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27
Ago17

Capítulo 71

por Pedro Rodrigues

5.ª Feira, 15 de Agosto de 1996.

O segundo dia passado no Minho começou bem cedo para Sandra, Luís e companhia. Logo a seguir ao pequeno-almoço deixaram Braga pela estrada que liga aquela cidade a Ponte da Barca. O principal destino para aquele dia seria o Gerês. Pouco depois da travessia da vila do Prado, onde o Homem se junta ao Cávado, viraram à direita para o centro de Vila Verde, onde apanharam a estrada que se dirige para Terras de Bouro. O primeiro local a visitar foi Campo do Gerês, uma pequena aldeia abrigada nos contrafortes ocidentais da Serra do Gerês e na parte meridional da Serra Amarela. Em Campo do Gerês o destaque vai, naturalmente, para a Barragem de Vilarinho das Furnas, que submergiu a aldeia homónima em 1972. Até à sua submersão, a povoação conservou os antigos usos e costumes de regime comunitário. Dessa época, apenas resta o forno comum e as vezeiras, ou pastoreio comum. As águas represadas pela barragem atravessam a Serra do Gerês, num túnel com milhares de metros de comprimento, indo mover as turbinas situadas em Vilar da Veiga e aumentar depois o caudal da vizinha Barragem da Caniçada.

Depois da visita à barragem, a viagem prosseguiu para sul. A aldeia de Rio Caldo seria a próxima paragem. A freguesia é banhada por um meandro da Barragem da Caniçada, onde desagua o riacho que está na origem do topónimo. Como não podia deixar de ser, o Santuário de São Bento da Porta Aberta, ou de São Bentinho, foi local de paragem. Romeiros de toda a região Norte demandam o São Bentinho por alturas do 10 de Julho, dia grande da romaria e de devoção ao santo.

Regressados à estrada a próxima paragem seria nas Caldas do Gerês. As Caldas situam-se na margem esquerda de um riacho homónimo da serra onde nasce, a 468 metros de altitude, numa estreita garganta entre duas montanhas que rapidamente atingem os 900 metros. Protegidas dos raios de sol durante quase todo o dia e rodeadas de denso arvoredo, as Caldas desfrutam de uma reconhecida amenidade do clima, mesmo nos dias tórridos do estio. Igualmente, estão isentas quase por completo do assalto desabrido dos ventos. A seguir ao almoço prosseguiram viagem para Norte, em direcção à fronteira. A menos de uma dezena de quilómetros das Caldas, localiza-se a Portela de Leonte, a 875 m de altitude, situada entre os cumes do Pé do Cabril e do maciço da Borrageira, com a sua formosa cascata ou frecha na bacia do Homem. Do pico da Borrageira, constituído por um colossal amontoado granítico, que atinge os 1433 m, obtém-se uma vista de todo o Minho e de parte da vizinha Galiza. Andados mais dois quilómetros encontra-se o lugar de Albergaria, uma bacia relativamente larga, toda ela coberta por denso arvoredo, protegida sobretudo a leste por um cenário de montanhas sugestivamente decorativo, e onde se situa um ponto de piscicultura com um fervilhar de trutas em viveiro. Mais dois quilómetros, e atinge-se a histórica Portela do Homem, numa garganta que desce para a Galiza, a 822 m de altitude.

O próximo grande objectivo seria o Lindoso e a respectiva barragem. Atravessando a fronteira, seguem por uma estrada de excelente piso que se dirige às vilas galegas de Bande e Celanova. Poucos quilómetros antes da primeira destas vilas, viraram à esquerda, apanhando a estrada que os conduzirá de regresso a Portugal, pela fronteira do Lindoso. Na aldeia, onde efectuaram uma curta paragem, destacam-se o castelo (mandado erguer por D. Dinis), a igreja românica, um curiosíssimo grupo de espigueiros e a barragem hidroeléctrica inaugurada em 1919.

Prosseguindo a viagem ao longo do rio Lima atinge-se, depois de percorrer cerca de 25 quilómetros, a vila de Ponte da Barca. Disposta em suave anfiteatro, na margem esquerda do Lima, situa-se num cruzamento de estradas que ligam Viana do Castelo à fronteira do Lindoso, e Braga a Monção. O melhor monumento da vila é a sua ponte com perto de 200 metros de comprimento e dez amplos arcos. Ponte da Barca conserva o pelourinho manuelino, a Capela de Santo António, a Igreja Matriz, os Paços do Concelho e alguns belíssimos solares. Após o lanche, e depois de um pequeno passeio a pé pela vila, o regresso, sem paragens, a Braga.

Aquele cansativo e, simultaneamente, inesquecível dia, serviu para cimentar a paixão de todo aquele grupo pela belíssima região minhota. De tudo o que já tinham visto, as cidades de Braga e Guimarães e, obviamente, o Gerês estavam no "top" das preferências do grupo. Mas todos estavam cientes que, nos dias que faltavam para completar aquela magnífica semana, ainda teriam muito que palmilhar, descobrindo muitas coisas novas.

A manhã seguinte à última noite em Braga foi passada a arrumar as malas e os quartos. Já passava das dez quando deixaram Braga, em direcção a Barcelos. No interior da carrinha, a animação era mais do que muita. Ao som de muita música portuguesa, dos Delfiins aos Madredeus, passando pelos Xutos e Sétima Legião, a viagem prosseguiu entre algumas anedotas e muita conversa. A entrada em Barcelos fez-se por sul, atravessando o Cávado, rio que separa esta cidade de Barcelinhos. Assim que transpuseram a ponte tentaram arranjar um lugar para estacionar a carrinha. De seguida, deram início a um percurso pedestre por uma cidade que apresenta um conjunto arquitectónico tipicamente minhoto. Logo à entrada, passando a Rua dos Duques de Bragança, encontraram o Largo do Município, onde se situa a Câmara Municipal e a Igreja Matriz. Junto a esta, e sobranceiro ao rio, o arruinado Paço dos Duques, edificado no princípio do século XV pelo 8.º conde de Barcelos e 1.º duque de Bragança, do qual restam algumas paredes e a elevada chaminé tubular.

Depois de Barcelos seguiu-se Ponte de Lima, onde almoçaram. A seguir ao almoço deram um pequeno passeio que é considerada a mais retintamente minhota de todas as povoações portuguesas. Numa terra rica em monumentos, destaca-se a ponte que lhe deu o nome. Para além desta, a vila possui uma belíssima Igreja Matriz, merecendo ainda destaque a Capela do Anjo da Guarda, as igrejas da Misericórdia, de Nossa Senhora da Lapa, da Ordem Terceira de São Francisco e de Santo António da Torre Velha, o pelourinho e um gracioso chafariz do século XVII. A partir daqui, e até Cerveira, atravessaram um dos mais típicos trechos da paisagem minhota, onde se destaca a vila de Paredes de Coura e a paisagem protegida do Corno do Bico.

 

CONTINUA...

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