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22
Jul17

Capítulo 8

por Pedro Rodrigues

- Enfim, sós! Estas duas são umas chatas, pá!

- Eu não diria isso, Sílvia... são um pouco bisbilhoteiras de mais para o meu gosto, em especial a Inês. Mas tirando isso, não me parecem ser más pessoas. Queres lá vir logo a casa?

- Não posso, Luís! Tenho de ir logo para casa mal acabem as aulas... mas se tu quiseres apareço lá amanhã à tarde.

- Boa ideia! Podes aparecer sempre que queiras...

- E quando é que vais à minha?

- Não sei onde moras...

- Se é só isso...

Sílvia pegou numa caneta, abriu o dossier de Luís e escreveu a sua morada e telefone a um cantinho.

- Já agora, toma também os meus contactos... - disse Luís escrevendo-os numa folha sua e entregando-a de seguida a Sílvia. - Como é que se chama o sítio onde moras?

- Queijas. Não tem nada que enganar! No Parque Eduardo VII há um autocarro que vai para lá. É a carreira número 13 da Vimeca. Depois lá em Queijas é só perguntares pela minha rua a qualquer pessoa.

- Um dia destes apareço por lá.

- Fixe! Mas quando quiseres lá ir tens de me avisar primeiro, ok?

- Podes estar descansada! Qual é o melhor dia para lá ir?

- Quarta-feira à tarde...

Naquele preciso momento soou a campainha, chamando para as aulas.

- É sempre assim! Agora que estava aqui tão bem contigo...

Ao ouvir aquela afirmação de Luís, Sílvia sorriu, lançando-lhe um olhar cúmplice. Luís levantou-se e estendeu a mão a Sílvia, ajudando a amiga a levantar-se.

 

Naquela tarde não tiveram "furos" como na véspera. Durante grande parte do tempo, Luís esteve pensativo, distante, sem prestar grande atenção às aulas. À excepção de Português, Sílvia era a sua companheira de mesa. Ao vê-lo assim, perguntou-lhe:

- O que é que tens, Luís?!

- Nada... apenas estou com saudades da terra. Estava a pensar na...

- Teresa, adivinhei?

- Acertaste!

- O que é que se passa aí, Sílvia? - perguntou Laura, professora de Psicologia.

- Nada, stôra! Pode continuar...

- Acho bom, Luís! Espero não ter que os separar...

- Isso não, stôra! A partir de agora prometo que não conversamos mais... - garantiu Sílvia.

Laura prosseguiu com a aula, onde estava a fazer uma pequena introdução à Psicologia. Na primeira oportunidade que teve, Luís segredou ao ouvido de Sílvia.

- Que mulher tão chata!

Sílvia olhou para Luís com um enorme sorriso nos lábios e acenou com a cabeça, concordando com a opinião do amigo.

No final da aula de Psicologia, que era a última do dia, Carla foi ter com Luís e Sílvia.

- Eh, pá! Vocês estão uns faladores! Olhem que esta mulher não é para brincadeiras!

- Já vi isso! De todos os stôres que já conhecemos, esta foi a que menos gostei.

- Não és só tu, Luís! Aqui na escola quase ninguém gosta dela...

- Sílvia, amanhã sempre vais lá a casa?

- Vou!

- Queres lá ir almoçar?

- Se assim quiseres...

- Quero, pois!

- Então podes contar comigo! Carla, vens para baixo comigo?

- Vou, Sílvia. Até amanhã, Luís!

- Adeus! - disse Luís despedindo-se de ambas com um beijo.

 

CONTINUA...

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