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24
Ago17

Capítulo 66

por Pedro Rodrigues

Em Marinhais, o fim-de-semana passou-se num abrir e fechar de olhos. Muito sol, algum vento e temperatura amena foram os condimentos essenciais para um excelente fim-de-semana, aproveitado, acima de tudo, para descansar da fatigante viagem-relâmpago a França. Sábado de manhã foram às compras a Salvaterra. Para o almoço fizeram um churrasco de comer e chorar por mais. A tarde foi passada numa acolhedora sombrinha da média propriedade de Sandra. À noite foram a um bar situado bem no centro de Marinhais. No domingo, a seguir ao almoço, regressaram a Lisboa.

Após a azáfama dos Castelos de Risco e da viagem-relâmpago a França, a normalidade voltou à Junta de Freguesia de São Mamede. O que restava de Junho e a primeira semana de Julho passaram-se num abrir e fechar de olhos. Entretanto, ficou definido o programa oficial da semana que a equipa dos Castelos de Risco iria passar ao Minho, entre 13 e 19 de Agosto. Os principais destaques seriam as visitas a Braga, Viana do Castelo, Barcelos, Guimarães, Gerês e, como não podia deixar de ser, o Porto. Três noites passadas na Pousada de Juventude de Braga, duas em Vila Nova de Cerveira e a última no Porto.

6 de Julho, Sandra e Luís iniciaram uma semana de férias, que iriam passar a Válega. A chegada de Luís à sua terra-natal foi, obviamente, um grande acontecimento, pois ninguém estava à espera da visita daquele filho da terra. Com naturalidade, Sofia, Daniel e Fernanda fizeram uma grande festa ao amigo. À noite, após o jantar, Sandra e Luís foram a casa de Sofia. Esta levou-os para o terraço da casa, onde ficaram a conversar até lhes dar o sono.

- Parece que à terceira foi de vez, amigo! Espero que este vosso namoro seja como as pilhas Duracell, que duram e duram...

- Se depender de nós, podes ter a certeza que ele será mais duradoiro que mil pilhas Duracell!

- E penso que chamarmos namoro à nossa relação é pouco...

- Porquê, Sandra?!

- Os meus avós ainda não te contaram nada?! A partir de Setembro vamos viver juntos...

- Hmm! Então quer dizer que em breve vamos ter casamento!

- Para já ainda não pensámos nisso, mas quem sabe se um dia não o faremos!

- Acho que fazem muito bem! Vocês amam-se, e quando assim é penso que vale a pena. Do fundo do meu coração, desejo-vos toda a felicidade do mundo!

- Obrigada, Sofia!

- Eu é que tenho que te agradecer, Sandra... felizmente o Luís superou o trauma causado pela morte da Teresa e, mais importante do que isso, conseguiste fazer esquecê-lo a Sílvia... É verdade! Como é que está a vossa amiga Maria?

- Está óptima! Namorado novo e, quem sabe, definitivo...

- Espero que tenhas razão, Sandra! Ela também já passou um bom bocado por causa dos rapazes... Quando é que ela pensa vir até Válega? Gostava de a rever...

- Porque é que não vais a Lisboa passar uns dias?

- Temos de combinar isso...

- E tu Sofia... já tens namorado?

- Quer dizer... não é uma relação tão séria como a vossa, mas pode-se chamar de namoro...

- Muito bem! Alguém que eu conheça?

- Acho que não... ele mora em Avanca.

- Aí não conheço ninguém, à excepção da presidente da Junta de Freguesia de São Mamede...

- Estava tão distraída que nem vos ofereci de comer nem de beber...

- Não te preocupes! Nós vamos é embora, pois estou a cair de sono...

- Amanhã pensam ir a algum lado...

- Talvez! É questão de combinar com a Fernanda... mas será que vai dar? Está a noite cinzenta e tenho a ligeira sensação que amanhã vai chover. O vento está a soprar do lado do Furadouro, e quando assim é...

 

O dia seguinte amanheceu chuvoso. Sandra levantou-se, foi à janela e reparou que estava a chover pela "miudinha".

- Sabes uma coisa?! Está a chover...

- Ontem à noite parece que adivinhava...

- Estou mesmo a ver que o nosso passeio...

- Óptimo! É da maneira que descansamos. Se de tarde melhorar, levo-te a Ovar e ao Furadouro, mas agora...

Luís puxou Sandra para si e beijou-a, iniciando uma manhã de intenso amor e paixão.

 

O que restava daquela manhã de domingo foi passado em casa. A chuva só parou pela hora de almoço. Aos poucos as nuvens foram desaparecendo, dando lugar a uma tarde soalheira. Apenas o vento estragava aquele cenário. Nem parecia um dia de Verão. Como haviam combinado de manhã, Sandra e Luís foram passar a tarde ao Furadouro, mas para não "chatearem" a Fernanda, Luís convidou os avós para irem com eles até à praia. Assim, passaram uma tarde bem agradável entre alguma conversa e muitos beijos. Até o vento se associou à "festa", pois parou de soprar com a intensidade da hora de almoço.

Enquanto os avós de Luís descansavam numa esplanada da avenida central, este e Sandra foram passear até à praia. Àquela hora, muito por culpa da chuva e do vento que se fizeram sentir, a praia estava praticamente deserta. Percorreram a avenida até ao extenso paredão que delimitava a zona reservada aos nudistas. Em seguida dirigiram-se até à beira-mar, onde selaram mais um beijo daquele doce namoro. Depois, sempre junto ao mar, atravessaram aquele imenso e limpo areal, onde assistiram ao desembarque de uma companha de pesca.

- Agora são os tractores que puxam as redes para terra, mas antigamente quem fazia este trabalho eram os bois. Era a tradicional arte xávega...

- A sério?! Adorava ver...

- Ainda sou desse tempo... lembro-me como se fosse hoje!

Luís e Sandra iniciaram o caminho de regresso até junto dos avós. Após o lanche foram até casa. À noite, a seguir ao jantar, receberam a visita de Sofia, Fernanda e Daniel. Como a noite estava fresca, Luís levou-os para a sua sala do primeiro andar.

- Foram sair de tarde? - perguntou Fernanda.

- Fomos ao Furadouro com os meus avós, e como queríamos estar um pouco sozinhos, resolvemos não vos convidar.

- Compreendo...

- É verdade! Ontem nem vos contei uma coisa... Adivinhem lá quem é que esteve cá há pouco menos de um mês...

- Não faço ideia...

- A Sílvia.

- Como é que ela veio até cá?!

- No carro do namorado... estiveram cá um fim-de-semana.

- E dormiram onde?

- Em minha casa...

- Estranho a minha avó não me ter dito nada!

- É natural! Ela nessa altura estava para Lisboa!

- Pois...

- E o que é que ela veio cá fazer?! - perguntou Sandra, algo desconfiada.

- Matar saudades dos amigos que fez por cá. Eu digo-vos uma coisa! Depois de tudo o que ela vos fez jurei que nunca mais lhe falava, mas...

- Mas o quê?!

- Ela está totalmente diferente! A Sílvia era uma rapariga alegre e divertida, agora é uma mulher triste, melancólica, nem dá para explicar! Não vos quero alarmar, mas penso que ela não ama de verdade aquele rapaz. Para mim, a Sílvia apenas está com ele para te esquecer, Luís.

- Olha a minha cara de preocupado! Isso é um assunto que só ela poderá resolver...

- A Sílvia é muito fingida, Sofia... não podes acreditar nela!

- E além do mais, eu amo a Sandra. Não posso negar que a amei, foi bom enquanto durou, mas isso pertence ao passado. Ela para mim é apenas uma boa amiga...

- Bom, é melhor mudar de conversa...

- Acho bom mesmo! - disse Sandra.

- Estás com ciúmes, Sandrinha?

- Não, seu tonto! Só não quero que te lembres de coisas tristes! - disse Sandra beijando Luís.

Sofia, Fernanda e Daniel, vendo que estavam a mais, foram em bicos de pés até à porta que dava para o quintal e daqui para a rua.

- Até amanhã!

Luís e Sandra tão empenhados estavam no seu beijo, que nem deram pela saída dos amigos.

- Onde é que se meteram todos?!

- Devem ter-se ido embora para nos deixarem sozinhos...

- Malta porreira esta! Vocês sempre foram amigos?

- Desde pequeninos. Éramos um grupo inseparável...

- Eram, não... são!

- Para onde ia um, os outros iam logo atrás...

- Amizades assim valem a pena. Hoje em dia, já não se encontram amigos como antigamente.

- São raras, mas ainda se podem encontrar. Como tu e a Maria...

- Não tens sono?

- Eu já dormia, sim...

- Então do que é que estamos à espera?

- Vou só lá abaixo ver se a porta da rua está trancada...

 

CONTINUA...

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