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25
Ago17

Capítulo 67

por Pedro Rodrigues

Os dias entre 8 e 12 de Julho foram passados em pequenos passeios ou, simplesmente, em casa. A semana começou com temperaturas amenas, mas à medida que um novo fim-de-semana se aproximava, o calor ia apertando. O Furadouro e a ria de Aveiro foram os locais escolhidos para vários piqueniques. Na sexta-feira foram à vizinha Vila de Avanca assistirem a um concerto dos Santos e Pecadores. O dia seguinte foi aproveitado para o regresso à capital.

A primeira semana após as mini-férias em Válega passou-se sem grandes novidades. Sandra e Luís empenharam-se a fundo na preparação da magnífica semana que iriam passar no Minho em meados de Agosto. Para além deles, estavam inscritos o Víctor, a Patrícia e a Diana, mais os catorze elementos da equipa dos Castelos de Risco. Mas feito os contactos para confirmar a ida à viagem, dos catorze que estiveram no Castelo de São Jorge apenas o João e a Maria disseram que podiam ir. Sendo assim, com apenas oito pessoas disponíveis, Júlia decidiu alugar uma carrinha de nove lugares. Como faltava preencher uma vaga, Sandra e Luís convidaram a própria presidente que aceitou prontamente.

 

2.ª Feira, 22 de Julho de 1996.

Naquela noite, Luís convidou Sandra e Maria para jantarem em sua casa. Após o jantar, para surpresa de todos, receberam a visita de Sílvia. Quem lhe abriu a porta foi Maria.

- O que fazes tu aqui? Se não te lembras eu reavivo-te a memória... não és bem-vinda a esta casa!

- Maria, por favor... preciso da vossa ajuda...

- Quem é, Maria?

- Entra...

Sílvia obedeceu a Maria e, à sua frente, dirigiu-se à sala onde encontrou Luís e Sandra.

- Sílvia?!

- Por favor... preciso da vossa ajuda!

- O que é que te aconteceu, miúda?!

- Estou grávida do meu ex-namorado...

- E isso é motivo para estares assim?

- Os meus pais quando souberam puseram-me fora de casa...

- Não acredito! Os teus pais não seriam capazes de uma coisa dessas...

- Por favor, acreditem em mim! Para além de ter sido expulsa de casa, o Rúben, o meu ex-namorado, não quer mais saber de mim. Há quase um mês que terminámos e agora, quando fui procurá-lo, deixou bem claro que não me ia ajudar...

- Vocês terminaram porquê?

- Não dava mais para continuar com um namoro que, praticamente, só existiu na minha cabeça...

- Como assim?!

- O Rúben não era fiel. Enquanto durou o nosso... o nosso relacionamento, curtiu, no mínimo, com mais duas raparigas. Por mais que eu fingisse que não sabia de nada, por mais que eu o amasse, houve uma altura em que tive de dizer basta. Para isso foi preciso apanhá-lo em flagrante... e vocês nem imaginam o quanto me custou fazer isso. Tivemos uma enorme discussão, mesmo à frente da rapariga com quem ele estava, e acabámos tudo. Mas hoje, ao procurá-lo para lhe mostrar as provas da minha gravidez, pôs-me na rua... tal e qual como os meus pais.

- Quer dizer que não tens onde dormir esta noite...

- Não...

- E a tua amiga Carla?

- Quando andei com o Mário, no princípio deste ano, deixou-me inexplicavelmente de me falar. Já liguei para casa dela mas ninguém atende...

Para surpresa de Sandra e de Luís, Maria tomou a iniciativa de ser a primeira a tentar resolver aquele problema.

- Olha Sílvia... esquecendo tudo o que nos desuniu, pondo uma pedra em cima de tudo o que nos fizeste no passado, e acreditando em ti, convido-te a ires para minha casa, pelo menos até resolveres a tua situação. Não te posso deixar ao relento, por mais calor que esteja...

- Oh Maria... tu não existes! - disse Sílvia abraçando-a.

- Ora aí está uma coisa que não esperava ver hoje! - disse Sandra boquiaberta.

- Se não estivesse a ver, pura e simplesmente não acreditava!

- Luís, posso contar com a tua ajuda para resolver este meu problema?

- Claro que podes, Sílvia! Afinal de contas, para que servem os amigos?

E assim, sem estarem à espera, aquela noite tornou-se na da reconciliação de Silvia com Sandra e Maria. Ao despedirem-se, Luís pediu a Sílvia os contactos do tal Rúben.

- Para que é que queres o contacto dele?

- Depois saberás... outra coisa, a que horas posso apanhar os teus pais em casa?

- A partir das cinco, a minha mãe, e um pouco mais tarde o meu pai. O mais seguro é à noite.

- Óptimo! A partir de amanhã vou tentar ajudar-te a sair deste buraco em que o Rúben te meteu...

- Não sei como te agradecer, Luís!

- Não precisas amiga... só estou a cumprir a minha obrigação como teu amigo!

 

No dia seguinte, Luís foi a casa de Maria a seguir ao jantar.

- A Sílvia está cá?

- Está... anda comigo.

Maria conduziu Luís até à sua sala-de-estar.

- Sílvia, o Luís quer falar contigo... querem estar sozinhos?

- Não! O que eu tenho para lhe dizer não é nenhum segredo de estado...

Depois de ter cumprimentado a amiga, Luís prosseguiu.

- Sílvia, preciso de saber qual é o ponto fraco do Rúben...

- O Rúben é um grande cobardolas, com estilo de playboy. Ao contrário do filho, o pai dele é um homem de palavra, e nunca iria admitir que ele abandonasse uma rapariga a quem tivesse feito um filho. Aposto contigo que o pai dele nem sabe de nada.

- Hmm... tudo isso que acabas de me dizer deu-me uma grande ideia...

- O que é que estás para aí a maquinar?

- Um plano para obrigar esse playboyzinho a reconhecer que a criança que esperas também é dele...

- Luís, eu não quero obrigar o Rúben a nada! Só queria poder voltar para minha casa...

- Mesmo assim, não custava nada pregar um valente susto a esse menino mimado... importas-te de fazeres de isco?

- Como?!

- Marcando um encontro com ele...

- Um encontro?! Ele não me quer ver nem pintada!

- Não estás a perceber... fazes-te passar por uma amiga dele.

- E se ele me reconhece? Imagina que eu me fazia passar por alguém que estivesse com ele quando lhe ligasse...

- Não custa nada tentar! Era preciso muito azar, caraças! Topas?

- Topo!

- Então, do que é que estamos à espera? - disse Luís pegando no auscultador.

- Espera... o que é que lhe vou dizer?

- Vais marcar um encontro com ele num local à tua escolha... convém é que não seja muito frequentado...

- Já sei onde vai ser... no miradouro do Jardim da Estrela!

- Boa! Excelente escolha!

Sílvia ligou para Rúben, fazendo passar por uma amiga que este já não via há bastante tempo, dizendo-lhe que tinha alguma urgência em falar com ele. Quando desligou o telefone, Sílvia disse:

- Tudo combinado! Na 5.ª Feira, às três da tarde, vou-me encontrar com ele no tal miradouro do Jardim da Estrela.

- Óptimo! Até lá, vou preparar-lhe uma uma recepção inesquecível!

- Vê lá no que te metes...

- Não te preocupes, amiga... quando se trata de ajudar alguém de quem gostamos não olho a meios para atingir os meus objectivos. Antes que me esqueça... convém é não chegares ao local antes dele.

- Porquê?!

- Imagina que ele no caminho até ao miradouro te via...

- É verdade... mas e se ele me vê na mesma?

- Se ele já lá estiver em cima, da maneira que estou a planear as coisas, depois não terá por onde fugir.

- Deus queira que corra tudo bem...

- Vai correr sim, amiga!

- Uma vez mais, muito obrigada por tudo!

- De nada amiga... agora vou para casa ver se durmo, pois amanhã é dia de trabalho! Até amanhã e durmam bem! - disse Luís despedindo-se das duas amigas.

 

CONTINUA...

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