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24
Ago17

Capítulo 65

por Pedro Rodrigues

Depois de uma boa noite de sono, a viagem de regresso a Portugal prosseguiu, com uma noite de permeio em San Sebastian, já em solo espanhol. Para assistirem ao encontro entre portugueses e croatas, a contar para o Campeonato da Europa de Futebol que nesse ano se disputava no Reino Unido, pararam num simpático restaurante em Hendaye, onde lancharam. A seguir ao jogo, a viagem prosseguiu até San Sebastian. Entretanto, durante aquela quarta-feira, as setas de Cupido tinham atingido mais dois jovens corações daquele grupo: Víctor e Maria. Desde que saíram de Paris que os dois viajavam juntos. A conversa entre ambos estava bastante animada. O primeiro beijo foi dado ainda antes da paragem para assistirem à vitória de Portugal sobre a Croácia.

No dia seguinte cumpriu-se a última etapa daquela inesperada viagem, entre San Sebastian e Lisboa, com paragem em Aveiro. À chegada a Lisboa, pouco depois das dez da noite, todos sentiam pena por aquela experiência única ter chegado ao fim. Durante todo o dia, o recente namoro de Maria e Víctor esteve no centro das atenções. Um e outro receberam inúmeras felicitações, pois todos sabiam que formavam um casal perfeito. Obviamente, os mais contentes eram Sandra e Luís, pois Víctor era um bom carácter, leal e sincero, ou seja, tudo do que Maria precisava para ser feliz. No Largo do Rato fizeram-se as despedidas. Sandra para Campo de Ourique, Víctor para São Mamede e Luís, juntamente com Maria, para a Estefânia. No caminho, os dois amigos iam a conversar.

- Achas mesmo que o Víctor é o rapaz ideal para mim?

- Claro que acho, Maria! Se souberes estimá-lo bem, penso que tens ali um namorado para muitos anos. Para toda a vida! O Víctor é leal, sincero, trabalhador... enfim, um óptimo partido para ti!

- Acho que tens razão, Luís... espero que ele também me saiba estimar.

- Quanto a isso creio que podes estar descansada. Sinceramente, cheira-me que tens aqui uma oportunidade de ouro para agarrares, de uma vez por todas, a tua felicidade. Não a desperdices, amiga! Tudo o que eu mais quero e desejo é ver-te feliz!

- Nem imaginas como me faz bem ouvir essas palavras vindas de ti... és mesmo o melhor amigo que alguém pode ter!

Ao ouvir aqui, Luís sorri e abraça Maria, depositando um beijo na testa da amiga.

- Adoro-te muito, amiga!

 

Sexta-feira, 21 de Junho de 1996.

No dia seguinte ao final de uma viagem completamente inesperada, pouco ou nada houve para fazer. Luís foi à Junta de Freguesia somente para marcar presença. Por outro lado, Sandra só apareceu de tarde, pois a sala do São Mamede Jovem esteve o dia quase todo encerrada. Depois de cumprimentar o namorado, perguntou-lhe:

- Queres vir passar o fim-de-semana comigo a Marinhais?

- Quando é que vais?

- Assim que sair daqui...

- Tenho de ir a casa fazer a mala. Se quiseres esperar por mim...

- Claro que espero, Luís! Os meus pais passam aqui para me buscar às seis, vamos a tua casa e depois arrancamos...

- Óptimo!

- Tens alguma coisa para fazer aqui?

- Não...

- Anda ali para a minha sala fazeres-me companhia...

- Vou só ali perguntar à D.ª Júlia se precisa aqui de mim...

- Estou à espera na minha sala...

Luís bateu à porta da presidente que o autorizou a entrar.

- D.ª Júlia, precisa de mim aqui na recepção?

- Para já não... porquê?

- Por nenhum motivo em especial... foi apenas a Sandra que me pediu se eu lhe ia fazer companhia para a sala dela...

- Vai à vontade! Se precisar de ti eu chamo-te...

- Muito obrigado!

Luís deu meia-volta e foi ter com Sandra. Entrou no gabinete da namorada e fechou a porta.

- Estás com frio?!

- Não! Apenas quero namorar um pouco... - disse Luís beijando Sandra, que naturalmente lhe correspondeu.

O resto da tarde foi passada no meio de pouca conversa e, obviamente, muitos beijos. Pouco passava das seis da tarde quando os pais de Sandra chegaram à Junta de Freguesia de São Mamede.

- Pai, importa-se de passar pela Avenida Praia da Vitória para o Luís ir buscar as coisas dele?

- Claro que não, filha! Já estão prontos?

- Quase! É só um minuto!

Luís e Sandra dirigiram-se ao gabinete da Presidente para se despedirem e lhe desejarem um bom fim-de-semana. Na rua entraram para o carro de Alberto, onde já estava a mãe de Sandra, Rosa.

 

Com a ajuda de Sandra não foram precisos dez minutos para Luís ter tudo pronto para um fim-de-semana em Marinhais. Com o trânsito todo que "apanharam" para saírem de Lisboa, demoraram quase hora e meia para chegarem àquela vila ribatejana do concelho de Salvaterra de Magos. Como o tempo estava convidativo, a seguir ao jantar Luís e Sandra foram dar um passeio pela vila. A cada canto, em cada esquina, paravam para se beijarem.

- Vou fazer de ti a mulher mais feliz do mundo... prometo!

- Não prometas coisas que não possas cumprir...

- Estás com dúvidas, Sandrinha?

- Não, mas...

- Mas o quê?!

- Quando penso nas promessas que o meu último namorado me fez... na tua recaída pela Sílvia e, pior do que tudo, naquilo que o Mário me fez...

- Sandra, olha bem para mim... alguma vez te menti?

- Perdoa-me estas minhas desconfianças e tonterias, mas é que eu já sofri tanto. Mas, apesar de tudo, bem sei que posso confiar em ti...

- Eu amo-te, Sandra... e nada nem ninguém há-de alterar o que sinto por ti!

- Esquece esta nossa conversa, Luís... eu também te amo... muito! - disse Sandra beijando-o.

 

Àquela hora, Maria e Victor tomavam um copo no Irish Pub, entre um dedo de conversa e alguns beijos.

- Se me dissessem que era preciso ir a França para arranjar uma namorada lisboeta eu, simplesmente, não acreditava! Tu acreditavas?

- Acho que não...

- Mas valeu a pena. Afinal de contas encontrei uma rapariga maravilhosa, bonita por fora e linda por dentro, simpática, alegre, leal...

- Sinto-me feliz ao ouvir tudo isso... mas será que posso mesmo confiar em ti?

- Dou-te a minha palavra de honra, Maria... - disse Víctor pegando nas mãos da namorada. No instante seguinte, os dois beijavam-se apaixonadamente. Foi Maria quem interrompeu o beijo.

- Espera... é melhor irmos lá para fora.

- Vou pagar isto...

Na rua, Víctor e Maria prosseguiram o beijo que esta interrompera no interior do bar. De mãos dadas, foram à beira do rio até à Praça do Comércio, onde se sentaram a namorar durante alguns minutos. A partir daqui atravessaram a Baixa e subiram ao Chiado e Bairro Alto. Neste bairro, Víctor levou Maria até ao Tacão, um simpático bar situado na Travessa da Cara, junto ao Jardim São Pedro de Alcântara. Poucos minutos depois de ali terem entrado, quando já estavam servidos, a Inês, a Sílvia e a Ana apareceram acompanhadas por três rapazes. Para felicidade de Maria, Ana foi a única que lhe foi falar.

- Que surpresa, Maria! Como está a minha amiga?

- Estou óptima! O mesmo já não se pode dizer de ti...

- Porquê?!

- Que bela companhia arranjaste para esta noite...

Fingindo não ter ouvido o comentário da amiga, Ana apresentou-lhe o seu namorado. Aproveitando a onda, Maria fez o mesmo em relação a Víctor. Quando Ana se afastou, este perguntou:

- Que comentário foi aquele quando a Ana te veio cumprimentar?!

- Resquícios dos meus tempos de escola... nada que possa incomodar o nosso futuro! É melhor esqueceres...

- Se quiseres ir para outro bar não me importo...

- A sério?!

- Claro que não! O que não falta para aí são bares...

Depois da despesa paga, Víctor e Maria abandonaram o Tacão. Cá fora decidiram ir até ao jardim de São Pedro de Alcântara, onde se sentaram a observar Lisboa à noite enquanto namoravam.

 

CONTINUA...

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