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22
Jul17

Capítulo 7

por Pedro Rodrigues

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No dia seguinte Sílvia acordou cedo, pois tinha aulas logo às nove horas. O autocarro para o Marquês de Pombal saiu de Queijas às oito e picos e fez o percurso directo pela auto-estrada até Lisboa. Com o tempo bom ela sabia que não haveria problemas de maior com o trânsito. Tomou o pequeno-almoço, arrumou a mochila e saiu para a rua. À hora do costume lá estava o autocarro. À entrada da A5 verificou que não havia muito trânsito. Até ao início da descida de Monsanto para o Viaduto Duarte Pacheco foi sempre a andar. A partir daqui e até às Amoreiras é que as coisas se complicaram mais. Mesmo assim, conseguiu chegar ao Marquês de Pombal a tempo e horas de não chegar atrasada à primeira aula. Apanhou o Metro até às Picoas e depois era só andar mais um bocado e já estava na escola. Ao chegar à porta do Liceu Camões encontrou Luís e João.

- Bom dia! Chegaram cedo!

- Cedo?! Eu é que estou admirado por já cá estares... - disse João.

- Tu sabes como eu sou, não gosto de chegar atrasada...

- Mudaste muito, Sílvia! A que se deve essa mudança?

- Tu sabes que a partir do 10.º ano as nossas responsabilidades aumentam. E se quiseres passar tens que dar o litro desde o início. Por isso, decidi uma coisa muito importante! A partir de agora acabaram-se os atrasos!

- Muito bem!

- A Carla já chegou?

- Ainda não a vi, mas provavelmente já deve estar lá para dentro...

- Ficam aí ou vêm fazer-me companhia?

- Vamos contigo! - disse Luís.

João, Luís e Sílvia entraram na escola e dirigiram-se ao pátio, onde já estavam a Carla, a Maria, a Sandra, a Ana e a Inês.

- Bom dia! Estávamoos mesmo a falar de vocês... - disse Inês.

- De nós?!

- Sim, mais precisamente do Luís...

- De mim?!

- Aqui a Carla contou-nos que és uma excelente pessoa, muito simpático e que vieste para Lisboa com a intenção de esqueceres uma certa pessoa...

- Por favor, não falem disso ao pé do Luís...

- Deixa estar, Sílvia... podem falar à vontade!

A conversa foi interrompida pelo toque que os chamou para as aulas.

 

Naquela terça-feira, Luís só tinha uma hora de almoço e, por isso mesmo, decidiu almoçar na escola, tal como a Sílvia, a Sandra, o João, a Carla, a Maria e a Inês. No refeitório, Inês decidiu continuar o seu "questionário" a Luís.

- Ainda gostas da Teresa?

- E se estivesses calada?! Não achas que fazias melhor?

- Deixa lá, Sílvia... eu não me incomodo com estas perguntas.

- Tu é que sabes!

- Tenho de admitir que sim, Inês. Eu amei, e muito, a Teresa. Namorámos três anos e enquanto durou foi bom, principalmente no primeiro ano. Por muito que ela me tenha magoado, e por mais que eu queira esquecê-la, estaria a mentir se te dissesse o contrário.

- Então, foi ela que acabou contigo...

- Foi - disse Luís baixando a cabeça, com uma expressão algo triste.

- Porquê?

- Cala-te, chata! Não vês que ele não quer falar mais sobre este assunto?

- Desculpa, Luís. Não era minha intenção pôr-te triste...

- Esquece, Inês... eu é que sou o culpado por tudo isto.

- Vamos mudar de assunto... fala-nos sobre a tua terra!

- Da minha terra?! Como?

- Sei lá... dos teus amigos, dos sítios que mais gostavas de lá, enfim... de tudo menos da Teresa!

- Se eu fosse a falar de tudo do que gosto em Ovar nunca mais saía daqui. Gosto muito da cidade de Ovar e da sua praia. O Furadouro, conhecem?

- Apenas de ouvir falar...

- Adoro a minha vila de Válega, as romarias que lá se fazem, passear, entre muitas outras coisas. Mas de tudo o que a minha terra me "oferece", aquilo que eu mais gosto é da Ria de Aveiro.

- É bonita?

- Bonita é uma palavra "pobre" para a definir. A Ria de Aveiro é um dos locais mais belos que podes ver em Portugal.

- E quanto a amigos?

- Amigos tenho poucos, mas bons. O que eu tenho é muitos conhecidos! Amigos com letra grande são só três. A Fernanda, o Daniel e, em especial, a Sofia.

- Em especial porquê?! - perguntou Sílvia.

- Gostas dela?

- Não, mas... ela é prima da Teresa, e foi a Sofia quem me deu mais apoio e carinho quando ela acabou comigo.

- Compreendo... e ela, gosta de ti?

- Apenas como amigo.

- Mas tu gostas dela! Vejo isso nos teus olhos...

- Não digas disparates, Maria! Vamos mas é lá para fora para dar-mos o nosso lugar a outros.

- Tens toda a razão, Sílvia! - disse Luís, levantando-se.

- Querem lá ir fora? - perguntou Carla.

- Não, estou aqui tão bem à sombra! - disse Luís sentando-se num banco.

- Se quiserem vão vocês, eu fico a fazer-lhe companhia.

- Muito bem! Nós vamos até lá fora... - disse Maria, saindo com Inês, Carla, Sandra e João.

 

CONTINUA

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