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27
Ago17

Capítulo 70

por Pedro Rodrigues

O tempo foi passando. O que restava de Julho passou-se num abrir e fechar de olhos. Quando Agosto chegou, o namoro de Luís e Sandra estava mais "quente" do que nunca. O mês de Setembro, que se avizinhava, foi definitivamente marcado para o início de uma vida em comum. Entretanto, Sílvia tinha-se tornado numa assídua frequentadora da sala do São Mamede Jovem. Aproveitou ao máximo a desistência de D.ª Júlia da semana de férias no Minho e, logicamente, inscreveu-se juntamente com Ricardo. A amizade deste com Sílvia estava a tornar-se, de dia para dia, mais forte. Inclusivé, já havia quem falasse num possível namoro entre os dois. Naturalmente, Sílvia andava mais feliz do que nunca.

 

3.ª Feira, 13 de Agosto de 1996.

O grande dia da partida para uma semana no Minho chegou! De manhã, Ricardo encarregou-se de ir buscar a carrinha à agência de aluguer. A seguir ao almoço, estava já tudo preparado para o início da viagem. A alegria e a felicidade eram os principais sentimentos que unia o grupo escolhido para aquela magnífica semana numa das mais fascinantes regiões portuguesas.

Sem grandes velocidades, chegaram a Braga já depois das vinte horas. Instalaram-se na Pousada da Juventude, situada no número 6 da Rua de Santa Margarida, no centro da cidade. Os nove amigos ficaram espalhados por três quartos. Num ficariam o Víctor, o João e o Ricardo. No quarto das raparigas ficariam a Patrícia, a Diana, a Maria e a Sílvia. Finalmente, e como não podia deixar de ser, no terceiro quarto ficariam a Sandra e o Luís.

A seguir ao jantar cada um tinha liberdade para escolher o seu próprio programa. Assim, o grupo de nove dividiu-se em dois. A Sandra, a Maria, o Luís e o Víctor decidiram dar uma volta pela cidade. A Rua de Santa Margarida ia desembocar ao local onde se encontram a Avenida Central e a Rua de São Víctor, duas das principais artérias bracarenses. Afastando-se do centro da cidade, foram até ao Parque da Ponte, uma belíssima área verde junto ao Estádio 1.º de Maio. Durante cerca de uma hora, os dois casais conversaram e namoraram, antes de se dirigirem de novo para o centro, onde encontraram a Patrícia, a Diana e o João, que conversavam animadamente numa esplanada da Praça da República.

- Boa noite! O resto do pessoal? - perguntou Sandra.

- A Sílvia e o Ricardo foram dar uma volta por aí e, depois, iam para a pousada...

- E nós, não tarda muito, fazemos o mesmo...

- Ah, sim... hoje levantei-me às seis e meia da manhã! - disse Diana.

- Não és a única! Vou beber mais um sumo e vou mas é descansar...

Enquanto isso, não muito longe dali, Ricardo e Sílvia conversavam num banco de jardim, situado junto à Avenida Central, em frente à Igreja de São Francisco. O assunto da conversa ainda era o mais recente namoro de Sílvia...

- Como é que o Rúben conseguiu ser tão canalha, meu Deus?! Tu não merecias o que ele te fez... o que pensas fazer agora com um bebé para criar?

- Em primeiro lugar quero estabilizar a minha vida, definitivamente... penso que não será difícil, com a ajuda do meu pai, arranjar um trabalho na Telecom...

- Sílvia, podes contar comigo para qualquer coisa - disse Ricardo, pegando-lhe na mão.

- Obrigado, Ricardo... és um amigão!

Sem deslargar a mão de Sílvia, este disse:

- Gostaria que tu me visses muito mais que a um simples amigo...

- Não percebi...

- Queres namorar comigo?

- Perdoa-me, mas não posso aceitar esse teu pedido...

- Porquê, Sílvia?!

- Em primeiro lugar porque estou grávida e, em segundo, não me quero envolver com ninguém antes de estabilizar a minha situação...

- Compreendo, mas... será que posso ter alguma esperança no futuro?

- Ricardo, não te iludas comigo. Eu não mereço o teu amor...

- Sílvia, posso fazer-te uma pergunta?

- Desde que eu saiba responder...

- Tu amas-me?

- Por favor... não tornes as coisas mais difíceis para mim...

- Sim ou não?!

- Estaria a mentir se te dissesse que não...

- Então, porquê esperar mais?

- Eu já te expliquei, Ricardo...

- Se nós nos amamos, para quê esperar mais tempo?! A tua gravidez não constituirá qualquer obstáculo para mim!

- Mesmo assim, Ricardo... preciso de um tempo!

- Não achas que depois pode ser tarde demais? Sílvia, quando eu te pedi em namoro estava a pensar numa coisa mais séria que um simples namorico de adolescentes. Nada disso! Eu quero construir uma relação estável, duradoura... um namoro para a vida!

- Ricardo, dá-me só esta noite para pensar. Só esta noite! Prometo que amanhã te darei uma resposta. Aceitas?

- Claro que aceito... o que é que eu não faço por ti, Sílvia?

Sílvia levantou-se, beijou Ricardo, e disse:

- Isto é a minha promessa de que a minha resposta de amanhã, com toda a certeza, será positiva. Vamos embora?

De mãos dadas, Ricardo e Sílvia dirigiram-se para a pousada.

 

O dia seguinte amanheceu com alguma neblina que, à medida que a manhã ia avançando, se foi dissipando. O primeiro dia completo passado na capital minhota foi aproveitado para visitar a cidade e os seus arredores. A manhã foi dedicada a um passeio pedestre pela Bracara Augusta dos romanos. A arquitectura religiosa domina toda a cidade. A Sé e as igrejas de São Francisco, da Oliveira, de Santa Cruz, da Penha de França e de São Gualter são apenas alguns exemplos. A Sé foi o templo que chamou mais a atenção do grupo alfacinha. A Catedral é uma construção típica do românico borgonhês (século XII), posteriormente adulterada, sobretudo no século XVIII; adossadas a ela encontram-se a capela do arcebispo D. Lourenço, a elegante galilé e a Capela de Nossa Senhora da Glória. Mas nem só de igrejas vive a cidade. A Casa dos Biscaínhos, a barroca Casa do Raio, o majestoso edifícioo do Hospital de São Marcos, obra-prima de Carlos Amarante, e a elegante arquitectura da Praça da República, onde se encontra a Câmara Municipal, também mereceram atenta visita.

A seguir ao almoço rumaram à pousada, onde pegaram na carrinha para um passeio pelos arredores de Braga. Para começar, uma visita ao Santuário do Bom Jesus do Monte, ao qual dá acesso um monumental escadório, ladeado de capelas com cenas da Paixão de Cristo, da autoria de Carlos Amarante. Prosseguindo a subida encontra-se no topo, a dois quilómetros de distância, o Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, que conserva uma devota imagem trazida de Roma em 1880 com uma vasta cripta, tudo enquadrado num conjunto arquitectónico monumental. Seis quilómetros a leste de Braga, a Falperra, com a Igreja de Santa Maria Madalena. Após a visita a estes três santuários, o próximo destino seria Tibães, onde se encontra um majestoso mosteiro, casa-mãe dos beneditinos portugueses.

Após visitarem o Mosteiro de Tibães regressaram a Braga, onde apanharam a estrada para Guimarães. A entrada na cidade-berço é feita através da Rua de São Gonçalo, que vai desembocar perto do Toural, o centro de Guimarães. O primeiro objectivo seriam, naturalmente, o Paço dos Duques e o Castelo. Deixaram a carrinha na Rua Serpa Pinto, junto à Praça da Mumadona, e depois era só subir uma ruazinha estreita e já estavam à porta do Paço dos Duques. Construído na primeira metade do século XV, sob a inspiração das grandes construções senhoriais de França e nomeadamente da Borgonha que o primeiro duque de Bragança conhecera pessoalmente, e abandonado no século XVI em virtude da fixação dos duques bragantinos em Vila Viçosa, viu a sua fachada principal apeada no século XVII, tendo o edifício sido restaurado a partir de 1933. O Paço dos Duques está, actualmente, transformado num notável museu e em residência oficial do Presidente da República. Próximo do Paço Ducal encontra-se a estátua de D. Afonso Henriques, da autoria de Soares dos Reis, inaugurada em 1874.

Um pouco mais acima, a vetusta Igreja de São Miguel do Castelo, em românico austero do século XII, guardando uma antiquíssima pia baptismal que a tradição afirma ter sido aquela em que o nosso primeiro rei recebeu o baptismo. No ponto mais alto da colina, o imponente e belíssimo Castelo. De regresso ao centro histórico, descendo a medieval Rua de Santa Maria, atinge-se o edifício dos Paços do Concelho, cujo rés-do-chão é um alpendre apoiado em arcadas góticas. Ao fundo da Rua de Santa Maria, à esquerda, situa-se o Largo da Oliveira, onde avulta a imponente Igreja da Senhora da Oliveira, defronte da qual D. Afonso IV ergueu um templete gótico em memória da Batalha do Salado, travada em 1340. Anexo à igreja, encontra-se o Museu Alberto Sampaio, com um belíssimo claustro românico do século XIII e a porta pré-românica da Sala do Capítulo.

Exaustos com a caminhada, sentaram-se numa esplanada do pitoresco e vizinho Largo de Santiago, onde lancharam. Como a tarde ia já bem adiantada, e ainda queriam subir à Penha, depressa "devoraram" aquela frugal refeição, limitando-se a uma sandes e um sumo para cada. Regressaram à carrinha e fizeram-se de novo à estrada, saindo de Guimarães pela estrada que liga aquela cidade a Fafe e Amarante. Sete quilómetros a leste de Guimarães, da Penha avista-se uma admirável paisagem que, em dias límpidos, vai do Marão ao Atlântico e desde o Montemuro ao Gerês. Da Penha regressaram a Guimarães e, daqui, até Braga, onde jantaram, já recolhidos na Pousada da Juventude.

Como havia prometido, Sílvia deu a Ricardo a tão esperada resposta. A seguir ao jantar chamou-o para o exterior da Pousada e, como ele esperava, a resposta foi positiva.

 

CONTINUA...

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