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22
Ago17

Capítulo 61

por Pedro Rodrigues

O tempo vai passando. Durante todo o mês de Abril, Sílvia continuou sem dar sinais de vida. No dia 10 de Maio, Luís, Sandra e Maria foram comemorar o 19.º aniversário desta com um jantar num restaurante da Baixa. No dia seguinte, Sandra teve uma visita completamente inesperada. Pensando tratar-se de Luís correu para a porta a abri-la...

- Que fazes tu aqui, Sílvia?!

- Posso? Preciso ter uma conversa urgente contigo...

- Acho que não temos mais nada a dizer uma à outra...

- Por favor, Sandra! Estou desesperada...

- Não brinques comigo!

- Nunca falei tão sério em toda a minha vida!

- Despacha-te... estou à espera do Luís para irmos sair. Anda aqui para a sala-de-estar...

- Este tempo todo sem vos aparecer fez-me ver o quanto fui injusta para vocês os dois...

- Até onde é que queres chegar com isso?!

- Apenas quero o teu... o vosso perdão! Não imaginas como estou arrependida...

- Arrependida?! Como é que queres que eu acredite em ti depois de tudo o que nos fizeste?

- Por favor, Sandrinha... acredita em mim! - disse Sílvia ajoelhando-se aos pés de Sandra.

- Não sejas ridícula! Por melhor actriz que tentes ser, não sou parva para cair de novo no teu jogo!

- O que é que queres que eu faça para acreditares em mim?!

- Absolutamente nada! Só quero que te vaz embora e que nos deixes em paz! Será que o Mário não te chega?

- Há muito tempo que eu e o Mário acabámos... ele apenas me usou como objecto de prazer! Preciso tanto de um ombro amigo para desabafar...

- E a tua amiga Carla?

- Não sei... inexplicavelmente, quando eu e o Mário começámos a namorar, deixou-me de falar. Há meses que nada sei dela... Não aguento mais esta solidão...

Naquele momento, Luís bate à porta de Sandra. Assim que esta lhe abre a porta, diz-lhe:

- Nem vais acreditar se eu te disser quem é que está cá em casa...

- Quem?!

- Anda ver com os teus próprios olhos...

Luís entrou na sala de Sandra e encarou com Silvia.

- Já desconfiava que pudesses ser tu...

Sílvia, ao ver Luís, abraça-se a ele a chorar.

- Pelo amor de Deus... perdoem-me! Estou tão arrependida...

- Pára, Sílvia! Não achas que é tarde demais para arrependimentos?

- Eu sei que tudo o que eu vos fiz não se fazia ao pior inimigo... mas será que uma pessoa não tem o direito de errar?

- Olha, Sílvia... amanhã conversamos melhor sobre este assunto. Agora faz-me o favor de te ires embora porque eu e a Sandra temos mais que fazer!

- Amanhã?! Quando?

- Depois falo contigo...

- Óptimo! Também estás convidada, Sandra...

- Muito obrigada, mas não estou minimamente interessada! Espero que se divirtam!

- Se é assim... até um dia destes!

Assim que Sílvia saiu, Sandra disse:

- Muito bem! Pelo que estou a ver, tudo se conjuga para que os pombinhos fiquem juntos de novo...

- Estarei a ouvir bem?! Estás com ciúmes da Sílvia?

- E não tenho motivos para estar?

- É claro que não, Sandrinha! Já esqueceste tudo aquilo que te prometi?

- Não, mas...

- Mas o quê?!

- Tenho medo de te voltar a perder... de que tudo se repita...

- Oh Sandra, não digas isso... eu amo-te!

- Repete o que acabas de dizer...

- Eu amo-te! Talvez como nunca amei ninguém em toda a minha vida...

 

No dia seguinte, um domingo, Luís ligou para Sílvia com a finalidade de se encontrar com ela. Esta convidou-o a jantar em sua casa, convite que Luís aceitou prontamente.

- Estou tão contente por teres aceite o meu convite...

- Só fiz isto por causa da nossa velha amizade...

- Tens a certeza que é só por isso?

- Mau... não comeces!

Sílvia levantou-se, aproximou-se de Luís e tentou beijá-lo.

- Por favor, Sílvia... pára com isto!

- Não, Luís... eu ainda te amo e por ti sou capaz...

- Pára! Mete nessa cabecinha que não quero mais nada contigo!

Naquele momento, a campainha tocou. Sílvia foi abrir e, totalmente surpreendida, viu Maria do lado de fora.

- Posso?! - perguntou esta.

- Que surpresa, meu Deus! Há quanto tempo, Maria! Entra...

- Pára de ser cínica! Tu nunca gostaste de mim, para quê agora essas frescuras todas?

- Isso já faz parte do passado... não vale a pena guardarmos rancores uma da outra depois de tanto tempo! Vem aqui para a sala-de-estar conversar. Tomas alguma coisa?

- Não, obrigada! Só vim até aqui para ter uma conversa contigo...

- Óptimo! Sou toda ouvidos...

- E tu, Luís?! Estou muito admirada de te encontrar por aqui!

- Apenas aceitei um convite dela para jantar...

- E a Sandra, sabe disto? Depois de tudo o que ela vos fez... será que perdeste o juízo?

- A Sílvia apareceu ontem em casa da Sandra a dizer que estava desesperada e a precisar de ajuda...

- Tadinha! E tu acreditaste, vindo em auxílio da jovem donzela!

- Cala-te, Maria! Não sabes o que dizes...

- Quem és tu para me mandar calar?!

- Calma, não é assim que se resolvem as coisas...

- Deixa-a vir, ou julgas que tenho medo dela?

- Cala-te, Sílvia! Viémos aqui para conversar, não para lutar! Por favor, não a provoques...

- Não fui eu que comecei!

- Muito bem! Vamos conversar então! Só quero que saibas que se algo de mal acontecer à Sandra vais ter de te ver comigo!

- Ai tanto medo que eu tenho de ti!...

- Párem com isso, por favor! Maria... dá uma oportunidade à Sílvia. Queria tanto acabar com a vossa rivalidade...

- Luís, eu nem acredito que acabas de dizer uma coisa dessas...

- Maria... a Sílvia só está a pedir-te uma oportunidade! Será que custa tanto assim fazer-lhe a vontade?

- Custa sim, Luís... e muito! Agora és tu que escolhes... ou ela, ou eu!

- É essa a tua última palavra, Maria?!

- É...

- Muito bem, Maria! A escolha foi tua! Não posso abandonar assim uma amiga...

- Ai é?! Óptimo, então! A partir deste momento agradeço-te que não me procures mais!

Depois de Maria ter saído, Sílvia perguntou:

- Porque é que fizeste isso, Luís?! Ela é uma das tuas melhores amigas... não estás arrependido?

Luís e Silvia abraçam-se, como bons amigos. É claro que Luís estava arrependido, mas acreditava piamente que, mais cedo ou mais tarde, iria resolver aquilo tudo a bem.

- Luís, promete-me uma coisa... pensa bem no que aqui se passou esta noite. Foste tão injusto com a Maria! Ela tem toda a razão do mundo para não me perdoar! Por mais que me custe, tenho de assumir os erros que cometi no passado.

Perante o silêncio de Luís, Sílvia continuou:

- Estás a ver como eu tenho razão? Por favor... salva a tua amizade com a Maria enquanto é tempo!

Luís despede-se de Sílvia com um sorriso e mais um abraço.

- Esta sim é a velha Sílvia que eu conheço, e de que tanto gostei!

 

Depois de sair do prédio onde Sílvia morava, Maria foi até Campo de Ourique. Em casa de Sandra, contou-lhe tudo o que se passara, perante a estupefacção da amiga.

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