?

- Cada membro da equipa poderá levar até um máximo de cinco pessoas. De familiares, ao namorado ou namorada ou a um simples amigo... É óbvio que essa pessoa terá de ser inscrita na mesma altura da equipa, pois caso contrário ficará sem almoço... Mais alguma pergunta?

Como ninguém mais tinha dúvidas, Víctor levantou-se e disse:

- Vocês são excelentes pessoas, mas eu vou dormir...

- Como é que é amanhã?

- Não se preocupem! Durmam à vontade e tomem o pequeno-almoço nas calmas, pois o tempo é que vai mandar. Se não chover iremos até à praia fazer uns jogos. Almoçamos por lá e, à tardinha, regressaremos à pousada. Se chover teremos de nos safar aqui pela pousada...

- Óptimo! Então até amanhã, e dorme bem!

- Até amanhã...

Depois de Víctor se retirar para o quarto, a grande maioria fez o mesmo. Sem sono, Sandra, Maria e Luís ficaram mais um pouco na sala a conversar. Maria foi a primeira a ir para a cama. Sozinhos, Sandra e Luís ficaram mais um pouco a namorar. Já passava da meia-noite quando recolheram ao quarto que iriam partilhar. Aquela seria a primeira noite que passariam juntos.

 

O dia seguinte amanheceu com bastante nevoeiro, que aos poucos se ia dissipando. As previsões dos meteorologistas falharam, pois ao nevoeiro sucedeu uma bela manhã primaveril. Eram quase nove horas quando o grupo comandado por Víctor se dirigiu para o imenso areal da praia do Furadouro, completamente deserto. Depois de uma corridinha à beira-mar, fizeram vários jogos que, quase de certeza teriam de fazer nos Castelos de Risco. Luís tinha um pequeno livro com inúmeros jogos de estratégia que serviu perfeitamente às intenções de Víctor. Jogos que tinham como objectivo principal pôr aquele grupo a funcionar como uma verdadeira equipa, onde todos se ajudassem mutuamente. Jogos em que todos tivessem que desempenhar o papel de protagonista. A segur ao almoço, num dos muitos bares da praia, seguiu-se uma tarde de merecido descanso. A noite foi passada a passear pela cidade de Ovar.

A chuva prevista para sábado veio na manhã de domingo, que foi passada na pousada no mais absoluto repouso. Luís e Sandra passaram-na a namorar, longe de tudo e de todos. O regresso a Lisboa foi feito a seguir ao almoço.

 

CONTINUA...

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