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28
Ago17

Capítulo 72 - ANTEPENÚLTIMO

por Pedro Rodrigues

Sábado, 17 de Agosto de 1996.

Para aquela manhã de sábado estava programada a subida da margem sul do Rio Minho. Porém, antes de deixarem Cerveira, uma visita a esta acolhedora vila minhota. O passeio iniciou-se pelo interior da fortaleza de Cerveira. Nele conserva-se a antiga Casa da Câmara, o pelourinho e a setecentista Igreja da Misericórdia. Para lá da fortaleza, em Cerveira merecem ainda uma atenta visita a Igreja Paroquial e o seu bem conservado e pitoresco centro histórico.

Com Cerveira para trás, a viagem prosseguiu por Valença - onde visitaram atentamente o interior da monumental fortaleza -, Monção e Melgaço. O grande cartaz turístico daquela manhã foi o planalto de Castro Laboreiro. A povoação, situada a 950 metros de altitude, é constituída por pequenos núcleos populacionais com as suas típicas casas de pedra e telhados revestidos de colmo. Os seus habitantes possuem por vezes dois tipos de moradia: a branda, onde residem de Abril a Dezembro, quando a temperatura se suaviza, e a inverneira, mais aconchegada contra os rigores da neve. O planalto onde se espraia a aldeia e se prolonga para a Galiza regista o maior conjunto de monumentos megalíticos existente em Portugal.

Após a visita a esse mundo encantado do Castro Laboreiro e o almoço em Melgaço, iniciaram a segunda etapa prevista para aquele dia: uma visita a Viana do Castelo. Antes de se dirigirem ao centro da Princesa do Lima, optaram pela subida ao monte de Santa Luzia. Lá do alto desfruta-se de um dos panoramas mais deslumbrantes que se podem observar em Portugal, com vistas sobre o casario da cidade e sobre toda aquela prodigiosa região da Ribeira Lima, entre o mar e as longínquas alturas do Gerês. De regresso à cidade, decidiram-se por estacionar a carrinha num parque à beira-rio e percorrê-la a pé. A partir daqui, e como o Luís, o Ricardo, o Víctor e a Patrícia conheciam bem a cidade, dividiram-se em quatro grupos. Sandra e Luís; Víctor e Maria; Ricardo e Sílvia; Diana, Patrícia e João. Antes de se separarem, combinaram estar às 23 horas em ponto junto à carrinha.

Víctor e Maria decidiram esticar um pouco as pernas e dar uma volta pelo centro de Viana. A Avenida dos Combatentes é a espinha dorsal da cidade. Nela desembocam todas as principais artérias de Viana, que conduzem a todos os locais de interesse que a Princesa do Lima tem para nos oferecer. O que mais cativou Víctor e Maria em Viana foi a sua arquitectura, simples e ao mesmo tempo monumental. Percorrer aquelas ruas era uma constante lição de História. Entre as ruas Cândido dos Reis e Major Xavier da Costa situa-se a monumental Praça da República. De um lado a velha Câmara Municipal, do outro o belíssimo edifício que alberga a Misericórdia vianense. Ao meio, um imponente fontanário. Descendo a típica Rua Sacadura Cabral, prolongamento da Cândido dos Reis, encontraram a imponente Sé Catedral. Continuando a descida, desembocaram no Largo João Costa, em frente a um extenso jardim que percorre grande parte da marginal do Lima. Sem disposição a mais passeios, sentaram-se num dos bancos daquele bem tratado jardim. Após largos minutos de conversa e namoro, entraram num pequeno restaurante, onde jantaram no maior "clima" de paixão. A seguir ao jantar, regressaram ao jardim, onde encontraram o resto do grupo. Como estavam todos exaustos, decidiram-se todos por regressarem mais cedo a Cerveira.

 

Domingo, 17 de Agosto de 1996.

Aquele penúltimo dia estava consagrado às festas em honra de Nossa Senhora da Agonia. De manhã foram ao Porto confirmar a inscrição à Pousada da Juventude onde ficariam instalados, pois a secretaria fechava cedo e eles queriam permanecer em Viana, pelo menos até ao fogo de artifício. Após a inscrição confirmada, arrumaram as mochilas nos respectivos quartos, fizeram as camas e, quando já passava do meio-dia, saíram para almoçar junto à Foz do Douro. De regresso a Viana do Castelo, a tarde foi passada no centro da cidade, onde assistiram às espantosas exibições de grupos de zés-pereiras. À noite, após um grandioso festival do riquíssimo folclore minhoto, o jardim à beira-rio ficou apinhado de povo para assistir a um dos mais deslumbrantes espectáculos pirotécnicos a que podemos assistir em Portugal, só comparado ao São João do Porto, conhecido como a serenata do Lima.

O último dia foi, todo ele, passado na Cidade Invicta. Após tudo arrumado, abandonaram a zona da Foz em direcção ao centro do Porto. Junto à Estação de São Bento, onde tinham estacionado a carrinha, iniciaram um extenso percurso pedestre pela cidade, com os bairros da Sé e da Ribeira em grande destaque. Mas não esquecendo também a Batalha, Santa Catarina, o Bolhão, Passos Manuel, os Aliados e a zona dos Clérigos. Já passava das cinco da tarde quando iniciaram a viagem de regresso a Lisboa, onde chegaram já depois das 21 horas.

 

CONTINUA...

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4 comentários

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De marta-omeucanto a 28.08.2017 às 11:31

Já no antepenúltimo?!
Tenho que me ir actualizar com urgência, e já cá volto!
Só para que não digam que li o último capítulo, primeiro que os restantes :)
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De Pedro Rodrigues a 28.08.2017 às 12:51

Eheheh nada de fazer batota xD 😙
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De marta-omeucanto a 28.08.2017 às 17:29

Bem, perdi mesmo muitas emoções!

O Luís, desculpa a expressão é um "banana", que não sabe o que quer, e tão depressa gosta de uma, como de outra, como de nenhuma :) Mas existem muitos, e muitas como ele. Não é um problema de adolescência, é mesmo geral.
Claro que na adolescência é mais desculpável.

Gostei, salvo seja, da morte da Teresa. Não sei se era um amor verdadeiro, mas não percebi também a decisão inicial dela, de acabar com o Luís e despoletar toda a história. Mas foi uma boa decisão ter dado esta reviravolta.

Não sei se acredito na mudança da Sílvia. Se fosse eu, mesmo sendo verdade, poderia até perdoar, mas mais que isso não.
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De Pedro Rodrigues a 28.08.2017 às 18:01

Totalmente de acordo! Teve muita "sorte" por a Sandra o ter desculpado, pois se fosse a pessoa de quem eu me baseei para ir construindo a personagem dela levava era um par de tabefes e ia a andar! ;) E quanto à Teresa estive muito indeciso sobre o futuro dela... e só me lembrei de a "matar" para juntar o Luís à Sandra!

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