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23
Ago17

Capítulo 63

por Pedro Rodrigues

No final do dia Luís dirigiu-se a casa de Maria. Felizmente foi a própria que lhe abriu a porta.

- Será possível termos uma conversa?

- Acho que fui bem clara contigo ontem! Entra... não quero fazer nenhum escândalo aqui na escada....

Depois de Maria ter fechado a porta, Luís disse:

- Eu sei que ontem fui bastante injusto contigo...

- Ai sabes?! Não foi isso que me pareceu ontem!

- Põe-te no meu lugar, Maria! Não imaginas a pena que senti ontem da Sílvia...

- Eu não te compreendo, Luís! Depois de tudo o que ela aprontou contigo e com a Sandra, ainda sentes pena dela?! Estou muito desiludida contigo!

- Eu sei disso tudo, amiga... só não aguento é ver uma pessoa como a Sílvia sofrer daquela maneira. Que culpa tenho eu de ser assim?

- Não digas mais nada... não te culpabilizes por seres assim. Eu não vejo isso como um defeito. Também não posso escolher as tuas amizades... apenas fiquei magoada no momento em que rejeitaste a minha amizade pela da Sílvia...

- Ainda agora não sei como fui capaz de fazer uma coisa dessas! Depois de tudo o que tens feito por mim...

- Esquece lá isso agora, amigo... já falaste com a Sandra?

- Já...

- E então?

- Felizmente ficou tudo numa boa! A única coisa que me preocupa agora mesmo é o futuro da nossa amizade...

- Se a Sandra foi capaz de te perdoar, não vejo razão para que eu não faça o mesmo...

- Venha daí esse abraço, amiga...

Luís e Maria deram um longo e bem apertado abraço. Luís tinha o coração cheio de alegria.

 

E chegou o grande dia! Naquele sábado, 25 de Maio de 1996, tinha lugar a primeira edição dos "Castelos de Risco", a disputar no Castelo de São Jorge. A equipa de São Mamede - Lisboa era constituída pelos seguintes catorze elementos. Maria, Ana, Inês, Carlos, Manuel, João, Célia, Marta, Leandro, Pedro, Rute e Nuno. A Vera era o elemento mais velho. O Rúben seria o chefe. Para lá da equipa de São Mamede, os "Castelos de Risco" teriam a participação de mais onze equipas, a saber: Loures, Vila Franca de Xira, Oeiras, Cascais, Sintra, Ribamar - Mafra, Torres Vedras, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Lourinhã e Azambuja.

Às oito e meia em ponto começou a acreditação das equipas, onde ficaram a saber que todo aquele evento teria como tema principal a conquista da cidade de Lisboa aos mouros. À partida ninguém faltou à chamada. Às nove e meia todas as equipas estavam prontas para o desfile. De manhã tudo correu dentro da normalidade. As provas iniciaram-se às dez em ponto e terminaram um pouco antes do meio-dia e um quarto, seguindo-se a pausa para almoço. A primeira parte correu às mil maravilhas para a equipa de São Mamede. Das três etapas já disputadas, os alfacinhas tinham sempre levado a melhor sobre as diferentes equipas que tinham tido como adversário. A tarde já não correu assim tão bem para as cores lisboetas, conseguindo mesmo assim um honroso 5.º lugar final. A Lourinhã, a Azambuja e Torres Vedras foram, respectivamente, primeira, segunda e terceira classificadas, sendo premiadas com oito, cinco e três dias numa pousada de juventude à escolha. A seguir à entrega dos prémios, houve ainda tempo para uma fotografia onde todos os participantes, colaboradores e organizadores estiveram presentes.

A presidente da Junta de Freguesia de São Mamede decidiu presentear a equipa com uma merecida semana de férias numa pousada de juventude à escolha. Para lá dos catorze elementos da equipa, também iriam o Víctor, a Patrícia, a Diana, o Luís e a Sandra. Após uma pequena reunião entre todos, ficou estabelecido que essa semana seria passada no Minho, entre os dias 13 e 19 de Agosto. A pousada escolhida foi a de Braga.

 

Os primeiros dias de Junho passaram-se sem grandes novidades. Aproveitando um fim-de-semana que incluía o feriado do Corpo de Deus, uma tolerância de ponto na sexta-feira, dia 7 e o Dia de Portugal na segunda-feira seguinte, Luís e Sandra foram a Válega, onde aquele já não ia desde o último Verão. Como era de esperar, os dois foram muitíssimo bem recebidos pela Sofia, Fernanda e Daniel. Como o tempo estava quentinho, aproveitaram a sexta-feira, o sábado e o domingo para irem até à praia. O Furadouro foi, naturalmente, o local escolhido. Na segunda-feira, após uma almoçarada oferecida por Sofia, regressaram a Lisboa.

Na terça-feira, quando regressaram ao trabalho, tinha uma surpresa à sua espera. Na sexta-feira havia chegado à Junta de Freguesia uma carta do PS a convidar vinte pessoas da junta para uma viagem de seis dias a França. Uma noite em Bordéus, duas em Estrasburgo, uma em Paris e outra em San Sebastian, Espanha. Para além da viagem, estadia e refeições estarem totalmente pagas, teriam ainda direito a uma recepção oferecida pela presidente da Câmara Municipal de Estrasburgo, a uma visita ao Parlamento Europeu e ainda uma visita de estudo a um antigo campo de concentração da II Guerra Mundial, junto à fronteira com a Alemanha. A partida estava marcada para as cinco da manhã de sábado, 15 de Junho. A chegada seria na quinta-feira seguinte. Como só tinham três dias para preparar a viagem, Luís e Sandra começaram a fazer os contactos mal souberam da novidade. Além deles os dois, iria a D.ª Júlia, o Pedro, Víctor, Patrícia e a mãe, Ricardo, Fernando e a mãe, a Rute, Diana, Vera, Mariana, Zé, Rúben, Nuno, Leandro e Carlos. Para os vinte faltava ainda uma pessoa. Sandra e Luís reuniram-se com a presidente.

- D.ª Júlia, como ainda falta uma pessoa, podemos convidar uma grande amiga nossa?

- Claro que podem!

- Óptimo! Quando sair daqui passo por casa da Maria...

- E achas que ela pode ir?

- Claro que pode... achas que ela ia recusar uma proposta destas?

 

À tarde, antes de ir para casa, Luís foi visitar Maria.

- Gostavas de ir a França?

- Quem me dera, amigo... com toda a certeza, ainda não será este ano que farei o meu "tour" europeu...

- E se eu te disser o contrário? Ainda por cima, sem teres de pagar um tostão?

- Estás a brincar, não estás?

- Basta teres a semana que vem livre...

- Lá isso tenho!

- Então estás convidada para um passeio de seis dias, com dormidas em Bordéus, Estrasburgo, Paris e San Sebastian.

- E não se paga nada?

- A viagem, refeições e estadia estão garantidas... agora, se quiseres comprar um souvenir, visitar algum monumento que não esteja incluído no plano de viagens ou outro extra qualquer, é óbvio que isso terá de ser do teu bolso. Convém é fazeres aqui o câmbio...

- Tudo bem, com isso não há problema...

- Isso quer dizer que podes ir?

- Afirmativo! Onde e quando é a saída?

- Sábado, às cinco da manhã, tens de estar à porta da sede nacional do PS, no Largo do Rato... Eu venho aqui ter contigo e vamos os dois de táxi...

- Combinadíssimo, amigo!

 

CONTINUA...

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